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Os Políticos e Salazar

por Sofia Loureiro dos Santos, em 26.07.10

 

A verdade é que já defendi que a redução dos ordenados dos políticos, embora não resolvessem nada do défice, eram uma medida simbólica para que todos se apercebessem de que o esforço de contenção pedido não tinha excepções privilegiadas.

 

Mas a realidade é que esta medida é ineficaz e populista, chamando por outros populismos que pedem cada vez mais, como se ser político signifique ser detentor de uma qualquer culpa que tem que ser purgada pelos justos, nada menos que bispos, jornalistas, médicos, juízes, grandes empresários, etc. etc. Fiz exactamente aquilo que repudio a outros – deixei-me embalar pelo populismo e pela demagogia.

 

Esta é a visão salazarista que 40 anos após a morte   de Salazar ainda persiste e é estimulada por alguns sectores da nossa sociedade. Assiste-se hoje a uma reinterpretação da história do Salazarismo e do Estado Novo pelos novos divulgadores do passado recente que, ideologicamente, são de direita, em oposição à visão esquerdista, que era predominante. Na revista Actual do último Expresso (24/07), vem um extenso artigo de Rui Ramos que ilustra o que quero dizer quanto à visão que temos dos políticos:

 

(…) Mas contou também a habilidade de Salazar. Soube usar as máximas da Antiguidade Clássica: o tirano podia ser suportável se desse a ideia de que não dominava para interesse pessoal. O “bom tirano” era, em primeiro lugar, um tirano sobre si próprio. E foi assim que Salazar se apresentou – sacrificado ao bem público, privado de ócios, de prazeres, de liberdade… (…) – pág. 12.

 

Rui Ramos consegue ainda sintetizar uma ditadura de 40 anos de uma forma extraordinária:

 

(…) O Estado Novo era, como ele [Salazar] gostava de dizer, um regime suficientemente “forte” para não precisar de ser violento. Mas nunca houve dúvidas de que podia ser implacável. Deixou morrer três dezenas de anarquistas e comunistas no campo do Tarrafal, em Cabo Verde, entre 1936 e 1945. Perseguiu e exilou o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, em 1958-1959. E pelo menos encobriu ou não investigou o assassínio do General Humberto Delgado por agentes da PIDE em 1965. (…) - pág. 10.

 

O regime democrático tem custos. A liberdade cobra-nos todos os dias a coerência e a responsabilidade, assim como o respeito pelos nossos representantes eleitos.

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publicado às 16:12


4 comentários

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De Irene Pimentel a 26.07.2010 às 17:11

Esse texto de Rui Ramos tem muito que se lhe diga, a começar com o facto de ele considerar que foi Salazar que iniciou o Estado social (????) em Portugal e a terminar com a qualificação da ditadura como tendo sido de «sucesso». Pelo meio, num texto sobre Salazar, aproveita para lembrar que o dia 25 de Abril foi de chuva (sombrio??) e que Salazar só está vivo devido aos «antifascistas» (?)
Mas será que é um texto sobre história ou um texto político?
Tem razão Sofia, a democracia tem custos.
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De Sofia Loureiro dos Santos a 26.07.2010 às 18:40

Irene, acho que é um texto político mascarado de texto Histórico. E tem muito que se lhe diga, como apontou a Irene. Apenas foquei os aspectos que tinham a ver com o repúdio da desqualificação dos Políticos, mas mereceria melhor atenção.
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De ACÁCIO LIMA a 26.07.2010 às 18:46

COMENTÁRIO AO POST "OS POLÍTICOS E SALAZAR" DE SOFIA LOUREIRO DOS SANTOS, NO BLOG "DEFENDER O QUADRADO"


01- Este post, entre outras virtualidades, torna claro, que esta revoada populista, e miserabilista, sobre as remunerações do pessoal político, que engloba os meios conservadores e os meios esquerdizantes maximalistas, entronca, ideológicamente, no pensamento de António de Oliveira Salazar.

02- O conservador Rui Ramos, no “Expresso”, empresta, sem o desejar, mas objectivamente, todo o suporte a esta afirmação..

03- Esta colagem, das direitas tradicionais aos esquerdizantes maximalistas, ao pensamento de Salazar, (que ele sistematrizou na sua Doutrina Corporativa) , não surpreende.

È que foram essas mesmas forças políticas, que desde 2005, foram cobrindo as posturas corporativas dos Detractores das Reformas, impedindo a plena Racionalização do uso das inúmeras logísticas, humanas e materiais, disponíveis.

04- Esta dupla constatação permite afirmar que há um coerência, continuidade e contiguidade entre o pensamento das direitas tradicionais e o dos esquerdizantes maximalistas. Persistem os resquiçios corporativos na Sociedade Portuguesa, na omissão de uma Crítica Radical à Doutrina Corporativa.

05- A “Coligação Negativa” não cai dos céus aos trambulhões, mas é, sim, suportada por uma mesma base de pensamento, latente nesses diferentes forças políticas.

06- Estas propostas de redução de rendimentos do pessoal político terá, a médio prazo, um efeito devastador na qualidade do Serviço Público, excluindo, do Aparelho de Estado, os mais capazes. O que teremos, é o aviltamento do Serviço Público, com o inerente lesar das populações.

Esta postura dos esquerdizantes maximalistas conduz ao mesmo desideratum das direitas tradicionais, de se ter um Estado Mínimo.

“Coligação Negativa”, que ainda não deu conta do miserabilismo das remunerações do Presidente da República, do Primeiro Ministro, dos Ministros e até dos Deputados. Enfim do pessoal político do top.

07- Estas medidas de degradação do nível remuneratório do pessoal político, são um achincalhamento dos Políticos e da Política, que Salazar sempre teve em mira na sua actuação. Toda esta gente age miméticamente da postura do Ditador.

08- Andou mal o Candidato Alegre ao anuir ao apelo do Bispo Carlos Azevedo. Tratou-se de um oportunismo de raíz populista.

09- Há que pontuar tal, para que o Candidato possa emendar a mão e, assim poder vir a levar a “Carta A Garcia”, no dífícil confronto com o Chefe do Conservadorismo Reaccionário, Cavaco Silva.

10- O Candidato Alegre não pode deixar de ser crítico das muitas atitudes populistas que nos envolvem, e não pode embarcar em oportunismos de meia tigela.

Cordiais, Afáveis e Amistosas Saudações Democráticas, Repúblicanas e Socialistas de

ACÁCIO LIMA
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De Sofia Loureiro dos Santos a 26.07.2010 às 22:26

Acácio , obrigada pelo seu comentário certeiro e pertinente. Manuel Alegre deveria demarcar-se deste tipo de apelos.

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