Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Esclarecimentos encrespados

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.01.09

Depois de tantos comentários ao meu post anterior a defenderem Pedro da Silva Pereira na entrevista com Mário Crespo, suspeitei que me podia ter escapado alguma coisa.

 

Como gosto de me considerar uma criatura aberta às opiniões alheias e que não gosta de se sentir a cometer injustiças, além do preconceito que tenho contra o mesmo Mário Crespo (que fala duma forma enroladíssima, usando palavra esdrúxulas e desajustadas, que não pergunta, antes afirma, se conseguirmos compreender o que diz) e Pedro da Silva Pereira (que fala com um tom monocórdio e assume sempre um ar didáctico e de superioridade moral bastas vezes irritante), resolvi ouvir de novo a entrevista.

 

Realmente os comentadores têm razão. A entrevista não se destinava a esclarecer coisa nenhuma. O objectivo de Mário Crespo era (pelo menos disfarçou muito bem) entalar o Primeiro-Ministro e, na passada, abalroar Pedro da Silva Pereira.

 

Mário Crespo foi duro, como lhe compete, inquisidor, como lhe compete, defendendo uma posição, como não lhe compete, mostrando sem margem para a sua dúvida e a sua avalizada opinião que Sócrates recebeu luvas para autorizar o empreendimento Freeport.

 


De facto Pedro da Silva Pereira não lhe facilitou a vida pois desmontou uma por uma as várias teorias e certezas que têm sido veiculadas pela comunicação social. E Mário Crespo não conseguiu desmenti-lo em nada. A única vez em que o desarranjou foi quando perguntou se o ambiente daquele governo era propício à corrupção.

 

Embora agora compreenda o desalinho de Pedro da Silva Pereira, penso que fez mal em não ter mantido o mesmo registo (parafraseando Mário Crespo) nem a excelência dos argumentos (continuando a citar Mário Crespo). Mais uma vez o tom de ofensa soou a exagero e, por isso, contraproducente. Por muito insultuosa que fosse a pergunta ele deveria ter respondido, não se pondo de parte, como que a sentir nojo daquele assunto. A corrupção existe nas várias áreas de actividade política, económica e social e, independentemente das atoardas de Mário Crespo (agora cito Pedro da Silva Pereira), tantos tios, primos e primas parecem-me família a mais, para mal dos pecados de Sócrates. Ficaria melhor e mais genuíno que lhe respondesse que o ambiente talvez seja mais propício à corrupção no jornalismo, ou coisa semelhante.

 

Portanto aqui ficam as minhas desculpas públicas a Pedro da Silva Pereira, que foi claro e cilindrou Mário Crespo, com excepção daquela nota dissonante.

 

Mas continuo a não perceber como é que se aprovam empreendimentos deste tipo em governos de gestão. A explicação de Pedro da Silva Pereira não me satisfez. Não é ético nem sensato.

 

Espero ter respondido cabalmente aos comentários que muito agradeço (a excelência dos conteúdos…).

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:35


18 comentários

Sem imagem de perfil

De António P. a 28.01.2009 às 23:57

Boa noite Sofia,
Chapeau |
Pena que políticos e muitosoutros que tem responsabilidades jornalisticas ( jornalistas e comentadores ) não façam o mesmo :
- revejam o que foi dito
- e corrijam a análise.

Sobre a questão dos governos de gestão :
- será que é um acto admistrativo de gestão corrente decidir um empreendimento que já vem de anos , com duas revisões e que na fase final é só retirar um hotel e um parque de estacionamneto ( a dar como boa a versão do ministto ) ?
Sem conhecre os detalhes direi : porque não ?
Cumprimentos
Sem imagem de perfil

De mdsol a 29.01.2009 às 00:21

Até me comoveu...não com as palavras mas com a sua atitude!

[E. também ontem assisti de novo à entrevista... e também reforcei a ideia de que o MC esteve mal]

:))
Sem imagem de perfil

De Quintanilha a 29.01.2009 às 09:03

Durão Barroso inaugurou!

Está acima de qualquer suspeita. Afinal é gente séria!
Sem imagem de perfil

De Ernestina a 29.01.2009 às 12:01

Foi um gesto de grande carácter escrever este esclarecimento. Não há nada de mais honesto e civilizado do que dizer "enganei-me" ou "não sei", principalmente num país onde a ignorância atrevida anda à solta e de braço dado com a irresponsabilidade.
E afirmar depois de analisar é mesmo o bom método.
Devo-lhe, Sofia, momentos de excelente música e textos escritos em bom português. Por isso o seu blog está muito bem na lista dos meus favoritos .
Sem imagem de perfil

De A. Moura Pinto a 29.01.2009 às 12:56

“Mas continuo a não perceber como é que se aprovam empreendimentos deste tipo em governos de gestão. A explicação de Pedro da Silva Pereira não me satisfez. Não é ético nem sensato.”

Mas qual é a questão?

Temos um processo em fase de aprovação. Anteriormente chumbado duas vezes. Aos promotores são exigidas preceitos a satisfazer, como condição para a sua aprovação.
Foram ou não satisfeitos tais preceitos?

Se foram, sendo a provação um mero acto administrativo, como não aprovar, mesmo que por um governo em gestão?

Por outro lado, tendo em conta a morosidade da aprovação destes projectos, atenta a facilidade com que entre nós se enredam em burocracias por vezes exageradas, como pedir aos promotores que aguentem mais uns meses, para que outro aprove o que estava em condições de ser aprovado?

Admitamos que se tratava de empreendimento que facilmente se pode deslocalizar e que os seus promotores decidiam sair porta fora porque não estavam para suportar mais. Nessa altura, que se diria sobre quem recusou a aprovação com o pretexto de se estar em gestão?

Já agora: se um governo em gestão não é para gerir, é para quê?

Sem imagem de perfil

De Valupi a 29.01.2009 às 15:12

Parabéns, Sofia. Excelente atestado de honestidade intelectual e carácter.
Sem imagem de perfil

De Zé dos Reis a 29.01.2009 às 17:15

A Sofia já fazia um licor de café magnífico e uma compota de abóbora deliciosa (de Alcaíns? o meu avô era de lá) que embora eu nunca tenha provado, a avaliar pela qualidade moral da autora do blog não haverá melhor.
O que eu quero dizer com este arrazoado é que a Sofia é um exemplo. Dos bons.
Parabens e obrigado.
Sem imagem de perfil

De lino a 29.01.2009 às 18:56

Como este tipo de entrevistas é sempre a horas impróprias para mim, não disse nada lá em baixo. Mas não posso deixar passar sem uma enorme felicitação aquilo que escreve nesta posta. Quanto ao governo estar em gestão e face à lei existente, concordo com o comentador A. Moura Pinto.
Sem imagem de perfil

De Exsocialista a 29.01.2009 às 20:51

Está no seu direito de mudar ou não de opinião, mas acho estranho a razão porque o fez? Por causa dos comentadores? Mais estranho é sua desculpa -
Portanto aqui ficam as minhas desculpas públicas a Pedro da Silva Pereira, que foi claro - porquê, acha que o Ministro lê o Blog ou porque o conhece?
Está a ironizar ou não? -que muito agradeço (a excelência dos conteúdos…).
Confesso que estou baralhado nem carne nem peixe

Imagem de perfil

De Sofia Loureiro dos Santos a 29.01.2009 às 22:04

Exsocialista , a razão porque mudei de opinião foi exactamente aquela que disse. Considera-me tonta? Sou-o muitas vezes. Quando leio o que os outros dizem tento perceber o porquê. E a minha primeira apreciação da entrevista foi ensombrada pela falta e atenção ? / preconceito contra entrevistador e entrevistado ?
Não faço ideia se o ministro lê ou não o meu blogue. Mas penso que se a minha opinião mudou, e tendo eu sido pouco simpática para ele, merece as minhas desculpas. Ele ou qualquer outra pessoa.
Sem imagem de perfil

De Exsocialista a 29.01.2009 às 21:32

Resolvi ouvir também a entrevista outra vez. Mário Crespo foi acutilante e o Ministro enervou-se, sobretudo na parte final.
Logo no inicio diz o Ministro "A forma como sintetizou esses espisódios pareceu-me muito imprecisos", aqui quis menorizar logo a posição do Jornalista.
Acusou o Jornalista e cito
"Mário Crespo lançou (atoardas)aos quatros ventos"
Termina o Jornalista com "Foi um prazer" responde o Ministro "Foi uma obrigação". Se foi uma obrigação não aparecesse.Estão a perder o controle dos midia. Os midia não são O SNI do antigo regime

Comentar post


Pág. 1/2



Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2017
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2016
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2015
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2014
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2013
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2012
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2011
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2010
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2009
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2008
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2007
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2006
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D
  248. 2005
  249. J
  250. F
  251. M
  252. A
  253. M
  254. J
  255. J
  256. A
  257. S
  258. O
  259. N
  260. D

Maria Sofia Magalhães

prosas biblicas 1.jpg

À venda na livraria Ler Devagar



caminho dos ossos.jpg

 

ciclo da pedra.jpg

 À venda na Edita-me e na Wook

 

da sombra que somos.jpg

À venda na Derva Editores e na Wook

 

a luz que se esconde.jpg