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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

O bem

 

Mona Aghababaee: Onde está a liberdade?

 

Falemos do bem, daquele puro sentimento que nos ensinam os padres de mãos postas, as avós sentadas bem direitas nas cadeiras de costas altas. Daquele bem de semana pascal, em que a mesa farta se prepara em jejuns diversos, do bem que pertence às pessoas de bem.

 

Falemos do bem que nos queremos, da luta diária pelo pão de cada dia, do fragmento de noite em que nos deitamos na cama, num cansaço de hábito escuro, na culpa de não encontrar horas nem forças para quem nos quer bem.

 

Falemos do bem do dinheiro multiplicado, que sem raízes nem asas se volatiliza para uns materializando-se noutros, no bem dos redondos braços da lei, da rotunda e árida ética.

 

Falemos do bem das armas caladas e apertadas durante o sono, do bem da fome que morre e que mata, do bem ruinoso das convicções febris, do bem que fazemos por tantos deuses que fabricamos, adoramos e consumimos, embrulhados em plástico ou papel brilhante.

 

Falemos então do mal que este bem nos faz, olhemos para fora das nossas horas, por fora das nossas bênçãos e façamos qualquer coisa de bom, na busca de um raio que nos abra o instante de sermos felizes.

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