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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Boomerang

 

A forma que certas pessoas têm de desvalorizar os partidos e os congressos partidários na luta política não é mais do que desvalorizar a democracia representativa.

 

Tal como Salazar, casado com a Pátria e pondo o seu destino acima de qualquer coisa, tal como Cavaco Silva que fala dos interesses nacionais tratando os partidos como excrescências inúteis e perigosas, Manuela Ferreira Leite brandiu a arma da ausência de Sócrates numa reunião informal da EU, onde se fará representar por um Ministro de Estado, acusando-o de preferir ir a uma festa partidária.

 

Claro que o facto de haver 3 eleições em Portugal este ano, de o PS ser o maior partido português e de os congressos partidários servirem para eleger o líder e as moções políticas que serão, mais tarde, propostas ao eleitorado, não tem importância nenhuma.

 

Se há debate político ou não no dito congresso é da responsabilidade dos militantes do próprio partido e principalmente de quem se tem mostrado crítico às orientações de José Sócrates. A esses se devem pedir a apresentação de alternativas, que critiquem, no local de eleição, tudo o que consideram errado na política seguida até agora. Por exemplo, onde está Manuel Alegre e as suas críticas às políticas de direita deste governo e deste PS?

 

A unanimidade dos seguidores do líder, o não se questionarem orientações e soluções diferentes é muito empobrecedor para o país, ainda por cima numa época em que todos os contributos são indispensáveis, aí sim por um imperativo nacional. Mas para uns, o aplauso constante e acrítico poderá assegurar-lhes um lugar nas listas, um pelouro nas autarquias, seja ele real ou fictício. Para outros é muito mais fácil falar e ter atitudes de insubmissão partidária do que assumir as diferenças e confrontá-las com as teses da situação.

 

Também são interessantes as vozes que, triunfantemente, manifestam o seu regozijo pelo tratamento político que Sócrates deu ao caso Freeport, na abertura do congresso, dizendo que foi ele e só ele que transformou esse caso num assunto político. É uma enorme falácia e uma enorme hipocrisia. Este caso de justiça foi transformado em caso político por todos os políticos e por todos os comentadores. Ou já se esqueceram que todos acentuaram e dramatizaram o epíteto de assunto de estado que lhe deu o Presidente da República?

 

Sócrates está a transformá-lo em arma de arremesso, pela vitimização constante. Eu não gosto, acho mesmo detestável, até porque a demagogia que lhe está subjacente é óbvia. Mas Sócrates está apenas a aproveitar o que a oposição começou.

 

Nota: o Tomás Vasques faz uma leitura semelhante.
 

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