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Telómeros e telomerase

por Sofia Loureiro dos Santos, em 05.10.09

 

Este ano o prémio Nobel de Fisiologia e Medicina distinguiu três investigadores - Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak - pelos trabalhos desenvolvidos sobre a importância dos telómeros e da telomerase.

 

Os telómeros são as pontas dos cromossomas dos seres que são formados por células com núcleos (eucariotas).

 

As células são as unidades que formam os tecidos (a pele, os osso, o coração, etc.). As células são como o ovo – têm um núcleo (a gema) onde está a informação vital da célula e onde está o material genético – os cromossomas, constituídos por um dupla hélice de DNA - e o citoplasma (a clara), onde está a maquinaria e os ingredientes que alimentam a célula.

 

Cromossomas; telómeros - pontas brancas

wikipédia

 

De cada vez que as células se dividem tem que haver uma duplicação dos cromossomas, que depois se separam e formam duas células com a mesma informação genética que a célula mãe. Em teoria é assim, mas na prática sabemos que todos nós resultamos de uma célula única e nos transformamos naquilo que somos, um conjunto de milhões de células.

 

Para que os cromossomas se dupliquem é preciso que a dupla hélice se abra e se formem cópias das hélices, complementares às primeiras. Mas quando a separação chega à ponta dos cromossomas – os telómeros (do grego telos - final, e meros – parte), que não são mais que uma sequência de DNA, diferente para cada espécie, tendo a função de impedir que as pontas dos cromossomas abertas se possam unir com fragmentos que não são de lá, resultando naquilo a que se chamam mutações (material genético anormal por junção ou perda), acaba por  haver encurtamento dos telómeros. Por isso, à medida que a célula se divide, essas pontas vão perdendo vários genes (informação importante) o que, pensa-se agora, levará inexoravelmente à morte celular, ao fim de algum tempo, pelo encurtamento sucessivo dos cromossomas – um dos mecanismos que contribui para o envelhecimento celular.

 

Representação do DNA do telómero

wikipédia

 

Mas a verdade é que algumas células, como as células embrionárias e as células tumorais, conseguem dividir-se quase indefinidamente sem perda nem encurtamento dos telómeros. Descbriu-se que isso é devido a uma enzima – a telomerase – que é capaz de reconstruir o bocado de telómero encurtado, mantendo o cromossoma sempre igual.

 

Representação da telomerase

wikipédia

 

É claro que isto é uma simplificação grosseira de um dos fenómenos mais intrigantes e complexos a nível celular. Estas investigações e estas descobertas podem abrir caminho a novas terapêuticas contra o cancro, se percebermos como é possível impedir que as telomerases actuem em células malignas. Por outro lado podemos perceber melhor qual o mecanismo da senescência celular e, quem sabe, retardar a morte celular.

 

Nota: para quem estiver interessado...

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publicado às 17:59


4 comentários

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De w a 06.10.2009 às 15:15

Se bem me lembro o problema com a Dolly - a ovelha clonificada - era que tinha precisamente os telómeros da mesma longitude que a sua "mae" e pelo tanto a clonificacao resultou nao ter sentido nenhum porque o individuo clonificado tinha a mesma idade celular que o individuo de origem.
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De Sofia Loureiro dos Santos a 06.10.2009 às 21:46

Exacto. Parece que esse foi um dos problemas.
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De Ceres a 10.06.2011 às 14:40

Muito interessante! Obrigada pela partilha desta informação de forma simples e clara :)
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De Anónimo a 05.07.2018 às 15:57

Muito interessante esse artigo e também os comentários. Donde se conclui que o estudo e experiência com a ovelha citada não foi em vão. Pois estes novos estudos podem utilizar esses seres clonados para serem cobaias, já que seria inviável com o ser humano.

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