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Ciclo político

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.02.10

 


 

Este ciclo político tem variantes que podem ser decisivas para o seu desfecho.

 

O Orçamento de Estado de 2010 (OE 2010) foi aprovado na generalidade e será aprovado na especialidade, assumindo o governo e a Assembleia da República o compromisso de viabilizar o governo com este orçamento. Mas há uma disputa interna para a liderança do PSD e já se sabe que, pelo menos Pedro Passos Coelho não se sente obrigado a aceitar o compromisso do seu próprio partido, enquanto liderado por Manuela Ferreira Leite.

 

Estará para aprovar e entregar em Bruxelas o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) que, da mesma forma que o OE 2010 terá que ser assumido pelos actores políticos desta legislatura. Será que após o Congresso e eleições para a liderança do PSD o novo líder se comprometerá a cumpri-lo?

 

Mesmo após a decisão da liderança do PSD não é provável que qualquer dos líderes (Aguiar-Branco, Paulo Rangel ou Passos Coelho) tenha hipóteses de ganhar umas eleições antecipadas, pois poderá continuar a luta interna pelo poder no PSD, aliás como tem acontecido até agora. Ou seja, mesmo com toda esta campanha anti-Sócrates, se houver eleições antecipadas o quadro parlamentar poderá ser idêntico.

 

Já existe um candidato presidencial assumido – Fernando Nobre - um quase candidato – Manuel Alegre - e um provável candidato – Cavaco Silva. O aparecimento de Fernando Nobre pode baralhar as contas à esquerda mas também à direita. Ao contrário do que muitos defendem, penso que Fernando Nobre pode dividir os votos da esquerda, mas também pode retirar votos a possíveis eleitores de Cavaco Silva. Não sabemos ainda se Cavaco Silva avança ou se haverá outro candidato de direita, nomeadamente Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Se o Presidente mudar, para Manuel Alegre ou para Fernando Nobre, será que vai haver maior estabilidade e melhor cooperação institucional entre governo e Presidente? Pela actuação de Manuel Alegre nos últimos anos é pouco provável que assim seja. Até por isso acho um erro o PS apoiar como partido a candidatura presidencial de Manuel Alegre. Se não encontra um candidato alternativo, nomeadamente se não se revê em Fernando Nobre, deveria dar liberdade de voto aos seus militantes. Seria mais transparente e mais honesto.

 

Resumindo: o governo do país, com o OE 2010 e com o PEC deverão ser aprovados como um compromisso dos maiores partidos – o tal Bloco Central de que tanto tenho desdenhado e vilipendiado – independentemente de haver ou não eleições antecipadas, antes das presidenciais. Por isso mesmo é bom que o PSD e o Presidente da República, que tanto falam dos interesses nacionais, pensem bem antes de precipitar uma crise política, cujas consequências poderão ser bem desagradáveis para todos nós.


 

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publicado às 15:23


1 comentário

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De ACÁCIO LIMA a 28.02.2010 às 19:18

SOBRE O POST-IT "CICLO POLÍTICO" DE SOFIA LOUREIRO DOS SANTOS

01- Não vejo qualquer inconveniente em apodar de “Ciclo Político”, esta convulsão e devir que envolve as forças conservadoras de diversas matizes. E, aliás, penso também que a Esquerda, acantonada no Partido Socialista, vive um momento de profunda reflexão, necessária à reformulação da “Declaração de Princípios do Partido Socialista”, de 2001, salvo erro, aprovada no Secretariado-Geral de Eduardo Ferro Rodrigues, que hoje relembro com muito apreço. Cerca de dez anos volvidos, impõe-se um ajuste, com ênfase para uma nova Geração de Políticas Sociais, e não só.

02- Também me parece pacífica a diagnose feita, relativa às Eleições Presidênciais. A hipótese de trabalho, de Marcelo Rebelo de Sousa poder ser Candidato à Presidência, faz todo o sentido, pois a “INVENTONA” existiu, e a “Factura” poderá ser apresentada a qualquer momento. Tudo, a menos que surja um Golpe Palaciano, do global das forças conservadoras, que catapulte, em desespero de causa, Marcelo Rebelo de Sousa para a Presidência do PPD.

03- Quanto à Sua opinião sobre as Candidatuas, formais ou informais, à Presidência da República, Nobre e Alegre, não estou muito distante do que exprime.

A)- Com Nobre, um monárquico, que além disso pretende integrar Olivença, no “seu”, dele, país, temos um assomo de “patrioteirismo” e nacionalismo exarcebados, mas Alegre enche-nos os ouvidos com a “Padeira de Aljubarrota”. Coincidências....

B)- Nobre afirma-se como soberanista, distancia-se da Construção da União Europeia, e a Alegre coloca reservas ao Projecto.
Nova coincidência....

C)- Se Nobre “declara guerra” aos Partidos Políticos e aos Políticos, numa clara postura adversa à Democracia Representativa, Alegre não deixou de menorizar a Democracia Representativa ao preconizar Listas de “Independentes”, para a Assembleia da República. Nova e nuancé coincidência....

04- The last but not the least. Não posso concordar com o “liberalismo”, desculpe a rudeza do termo, de preconizar uma eventual abstenção do Partido Socialista sobre o sentido do voto, a indicar a Militantes e Apoiantes, nas Presidências.
O Partido Socialista é o esteio base da Democracia, no país, Democracia chegada com o “25 de Abril”, e não pode abdicar de ser parte activa e determinante o processo eleitoral para a Presidência da República, em qualquer circunstância e, em particular na que vivemos, com uma clara agudização da luta de classes no país.

Cabe ao Partido Socialista não desperdiçar as oportunidades para moldar toda a AGENDA POLITÍCA.

Cordiais e Afáveis Saudações Democráticas, Republicanas e Socialistas

ACÁCIO LIMA

NOTA DE RODAPÉ

A “sua” Orquestra de Vegetais” é um achado delicioso, sobretudo para os que, como eu, diabético, hipertenso e já com um enfarte do miocárdio na companhia, forçam a ingestão de VEGETAIS!!!!!!

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