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SNS e informatização

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.07.09

 

 

A blogosfera afirma-se como um espaço de debate pré-eleitoral, reunindo-se em blogues colectivos ou manifestando-se em blogues individuais.

 

Para já a formação do SIMplex despoletou a emergência do Jamais (para ler em francês), alinhando-se os guerreiros de cada lado da barricada.

 

Ainda bem. É claro, honesto, interessante e divertido. Ma é conveniente não esquecer o objectivo da batalha: discutir opções políticas, alternativas, discutir áreas de actuação em falta, resultados, ideologias.

 

Este governo teve um mérito que não me lembro de ter visto em qualquer governo anterior: acabar com o mito de que a esquerda é indecisa, titubeante, gastadora, perdedora, sem vontade, niveladora por baixo e não reformadora. Este governo apostou nas tecnologias de informação, na formação e na avaliação. Aquilo que foi chamado de propaganda de powerpoint representou uma viragem no paradigma do envelhecimento das mentalidades, foi uma afirmação de que é possível mudar por dentro.

 

É inaceitável que hoje em dia se não aposte na informatização de todos os serviços públicos. A resistência à mudança é clássica, mas não se pode manter a falta de bases de dados actualizáveis e utilizáveis por todos os que delas necessitam.

 

No SNS deve apostar-se na informatização dos Centros de Saúde (CS), nos processos, requisições, prescrições, recados, memorandos, codificações, facturações, gestão de stocks, gestão de circuitos e manutenções de equipamentos, controlos de fluxos de trabalho, digitalização de imagens (radiografias), etc. A objectivação e armazenamento electrónicos tornarão mais ágeis, leves e precisas todas as informações relativamente aos doentes, às terapêuticas, aos meios complementares de diagnóstico, permitirão uma melhor gestão dos tempos e dos recursos e obrigarão ao cumprimento de protocolos, que uniformizam critérios e procedimentos e reduzem a hipótese de erro.

 

Seria de toda a conveniência que os CS, USF e hospitais trabalhassem em rede, o que permitiria que os doentes fossem seguidos em ambulatório pelos seus médicos de família, que poderiam ter e fornecer dados dos seus utentes aos colegas de várias especialidades. Este é um movimento de renovação que tem de continuar.

 

(Publicado também aqui)
 

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publicado às 23:33


2 comentários

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De Eduardo a 26.07.2009 às 10:23

Concordo em muito do que aqui se diz... mas tenho algumas críticas que vão à base do problema. Por exemplo, antes de informatizar os centros de saúde, se calhar deveriam ser construídos VERDADEIROS centros de saúde , isto é, uma rede de atenção primária que servisse aos utentes e descongestionasse os hospitais. Eu tenho nisso duas experiencias. Uma até os 25 anos e outra a partir dos 25. Na primeira , existiam centros de saúde que não eram um apartamento num 4º andar sem elevador, mas prédios construídos de raiz para ser centros de saúde , muitos dos quais abertos 24h. Não eram constituídos por um medico e/ou um enfermeiro, mas sim por muitos deles, munidos de ferramentas básicas de diagnóstico, como RX , ECO ou análises, onde se faz uma triagem de quem deve ir ao hospital.
Além desses existiam uns centros de especialidades, onde existem consultas de todas as especialidades, pequena cirurgia, radiologia e analises. E finalmente, os hospitais, bastante mais modernos e melhor equipados. Em todo caso, o doente sempre teve um processo único num hospital central que o enviava no dia anterior ao centro de saúde onde o doente era suposto ter consulta.
Por tanto, a informatização veio agilizar e abaratar os procedimentos. Mas não acho que crie a estrutura per se, nem que mude a mentalidade de muitos gestores.
Assim, sendo favorável a informatização, acho que não virá a resolver o problema. Porque, por exemplo, os computadores de um hospital deveriam ser comprados TODOS ao mesmo tempo, evitando problemas de incompatibilidades ou desfases e ter um plano de renovação temporal, e não ir mudando conforme se estragam.
Mas gestores que têm enfermarias sem ar condicionado ou casas mortuárias sem câmaras para todos (e podíamos aqui falar dos tanatórios e as suas vantagens morais e sanitárias), duvido que venham a solucionar os problemas de base do SNS.
Eu não digo que as ideias que aqui exponho sejam perfeitas ou que funcionem muito bem. Mas funcionam melhor.
Interessante o blog como sempre. Só é pena não contar com os seus comentários no meu.
Até amanhã
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De Sofia Loureiro dos Santos a 26.07.2009 às 11:27

A informatização não muda mentalidades nem constrói centros de saúde. A informatização é um meio para que a comunicação, os procedimentos e os recursos sejam mais ágeis e bem geridos. Em nenhuma reforma se esperam mudanças de mentalidade porque essas demoram décadas!

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