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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Ciclo político

 


 

Este ciclo político tem variantes que podem ser decisivas para o seu desfecho.

 

O Orçamento de Estado de 2010 (OE 2010) foi aprovado na generalidade e será aprovado na especialidade, assumindo o governo e a Assembleia da República o compromisso de viabilizar o governo com este orçamento. Mas há uma disputa interna para a liderança do PSD e já se sabe que, pelo menos Pedro Passos Coelho não se sente obrigado a aceitar o compromisso do seu próprio partido, enquanto liderado por Manuela Ferreira Leite.

 

Estará para aprovar e entregar em Bruxelas o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) que, da mesma forma que o OE 2010 terá que ser assumido pelos actores políticos desta legislatura. Será que após o Congresso e eleições para a liderança do PSD o novo líder se comprometerá a cumpri-lo?

 

Mesmo após a decisão da liderança do PSD não é provável que qualquer dos líderes (Aguiar-Branco, Paulo Rangel ou Passos Coelho) tenha hipóteses de ganhar umas eleições antecipadas, pois poderá continuar a luta interna pelo poder no PSD, aliás como tem acontecido até agora. Ou seja, mesmo com toda esta campanha anti-Sócrates, se houver eleições antecipadas o quadro parlamentar poderá ser idêntico.

 

Já existe um candidato presidencial assumido – Fernando Nobre - um quase candidato – Manuel Alegre - e um provável candidato – Cavaco Silva. O aparecimento de Fernando Nobre pode baralhar as contas à esquerda mas também à direita. Ao contrário do que muitos defendem, penso que Fernando Nobre pode dividir os votos da esquerda, mas também pode retirar votos a possíveis eleitores de Cavaco Silva. Não sabemos ainda se Cavaco Silva avança ou se haverá outro candidato de direita, nomeadamente Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Se o Presidente mudar, para Manuel Alegre ou para Fernando Nobre, será que vai haver maior estabilidade e melhor cooperação institucional entre governo e Presidente? Pela actuação de Manuel Alegre nos últimos anos é pouco provável que assim seja. Até por isso acho um erro o PS apoiar como partido a candidatura presidencial de Manuel Alegre. Se não encontra um candidato alternativo, nomeadamente se não se revê em Fernando Nobre, deveria dar liberdade de voto aos seus militantes. Seria mais transparente e mais honesto.

 

Resumindo: o governo do país, com o OE 2010 e com o PEC deverão ser aprovados como um compromisso dos maiores partidos – o tal Bloco Central de que tanto tenho desdenhado e vilipendiado – independentemente de haver ou não eleições antecipadas, antes das presidenciais. Por isso mesmo é bom que o PSD e o Presidente da República, que tanto falam dos interesses nacionais, pensem bem antes de precipitar uma crise política, cujas consequências poderão ser bem desagradáveis para todos nós.


 

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