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Perplexidades

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.01.10

 

 

A 6 de Novembro de 2008 Teixeira dos Santos previu, no Orçamento do Estado para 2009, um défice de 2,2%. Em Março de 2009 reviu essa previsão para 3,9%. Em Julho de 2009 reviu novamente o défice para 5,9%. Em Novembro de 2009 reviu mais uma vez o défice para 8%. A 26 de Janeiro de 2010 o défice de 2009 é de 9,3%.

 

A credibilidade de Teixeira dos Santos, por muita confiança que se tenha na sua capacidade técnica, e por muito que tenha demonstrado a realização da proeza que foi reduzir o défice entre 2005 e 2008, ficou seriamente danificada. Não é possível iludir a conclusão de que houve uma deliberada camuflagem da realidade, com fins eleitorais, o que é inaceitável.

 

Por outro lado é estranhíssimo que, após todas estas negociações orçamentais, de que PSD e CDS tanto gostaram, de tal forma que resolveram abster-se na votação do orçamento, venham agora dizer mal do que negociaram. O problema da lei das finanças regionais é o paradigma da hipocrisia a que se pode chegar.

 

De facto, mesmo com todos os erros de Teixeira dos Santos, nem à direita nem à esquerda parece haver qualquer alternativa à governação. E a demagogia dos sindicatos da função pública, em guerra permanente perante o maior ataque aos trabalhadores (todos os anos é o maior ataque), é imensa.

 

Pelo menos há a esperança de que seja um orçamento minimamente equilibrado.

 

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publicado às 22:45


4 comentários

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De ACÁCIO LIMA a 29.01.2010 às 12:56

COMENTÁRIO AO POST-IT "PERPLEXIDADES" DE SOFIA LOUREIRO DOS SANTOS


01- A operação “Prever Quantitativamente”, exige a ponderação de um Modelo, complexo, pendente de variáveis, numerosas e de comportamentos caprinhosos, dífíceis de matrizar.
A “Previsão Quantitativa”, centrando-se numa “Variável Sintese”, é necessária e imprescindível, na Gestão, e , claro, na Política, que têm pontos de contacto muito relevantes.

02- A “Previsão Quantitativa” coteja-se com os “Resultados Registados”, apurando-se os “Desvios”, que servem para “Corrigir o Tiro”, re-definindo os iniciais “Objectivos”.

03- Todas as “Previsões” são sempre formuladas num dado “Quadro de Pressupostos”.

04- “Previsões” e “Pressupostos” são indissociáveis.

05- Esta articulação, sendo complexa, é difícil de ser “Comunicada”, e na ligeireza, não é explicitada. Será sempre mais útil referenciar uma “Tendência Previsional”, omitindo a “Previsão Quantitava”, mas guardando-a bem guardada-, e sempre dela se servidindo no Processo de Decisão.

06- No caso vertente, os “Pressupostos” foram-se alterando, nomeadamente os referentese inerentes às perturbações dos mercados mundiais. As Previsões eram sempre de “alto risco”.

07- Teixeira dos Santos não soube, ou não podia resistir, às pressões para “Quantificar” aquilo que só devia ser anunciado como “Tendência Previsível”.

08- Mas, Teixeira dos Santos, acabou por ser um hábil negociador do “Orçamento 2010”, pondo de lado qualquer “entente” com os Maximalistas ( alegristas, bloquistas e gente na orla do PCP), que continuam a pensar que o déficit orçamental é infinitamente elástico, que persistem em estrangular financeiramente o Estado Providência, propondo aumento de despesa pública, e, negando todo e qualquer aumento da receita pública, incluindo, a que inevitávelmente terá de adoptada, a via de alargamento da matéria colectável, tudo diferente do aumento das taxas de imposto unitárias.

Mas a negociação com os Maximalistas estava, à partida inviabilizada, pois eles sempre se recusam a apoiar medidas tendentes a promover o alargamento dos “EXCEDENTES GERADOS PELA ACTIVIDADE ECONÓMICA”, isto é, medidas incentivando a PRODUTIVIDADE e a COMPETITIVIDADE.
Única via para incrementar os EXCEDENTES.

09- É claro, que do meu ponto de vista, e o que muito me preocupa, será não ver explicitadas duas perspectivações essenciais, omitidas ou quase omitidas:

a)- A perspetivação de uma Nova Geração de POLÍTICAS SOCIAIS, num contraponto a uma política de subsídios avulso;
b)- A perspectivação de uma POLíTICA de INVESTIMENTO PÚBLICO, centrada no acréscimo do nível de incorporação tecnológica-( que estava, e bem, a ser seguida pelo 1º GOVERNO Sócrates, do Partido Socialista).

10- O que me preocupou em Teixeira dos Santos, foi ter aceite um elevado acréscimo da despesa pública, no curto e longo prazo, implicita no Acordo para a Educação, por força do acelerar singularmente a progressão na carreira, gerando ainda tensões no global do funcionalismo público e promovendo mais previlégios a quem já era previligiado, numa enorme iniquidade nacional.
Desta forma, Teixeira dos Santos, se não negociou com os Maximalistas o Orçamento, apaparicou, os ditos Maximalistas, que sempre apoiaram os CORPORATIVOS DOCENTES.


Mas persisto em manter o meu apoio crítico ao Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.

Cordiais e Afáveis SAUDAÇÕES DEMOCRÁTiCAS de
ACÁCIO LIMA

NOTA DE RODAPÉ
Informo que só utilizo dois Sistemas Anti-virus e Afins a saber:
- ESET- NOD 32
-WINDOWS DEFENDER
Esta Informação visa alertar o Receptor das minhas mensagens, que, se entender ter superior protecção, terá de o provindenciar.

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De aires bustorff a 30.01.2010 às 17:07

Excelente lição,
obrigado, Acacio Lima...

seria interesssante a autora do artigo verificar como evoluiram as perspectivas de deficits, nos varios paises do mundo, nos mesmos tempos que ela os cita


exactamente em função da evolução dos "pressupostos" que se iam colocando ao longo da crise

abraço
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De Sofia Loureiro dos Santos a 31.01.2010 às 20:59

Não ponho em causa a necessidade do aumento do défice. Nem sequer ponho em causa a necessidade de gerir politicamente as expectativas e o pessimismo. É natural que a imprevisibilidade fosse grande. Mas em qualquer das épocas em que o governo jurou que o défice estava controlado foi de imediato desmentido. Tenho confiança em Teixeira dos Santos pois penso que ele é quem melhor pode controlar as contas públicas mas é óbvio que deliberadamente escondeu o que se passava, tal como, provavelmente, os outros governantes dos outros países. E isso descredibiliza-o.
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De aires bustorff a 31.01.2010 às 22:32

Estas coisas são cada vez menos lineares,

quando

as expectativas, reais ou artificialmente geradas, desencadeiam elas mesmos resultados, num sentido ou noutro,

mas normalmente "noutro"...

quando

a especulação e, nela, as classificações discricionarias das agencias de ratings,

movidas por interesses nem sempre mui objectivos, condicionam, promovem ou comprometem, resultados de politicas economicas...

Lembro-me bem

dos movimentos especulativos de Soros contra as principais moedas mundiais no sec. passado, decadas de 80 - 90, creio...

tal como quando os MFinanças, todos eles, desmentiam ate ao segundo anterior, as desvalorizações a que procediam,

instrumento maior das polticas dos países contra as crises ou esses movimentos especulativos

ou de ambos...

Imagine que um Ministro das finanças - hipotese absurda, suponho - dá guarida aos "devaneios" que meios irresponsaveis produzem,

e os media, nem sempre mui responsavelmente ampliam, com resultados muito pouco "patrioticos"...

que resultados macro economicos isso geraria???´

Como penso será objectivo, se apesar de tudo, os resultados economicos são os presentes, e não os derivados dos "pessimismos" conjugado das oposições e Presidencia,

isso decorre da "credibilidade" do governo para inflectir "expectativas" e gerar animo e movimentos positivos na economia...

Enfim, é um prazer estar aqui com esta conversa aberta consigo,

mas acredite que muitas vezes, contra tudo e todos, mesmo até a "realidade advniente se...", há que assumir posições "responsaveis" em dominios que não são "mera locubração politica",

mas responsabilidade sociais efectivas, que dramaticamente a todos "afectariam se"..

Abraço amigo

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