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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Direitos, liberdades e garantias

A propósito das declarações de Carlos Queiroz sobre uma suposta entrevista que teria dado ao SOL, e da reacção do SOL ao não divulgar as supostas gravações da entrevista para protecção das fontes, mais uma vez me espanto com a forma como a classe jornalística se protege a ela própria, com raras excepções, por acção ou omissão, perante tais atentados ao direito, à dignidade individual e à tão proclamada ética jornalística.

 

Hoje em dia, com a justificação da total liberdade de expressão e da salvaguarda do interesse público, todos se acham detentores da possibilidade de violar o mais elementar direito à privacidade. Deixou de haver respeito pelas comunicações electrónicas, parecendo natural a publicação de emails, não tendo nada a ver com protecção de fontes nem com interesse nacional, como foi o caso da vergonhosa actuação de Carlos Santos, personagem que se passeou fugazmente pela blogosfera, dando conta de um desequilíbrio de personalidade assinalável, além de falta de carácter, e que foi acarinhado, protegido e usado por vários bloggers.

 

A publicação em jornais como o SOL de fragmentos cirúrgicos de material pertencente a escutas, que deveriam estar em segredo de justiça, é o dia-a-dia da nossa informação. A própria escuta de conversas em restaurantes dá azo a acusações absolutamente idiotas e a comportamentos inaceitáveis da parte dos que se dizem perseguidos politicamente.

 

Neste momento, e desde a última campanha eleitoral para as legislativas, a liberdade de expressão passou a ser um bem apenas permitido a algumas pessoas que se arrogam o direito de julgar quem tem ou não credibilidade para escrever ou falar. São os polícias morais da nossa blogosfera, que moveram um ataque ignóbil ao blogue Câmara Corporativa, nunca conseguindo explicar qual o crime praticado pelo ou pelos autores do blogue, para além da discordância política com o que lá se escreve. Avançam agora contra o blogue Aspirina B, transformando em pecado de cobardia o uso de pseudónimos na blogosfera.

 

Mais extraordinário virem essas acusações de profissionais de informação, que sabem a importância e as razões dos anonimatos e das fontes não identificadas, que prometem proteger a todo o custo.

 

A manipulação e a intimidação das pessoas que pertencem à área do PS, principalmente à área do governo, é um verdadeiro atentado aos direitos, liberdades e garantias individuais. Estranha forma de defesa da liberdade de expressão.

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