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Ponto/Contraponto

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.06.09

 

Tenho andado sempre atrasada em relação ao que se vai passando, mergulhada que estou no trabalho. Mas hoje vi o tão esperado programa de Pacheco Pereira porque ele no-lo proporciona no seu blogue.

 

É um programa de opinião, da opinião dele, como frisa logo de início.

 

Começa por dedicar o programa a Vitorino Nemésio, porque no tempo de Vitorino Nemésio se dava mais importância às palavras e às conversas do que ao espectáculo, transparecendo sempre o gosto de Vitorino Nemésio por connosco conversar.

 

Não me lembro muito bem como era na altura, mas já vi algumas repetições de fragmentos do mítico Se bem me lembro e não se percebe rigorosamente nada do que Vitorino Nemésio diz.

 

Mas percebeu-se muito bem o que Pacheco Pereira disse a propósito da informação e do que significa informarmo-nos, e ainda melhor o que insinuou.

 

Começou por se lamentar e avisar os incautos da escassa liberdade que existe, a encolher todos os dias; referiu-se a um artigo laudatório sobre o novo porta-voz do PS, classificando-o de má informação; folheou os suplementos do Correio da Manhã para concluir que o suplemento do emprego mostrava um enorme desemprego e o estado do país, que o suplemento fiscal (?) era o espelho da hipoteca dos cidadãos e do estado em que estava o país, e que o suplemento dos serviços sexuais era extraordináriamente grande.

 

Depois deu um exemplo de mau jornalismo a propósito de uma peça no Público sobre as datas das eleições, porque usava a palavra tabu, e um exemplo de bom jornalismo a um artigo do Jornal de Negócios sobre o "negócio" da PT, deixando os leitores muito bem informados sobre quem mandava.

 

Terminou aconselhando um livro (mesmo não ganhando nada com isso) do João Gonçalves, esse mesmo, lendo um texto em que, para variar, o autor dizia mal de Sócrates.

 

Enfim, um programa televisivo de propaganda mal disfarçada e de pouca qualidade. Que saudades do "Vírus", na Rádio Clube Português.

 

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publicado às 23:46


6 comentários

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De Fernando Frazao a 30.06.2009 às 10:59

Bom dia

De acordo com o seu post com uma ressalva apenas.
Essa de não se perceber o que o Vitorino Nemésio dizia, só por não ter "ouvisto" com atenção.
Quanto ao JPP dedicar o programa ao supracitado só por falta de vergonha.A única semelhança entre os dois programas e os dois personagens é que a de terem ambos programas na televisão.
E já agora parafraseando o JPP "quem nasceu p'ra lagartixa...
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De A.Teixeira a 30.06.2009 às 22:24

Suponho que a ressalva do comentário acabe por o estragar.

Atribuir a responsabilidade de não perceber o que Vitorino Nemésio dizia naqueles programas aos espectadores só mesmo por pedantismo...

Ainda recentemente na RTP Memória, passaram alguns dos programas finais, de 1974, para dissipar dúvidas...

Abstraindo o conteúdo, Vitorino Nemésio falava com um ritmo irregular, com uma modulação vocal continuamente oscilante e, pior, com um sotaque carregadíssimo.

É pena que nao existam episódios de "Se Bem Me Lembro..." disponíveis em DVD porque retiraria grande prazer em convidar o comentador Fernando Frazão a "ensinar-me" na prática, decifrando o que Nemésio dizia, como se deveria ouvir o programa com atenção...
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De Fernando Frazao a 04.07.2009 às 18:35

Caro A. Teixeira
Continuam bem presentes nas minhas memórias da adolescencia e dos meus vinte anos alguns momentos televisivos que resistiram ao passar de mais trinta/quarenta anos. As Noites de Teatro e de Cinema, os sábados com o imorescindível Bonanza juntam-se aos concertos para Jovens do L. Bernstein,dos momentos de poesia do Vilaret e, claro, do Se bem me Lembro.
O Pro. Vitorino Nemésio era um Homem encantador que, na verdade, tinha as caracteristicas que lhe atribui, embora não concorde com o "acento carregadissimo" (já alguma vez foi a Rabo de Peixe?) . Curiosamente todas as suas observações apontam defeitos de forma e não de conteúdo.
Acrescento até que hesitava e gaguejava no discurso, voltava atrás, encadeava histórias que muitas vezes não acabava e, no entanto, encantava e subjugava com a sua autoridade d'O Mais Velho (no sentido tribal do termo).
É por ter esta opinião que achei ligeiro e injusto o comentário da Sofia, e cito " ...não se percebe rigorosamente nada do que Vitorino Nemésio diz."
A minha consideração pela autora do blog levou-me a afirmar que tal opinião teria sido formada por, e cito "...não ter "ouvisto" com atenção." o que pode acontecer a qualquer um.
O comentário que eu fiz levou-o a considerar-me pedante o que o (des)qualifica de mal-educado e eu não converso (e muito menos "ensino") com gente dessa.
Passe bem.

PS:Este meu comentário ao seu comentário tem apenas lugar pela consideração que tenho pela Sofia


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De A.Teixeira a 04.07.2009 às 22:47

Pena que tenha dado a conversa por terminada.

Do seu lado afirma que não se perceber o que o Vitorino Nemésio dizia na TV, “só por não ter "ouvisto" com atenção”, e acha-se que esta frase, que “até” foi proferida tomando em “consideração” a destinatária, é uma frase neutra.

Do meu lado, afirmo que escrever a frase anterior, que tem uma redacção muito mais forte do que uma mera opinião, “só” mesmo por pedantismo, mas, pelos vistos, aqui já entramos no domínio da má-educação…

Gostaria de conhecer o manual de etiqueta que sugira que se possam dar lições – sejam elas sobre como ouvir Vitorino Nemésio com atenção ou outras – a alguém que não as tenha pedido.

E, claro, o desafio para que me “traduza” um “Se bem me lembro…”, se o programa saír em DVD, continua de pé...
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De lino a 30.06.2009 às 19:12

Mas o Pacheco deve ter-se esquecido de dizer que o artigo do Jornal de Negócios dizia cobras e lagartos da ideia da PT porque a Cofina, detentora do título, é parte interessada na TVI.
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De paulo santiago a 30.06.2009 às 22:36

gostei daquela do"dinamite cerebral"mas atendendo
que o JPP(ex-ML)é um tipo em contínua evolução,
teremos,muito em breve,o C-4 a substituir o
antiquado explosivo inventado pelo Nobel...
aquele João Gonçalves não é um bloguer que foi
convidado pelos euro-deputados pê-esses-dês a dar
umas passeatas por Bruxelas há bem pouco tempo?
Boa Noite

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