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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Sistema de Justiça

 

Deve ser da ventania que faz voar a roupa das cordas, que faz abanar as janelas e bater as portas com violência. Sinto o dia desconfortável, cinzento e enervante, em que a impotência e a revolta se misturam.

 

Estamos todos entretidos com os casos mediáticos, com os media, divertimo-nos a comentar a liberdade de expressão, o mau jornalismo, a vigarice dos políticos, as eventuais pressões sobre magistrados, os investimentos públicos cujos pareceres técnicos vão mudando ao sabor de quem está, respectivamente, no governo ou na oposição, as compras de árbitros, as manipulações das estatísticas, etc.

 

Mas a verdade que me assusta é a percepção cada vez mais real da total ausência de um estado de direito. Os tribunais, os advogados, a polícia, os investigadores, parecem ser uma amálgama de gente sem definição nem valores, pertencentes a instituições decorativas e manietadas por todos, desde jornalistas, comentadores e governantes, a apaniguados partidários, enquanto o anónimo cidadão pede a todos os deuses existentes e inexistentes que o livre de, um dia, precisar deste sistema de justiça.