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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da Vergonha Atómica à Falta de Vergonha Termonuclear*

Vale a pena compararmos dois editoriais (distanciados de 1 mês) de Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios online, para percebermos a coerência, a ideologia, a indignação, os conhecimentos e a presciência deste jornalista:

 

Uma vergonha atómica

A utilização da "golden share" é inédita, surpreendente e provavelmente ilegal. Vai contra o mercado, contra a administração e contra a decência. E revela um País próximo do subdesenvolvimento económico.
A bomba atómica é a vergonha atómica. Quem quer mandar em empresas não as privatiza. Quem as privatiza não as renacionaliza depois. O que o Governo fez foi extorsão dos direitos dos donos da PT. O recurso à "golden share" é um regresso aos vergonhosos dias em que o Estado vetou a venda dos bancos de Champalimaud ao Santander. Uma experiência que, aliás, deu no que deu: no descalabro do BCP. (...)
(...) A venda da Vivo é má para a PT. Mas não é má para os seus donos. Seja como for, isso é assunto privado. Se o BES, a Ongoing e outros decidiram tratar da sua vida, isso é com eles. O que aconteceu hoje na Assembleia Geral da PT não foi intervencionismo, nem nacionalismo, nem governação. Foi uma derrota. Uma derrota de Portugal. (...)

 

Vivó Sócrates

(...) Pois o acordo desenhado é favorável a cada um dos quatro lados desta mesa: PT, Governo, Oi e Telefónica. (...)

(...) A “golden share” foi um golpada que surtiu efeito. Do ponto de vista político, capitalizou simpatia na opinião pública, para quem Sócrates é hoje herói. Do ponto do negócio, a intervenção aumentou o preço em mais 350 milhões de euros. (Se, afinal, a “golden share” serve para fazer subir preço, estamos mesmo conversados quanto a interesse nacional… Mas Ricardo Salgado agradeceu antecipadamente a Sócrates por isso). Do ponto de vista da empresa, foi a intervenção de Sócrates que garantiu a manutenção no Brasil. (...)

(...) Foi por accionistas e administração terem estado a remar para lados diferentes que o Governo acabou por intervir, quando percebeu que a sua própria passividade era omissão abusada por alguns. (...) Mas os accionistas podem agradecer a Sócrates por ter conseguido o que eles falharam: mais preço e Brasil. (...)

 

Absolutamente extraordinário.

 

Nota: *Mudança para um título mais apropriado, sugerido por um comentador.

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