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Cada um cumpre o destino que lhe cumpre. / E deseja o destino que deseja; / Nem cumpre o que deseja, / Nem deseja o que cumpre. [Ricardo Reis]
O PS escolheu Vital Moreira para cabeça de lista das eleições para o Parlamento Europeu. Vital Moreira era um defensor do Tratado Constitucional Europeu, é um defensor do Tratado de Lisboa e foi também um defensor da quebra da promessa do referendo ao mesmo Tratado, justificando que não concordava com referendos a tratados internacionais e, inclusivamente, que este tratado em concreto era incompreensível.
Não me espanta a escolha de Sócrates mas, para mim, é uma escolha que vai reduzir a votação no PS nas eleições europeias. O que é uma pena e também faz aumentar o receio de desagregação da União Europeia (EU).
Porque, ao contrário do que me parece indispensável, que é o aprofundamento da união económica, o esforço para a democratização da EU com uma maior participação dos cidadãos e dos países nas decisões colectivas, reforçando os poderes do Parlamento Europeu, mantendo a equidade para todos os países, grandes ou pequenos, este tipo de atitudes, de directórios decisórios, de textos, alianças e tratados não compreensíveis para os cidadãos, como que legitimando uma vanguarda esclarecida de visionários europeus, pode conduzir a uma desconfiança e a uma resposta contrárias da parte dos comuns eleitores.
Tal como Maria João Rodrigues afirma, numa entrevista ao Público (pág.5), é necessário que se trave (…) o proteccionismo nacional, que seria uma catástrofe porque destruiria o mercado interno e a união monetária, só temos uma saída, que é uma resposta a nível europeu para proteger os interesses das empresas e dos cidadãos europeus (...). Em termos de actuação concreta, Maria João Rodrigues adianta (…) decidir que se vai expandir a despesa pública para estimular o crescimento da economia (…). De forma clara e colectiva (…); outra medida concreta, justificada pelas margens diferentes que os países têm para implementar os seus programas de estímulo económico, pois ao aumentarem o défice e a dívida o fazem com taxas de juro muito elevadas (…) lançar um instrumento que ainda não existe e que são os eurobonds (títulos de dívida europeus) (…).
Maria João Rodrigues chama ainda a atenção para o facto de ser do interesse da Alemanha optar pela solidariedade pois, se o não fizer (…) vai ficar rodeada por regiões em depressão que vão puxar a economia alemã ainda mais para baixo. (…) E mais (…) É preciso estabelecer uma regra mínima segundo a qual se um governo apoia empresas localizadas no seu país, vai ter de apoiar as suas filiais onde quer que elas se encontrem. (…).
Esta deveria ser uma época de respeito por tudo o que possa aumentar as tensões centrífugas na EU. A forma como o Tratado de Lisboa tem sido empurrado para ser engolido de qualquer maneira pelos estados-membros, não augura nada de bom.
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