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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Setembro

Jérôme Dern: Septembre

 

Agosto está a terminar, branco, quente, vazio, frustrante, avassalador.

 

Sem causas nem coisas, arrasto-me em estado de negação pelos dias, controlando os gestos, mais vagarosos e pensados, mais precisos e estudados. A noite está à minha espera, as horas desenrolando-se nuas, o calor que sobe pela garganta, que transpira pela pele, alaga o corpo e o lençol.

 

O país parou, como pára todos os anos, mas não para fermentar ideias em pousio, que não as tem. Para escancarar vinganças e ódios, disparates que preenchem os olhos ávidos de algo que não seja a própria vida.

 

A terra há-de recuperar, do braseiro e do sono, a chuva virá retemperar os gostos e, quem sabe, devolver esperança e sonhos.

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