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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Os Políticos e Salazar

 

A verdade é que já defendi que a redução dos ordenados dos políticos, embora não resolvessem nada do défice, eram uma medida simbólica para que todos se apercebessem de que o esforço de contenção pedido não tinha excepções privilegiadas.

 

Mas a realidade é que esta medida é ineficaz e populista, chamando por outros populismos que pedem cada vez mais, como se ser político signifique ser detentor de uma qualquer culpa que tem que ser purgada pelos justos, nada menos que bispos, jornalistas, médicos, juízes, grandes empresários, etc. etc. Fiz exactamente aquilo que repudio a outros – deixei-me embalar pelo populismo e pela demagogia.

 

Esta é a visão salazarista que 40 anos após a morte   de Salazar ainda persiste e é estimulada por alguns sectores da nossa sociedade. Assiste-se hoje a uma reinterpretação da história do Salazarismo e do Estado Novo pelos novos divulgadores do passado recente que, ideologicamente, são de direita, em oposição à visão esquerdista, que era predominante. Na revista Actual do último Expresso (24/07), vem um extenso artigo de Rui Ramos que ilustra o que quero dizer quanto à visão que temos dos políticos:

 

(…) Mas contou também a habilidade de Salazar. Soube usar as máximas da Antiguidade Clássica: o tirano podia ser suportável se desse a ideia de que não dominava para interesse pessoal. O “bom tirano” era, em primeiro lugar, um tirano sobre si próprio. E foi assim que Salazar se apresentou – sacrificado ao bem público, privado de ócios, de prazeres, de liberdade… (…) – pág. 12.

 

Rui Ramos consegue ainda sintetizar uma ditadura de 40 anos de uma forma extraordinária:

 

(…) O Estado Novo era, como ele [Salazar] gostava de dizer, um regime suficientemente “forte” para não precisar de ser violento. Mas nunca houve dúvidas de que podia ser implacável. Deixou morrer três dezenas de anarquistas e comunistas no campo do Tarrafal, em Cabo Verde, entre 1936 e 1945. Perseguiu e exilou o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, em 1958-1959. E pelo menos encobriu ou não investigou o assassínio do General Humberto Delgado por agentes da PIDE em 1965. (…) - pág. 10.

 

O regime democrático tem custos. A liberdade cobra-nos todos os dias a coerência e a responsabilidade, assim como o respeito pelos nossos representantes eleitos.

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