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Educação e cidadania

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.11.08

A questão da educação não é um assunto apenas e só dos professores, é um assunto de todos os cidadãos que pagam impostos, é uma questão de cidadania.

 

Muitos de nós já fomos alunos na escola pública e agora somos pais de crianças e jovens que frequentam a escola pública. Muitos de nós participámos em associações de pais, em reuniões de turma, conversamos com os directores de turma, tivemos reuniões com professores e alunos, lemos testes e comprámos manuais escolares, e vamos ouvindo o que os nossos próprios filhos dizem, assistindo ao que amigos e conhecidos que exercem a profissão, contam.

 

A escola não é um espaço à parte da sociedade, deverá sempre estar inserido na sociedade. Por outro lado, a credibilização da função docente deverá sempre ser uma prioridade de uma política de educação.

 

O primeiro passo para que haja credibilização da profissão de professor, é que ela seja uma profissão autónoma, é que a ela só possam aceder pessoas com formação específica, com conhecimentos científicos e pedagógicos para a exercerem. É ainda dever do estado escolher de entre aqueles que querem exercer a profissão de professor na escola pública, os mais capazes.

 

Não conheço qualquer carreira profissional, com excepção da de professor, em que não haja vários graus a que as pessoas concorrem por concurso, prestando provas curriculares ou outras, e em que sejam seriados por classificações dadas pelos seus pares. Não conheço qualquer carreira profissional, com a excepção da dos professores, em que os profissionais mais experientes e mais diferenciados não exerçam funções de maior responsabilidade e de orientação dos menos diferenciados e dos mais novos. Não conheço nenhuma carreira profissional em que a formação contínua, a aprendizagem e o progresso científico não sejam valorizados aquando dos concursos para acederem aos diversos graus de carreira. Não conheço nenhuma carreira profissional, com excepção da dos professores, em que todos os profissionais atingiam o último grau da carreira.

 

O estatuto da carreira docente estabelece uma diferenciação entre professor e professor titular. Li na caixa de comentário de um blogue que essa distinção era artificial porque os professores faziam todos o mesmo, que era ensinar.

 

Não é essa a experiência que tenho pelas escolas por onde passei nos diferentes estádios que fui assumindo. Nas escolas há aqueles que, para além de fazerem a função para que foram contratados, têm vontade de fazer outras coisas, têm iniciativa, gostam de promover actividades, têm atitudes proactivas dentro da organização, ajudam e integram os mais novos, substituem os mais velhos quando necessário, etc. Normalmente também são os que melhor ensinam, assim reconhecidos por alunos e pais.

 

O que se tenta agora, com a implementação de uma avaliação de desempenho, é precisamente distinguir os que se esforçam dos que fazem menos que os mínimos. Também li na mesma caixa de comentários que a avaliação do desempenho e as quotas não melhorarão a qualidade da escola, apenas reduzirão as despesas com a educação. Deve ser a única profissão a que isso se aplica. E gostava de ver os professores tentarem explicar aos seus alunos essa teoria.

 

Ainda bem que José Sócrates assumiu o problema do Ministério da Educação como um problema de todo o governo. Porque a qualidade da escola pública deve ser uma prioridade absoluta de um governo que se diz socialista. A devolução da dignidade a uma profissão que a não tem, pela exigência de um estatuto de uma carreira que esteja alicerçada no mérito é um passo de gigante nesse sentido. A avaliação de desempenho é apenas uma medida de justiça, indispensável de implementar em toda a Função Pública.

 

Já agora, também me parece que ter opiniões sobre saúde, justiça, defesa, literatura, filosofia, aborto, legislação laboral, liberdade e democracia, eleições portuguesas e norte americanas, União Europeia, Tratado de Lisboa, etc, é obrigação de qualquer ser que use o cérebro para pensar.

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publicado às 22:44


40 comentários

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De Dino a 30.11.2008 às 02:20

Um discurso recheado de retórica e demagogia, de falsos argumentos e de falsas verdades
A questão da educação deve ser debatida por quem a vive por dentro não por treinadores de bancada. Essa do pagar impostos também me levaria a outro lado, que não cumpre com o seu código deontológico prescrito na Ordem dos Médicos (está lá tudo clarinho que nem água) e também é um assunto de todos os cidadãos que pagam impostos, é uma questão de cidadania.
É que isto de ter muitos telhados de vidro…

Esta experiência de suposto saber feito “Muitos de nós já fomos alunos na escola pública” e depois estamos a falar da Escola de hoje.
A maior parte dos Pais infelizmente dissociam-se da Escola, esta transformou-se mais um depósito de crianças, mas depois apresenta as breves viagens à Escola como se isso fosse o suficiente para percepcionar sequer os problemas da Escola Pública.
Eu também vejo muitos Jogos de Futebol e não treino equipas, o absurdo chega aqui “omprámos manuais escolares”
Mais parece o “Canto da Sereia”

Depois vem novamente um conjunto de frases feitas em estilo de propaganda política com uns versos pelo meio para ver se a mensagem passa, mais lembra o PREC:

credibilização da função docente deverá sempre ser uma prioridade de uma política de educação.

Que a ela só possam aceder pessoas com formação específica, com conhecimentos científicos e pedagógicos para a exercerem. – Ninguém acede de outra forma, grande novidade

É ainda dever do estado escolher de entre aqueles que querem exercer a profissão de professor na escola pública, os mais capazes. – Esta dos mais capazes foi muito infeliz, lembra muito a a sobrevivência do mais apto, palavras que há muito não as ouvia

Não conheço Ora aí está uma grande verdade é que não conhece mesmo , olhe eu conheço a sua dada pelos seus pares

os profissionais mais experientes e mais diferenciados não exerçam funções de maior responsabilidade e de orientação dos menos diferenciados e dos mais novos. - Mais uma mentira, a verdade é que são precisamente os mais experientes que exerçam funções de maior responsabilidade

a formação contínua, a aprendizagem e o progresso científico não sejam valorizados aquando dos concursos para acederem aos diversos graus de carreira.- Mais uma mentira é falso
Eu também vejo jogos de futebol e não é isso que me torna qualificado a treinar


“a avaliação do desempenho e as quotas não melhorarão a qualidade da escola apenas reduzirão as despesas com a educação” – Só duvida de quem quer tentar passar uma mensagem adulterada e mandar recados para ver se passam

“Ainda bem que José Sócrates assumiu o problema do Ministério da Educação como um problema de todo o governo. “– Essa é boa. Eu gostava de ver O Primeiro-ministro explicar a sua licenciatura e a forma como foi avaliado
Lá vem as frases de ordem a velha maneira Gonçalvista:

qualidade da escola pública deve ser uma prioridade absoluta de um governo que se diz socialista.

Já agora, também me parece que ter opiniões é obrigação de qualquer ser que use o cérebro para pensar.- Não é uma obrigação, é um direito emitir opiniões mas não de pretender ser a voz do povo, isso já é outra questão…
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De escrevinhadora a 30.11.2008 às 11:37

É curioso: li as primeiras e as últimas linhas deste comentário e concluo que o autor não pratica o que preconiza... A raiva cega-o, colega.
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De Dino a 30.11.2008 às 12:25

O autor pratica o que preconiza, essa pretensa identificação como Professora é que não lhe fica bem, não sofro de raiva ou ódio, sei é que estou indignado com alguns comentários políticos
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De Dino a 30.11.2008 às 02:23

Adenda:
olhe eu conheço o tipo de avaliação que é dada pelos seus pares (os Médicos são avaliados por outros Médicos toda a gente sabe disso)
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De Dino a 30.11.2008 às 02:25

Errata
Onde se lê : que não cumpre com o seu código
Deve ler-se : quem não cumpre com o seu código

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De FG a 30.11.2008 às 11:24

Excelente post.
Coloca "as questões" da Escola/Professores na perspectiva da comunidade e não da classe profissional.
Parabéns.
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De Dino a 30.11.2008 às 12:32

"Coloca "as questões" da Escola/Professores na perspectiva da comunidade e não da classe profissional. " É a voz abalizada da experiência a medicina reverteu para segundo plano? Ou o ódio visceral pelos docentes deste País é tão grande? Ou o Partido assim manda?
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De Quintanilha a 30.11.2008 às 13:17

E que tal as pessoas que, como eu através dos seus impostos sustentam a máquina do Estado, que paga aos professores, poderem também ser ouvidos sobre o que se passa nas escolas?
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De Dino a 30.11.2008 às 13:56

E que tal as pessoas que, como eu através dos seus impostos sustentam a máquina do Estado, que lhe paga o seu vencimento poderem também ser ouvidos sobre o que se passa no seu emprego, em que trabalha meu caro?
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De Maria a 30.11.2008 às 17:26

Excelente post o da autora do blog.

Caro Dino, tanta raiva, tanto azedume, tanta irracionalidade mostram o quê?

Sou professora há 29 anos. Não me revejo nas ondas de ódio que pairam no ciberespaço e não só... Nem aceito a coacção que se vive em muitas escolas sobre "quem ousa" estar de acordo com as mudanças.

Que tal o exercício da tolerância, e de outros valores fundamentais?

(Já agora informo que não sou do PS)
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De Dino a 30.11.2008 às 18:18

Qual raiva e azedume? Irracionalidade? Só pode estar a brincar
Não, não é Professora, para quê esse artíficio para ver se convence quem?
Já toda a gente sabe que alguns pseudomilitantes do PS foram encarregados pelo chefe de utilizarem a desinformação para ver se tristemente ganham alguns Professores para a linha da arrogância do Ministério de Educação, que trabalhinho mais patético
A tolerância não habita na 24 de Julho

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De Dino a 30.11.2008 às 18:21

Os Docentes estão unidos e atentos a manobras de desinformação porque são pessoas conscientes,integras e amantes do seu trabalho, ao contrário de um governo prepotente que quer destruir a Escoal Pública (sempre ficava mais barato)
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De carlos Melo a 30.11.2008 às 18:49

Aplaudo as palavras que escreveu. Como pai e encarregado de educação revejo-me no texto. Sócrates deve avançar. Prova que é um Estadista. Se fosse eleitoralista fazia a vontade a todos e dava-lhe mais benesses. O PS vai ter pela primeira vez o meu voto se Sócrates se recandidatar. Pena que os Ministros não sejam como Sócrates!
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De Pai atento a 30.11.2008 às 18:51

o Dino,

É professor? Não é pois não..é que se for fico preocupado.
Pai atento
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De Dino a 30.11.2008 às 19:08

Sou Pai e já conheço o seu nome de outros festivais , alerto que esta pessoa é um militante destinado à desinformação
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De Fernanda a 30.11.2008 às 19:05

Parabéns pelo texto. Subscrevo. Precisamos de uma Escola Pública melhor!

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