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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Impasse presidencial

 

A eleição presidencial está num verdadeiro impasse e é um problema para as lideranças do PS e do PSD.

 

O PS não tem candidato. Após o anúncio de disponibilidade de candidatura de Manuel Alegre o PS aguardou, talvez procurando uma alternativa. Manuel Alegre representa, para uma grande parte do PS, o populismo do BE e uma das razões da resistência à política do anterior governo, principalmente na saúde e na educação, áreas em que houve uma efectiva tentativa de reforma.

 

Quando Fernando Nobre entrou em cena, muitos pensaram que poderia ser uma resposta às preces do PS, tendo ainda a possibilidade de angariar algum do eleitorado do PSD. No entanto a candidatura de Fernando Nobre aparece fraca, sem destino nem clareza política, o que pode retirar desde já qualquer hipótese de o PS a apoiar. Não é crível que apareça outro candidato, o que coloca Sócrates ante o dilema de ter que manifestar o seu apoio a Manuel Alegre ou de dar liberdade de voto aos socialistas. De qualquer das formas já perdeu iniciativa e oportunidade, sendo arrastado pelas agendas dos opositores à sua esquerda.

 

O PSD, com a eleição de Passos Coelho, ficou também órfão de candidato a Belém. É claro que não restará alternativa ao PSD caso Cavaco Silva se recandidate, o que é cada vez mais transparente. Mas será um amargo de boca para Passos Coelho, cuja convivência com o Presidente não começou bem, até pela nítida e ilegítima interferência de Cavaco Silva nas decisões do PSD. O recado que enviou ao novo líder, em relação ao PEC, foi demasiado claro. Só que Pedro Passos Coelho não é Manuela Ferreira Leite e a demarcação entre o partido e o Presidente tem sido evidente e necessária.

 

Tudo se encaminha para uma reeleição de Cavaco Silva. Manuel Alegre tornou o seu partido refém dele, o PS está refém do BE. Há abraços que se transformam em tornos. Sócrates e Alegre deveriam ter percebido a lição das anteriores presidenciais.

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