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Pra que somar se a gente pode dividir?

por Sofia Loureiro dos Santos, em 18.02.07
Se Vinicius existisse hoje, se calhar não podia existir. Vinicius era o excesso, a necessidade de viver, de amar, de paixão, do pranto, do canto, do carinho, da mulher, da dor, da bebida, do cigarro, de rir, de procurar, de esbanjar, de querer.

Vinicius era tudo o que hoje não se pode ser, porque agora a nossa imaginação e criatividade têm objectivos, deveres e haveres, contabilidade, água de rosas e desodorizante, dentes brilhantes e preservativos, viagra e lençóis de seda, limites de velocidade, limites de desejos e de prazer, limites para o sofrimento, limites.

O filme Vinicius, de Miguel Faria Júnior, transpira ternura e respeito, abraços e lágrimas que crescem, música, divina e tão terrena, transpira negros e ritmos que nos fazem dançar por dentro.

Para guardar do lado esquerdo do peito.

Como dizia o poeta

Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não

Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer

Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão

(Vinicius de Moraes / Toquinho)

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publicado às 17:44


5 comentários

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De impaciente a 24.02.2007 às 23:13

O DVD foi-me apresentado hoje, pelo meu fiho mais velho, habituado a ouvir Vinícius desde a infância.
É uma maravilha! Vai fazer parte da minha colecção, logo que consiga passar por um local de venda.
Tudo o que se possa dizer é insuficiente: Vinícius estava acima de pormenores e, como diz Chico Buarque, já não poderia viver “neste” mundo...
Creio que é o maior elogio que se lhe pode fazer!
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De anafonso a 19.02.2007 às 22:00

Hoje gostei muito do que vi.
Vinicius aquece o coração. Também vou comprar o DVD para os dias mais frios.
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De Sofia Loureiro dos Santos a 19.02.2007 às 17:02

J.F.: todo esse “cd” do Milton Nascimento (“Sentinela”, com Mercedes Sosa) é fantástico! Obrigada por também se lembrar! Esses foram anos de ouro da MPB e eu tive muita sorte por ter conhecido pessoas que me ensinaram a ouvir e a amar todos esses grandes artistas. No “youtube” consegui encontrar uma versão cantada pela Elis Regina (outra ENORME artista): http://www.youtube.com/watch?v=KOoToaPhMaQ

Cristina: tens razão, é uma delícia de ouvir e de ler. Mas muitos diminuíram a sua qualidade enquanto poeta por ter preferido, ao longo da sua vida, compor versos para canções populares.
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De J.F a 18.02.2007 às 23:21

E porque não continuar com o resto do poema(aqui aflorado por um dos seus versos), "Canção da América" de Milton Nascimento, que Vinicius também tanto adorava?

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de 7 chaves,
Dentro do coração,
assim falava a canção que na América ouvi,
mas quem cantava chorou ao ver o seu amigo partir,
mas quem ficou, no pensamento voou,
o seu canto que o outro lembrou
E quem voou no pensamento ficou,
uma lembrança que o outro cantou.
Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito,
mesmo que o tempo e a distância digam não,
mesmo esquecendo a canção.
O que importa é ouvir a voz que vem do coração.
Seja o que vier,venha o que vier
Qualquer dia amigo eu volto pra te encontrar
Qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar.

... que pode ser relembrado aqui com a sua música:
www.luamusical.mus.br/milton_nascimento_cancao_da_america.mid

Parabéns pela lembrança...
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De Cristina Loureiro dos Santos a 18.02.2007 às 19:48

Ah... Ele era mesmo muito bom! Vinicius canta o amor, a ternura, a beleza, a alegria de uma forma tão particular...
É uma delícia de ouvir e ler...

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