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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Educação e cidadania

A questão da educação não é um assunto apenas e só dos professores, é um assunto de todos os cidadãos que pagam impostos, é uma questão de cidadania.

 

Muitos de nós já fomos alunos na escola pública e agora somos pais de crianças e jovens que frequentam a escola pública. Muitos de nós participámos em associações de pais, em reuniões de turma, conversamos com os directores de turma, tivemos reuniões com professores e alunos, lemos testes e comprámos manuais escolares, e vamos ouvindo o que os nossos próprios filhos dizem, assistindo ao que amigos e conhecidos que exercem a profissão, contam.

 

A escola não é um espaço à parte da sociedade, deverá sempre estar inserido na sociedade. Por outro lado, a credibilização da função docente deverá sempre ser uma prioridade de uma política de educação.

 

O primeiro passo para que haja credibilização da profissão de professor, é que ela seja uma profissão autónoma, é que a ela só possam aceder pessoas com formação específica, com conhecimentos científicos e pedagógicos para a exercerem. É ainda dever do estado escolher de entre aqueles que querem exercer a profissão de professor na escola pública, os mais capazes.

 

Não conheço qualquer carreira profissional, com excepção da de professor, em que não haja vários graus a que as pessoas concorrem por concurso, prestando provas curriculares ou outras, e em que sejam seriados por classificações dadas pelos seus pares. Não conheço qualquer carreira profissional, com a excepção da dos professores, em que os profissionais mais experientes e mais diferenciados não exerçam funções de maior responsabilidade e de orientação dos menos diferenciados e dos mais novos. Não conheço nenhuma carreira profissional em que a formação contínua, a aprendizagem e o progresso científico não sejam valorizados aquando dos concursos para acederem aos diversos graus de carreira. Não conheço nenhuma carreira profissional, com excepção da dos professores, em que todos os profissionais atingiam o último grau da carreira.

 

O estatuto da carreira docente estabelece uma diferenciação entre professor e professor titular. Li na caixa de comentário de um blogue que essa distinção era artificial porque os professores faziam todos o mesmo, que era ensinar.

 

Não é essa a experiência que tenho pelas escolas por onde passei nos diferentes estádios que fui assumindo. Nas escolas há aqueles que, para além de fazerem a função para que foram contratados, têm vontade de fazer outras coisas, têm iniciativa, gostam de promover actividades, têm atitudes proactivas dentro da organização, ajudam e integram os mais novos, substituem os mais velhos quando necessário, etc. Normalmente também são os que melhor ensinam, assim reconhecidos por alunos e pais.

 

O que se tenta agora, com a implementação de uma avaliação de desempenho, é precisamente distinguir os que se esforçam dos que fazem menos que os mínimos. Também li na mesma caixa de comentários que a avaliação do desempenho e as quotas não melhorarão a qualidade da escola, apenas reduzirão as despesas com a educação. Deve ser a única profissão a que isso se aplica. E gostava de ver os professores tentarem explicar aos seus alunos essa teoria.

 

Ainda bem que José Sócrates assumiu o problema do Ministério da Educação como um problema de todo o governo. Porque a qualidade da escola pública deve ser uma prioridade absoluta de um governo que se diz socialista. A devolução da dignidade a uma profissão que a não tem, pela exigência de um estatuto de uma carreira que esteja alicerçada no mérito é um passo de gigante nesse sentido. A avaliação de desempenho é apenas uma medida de justiça, indispensável de implementar em toda a Função Pública.

 

Já agora, também me parece que ter opiniões sobre saúde, justiça, defesa, literatura, filosofia, aborto, legislação laboral, liberdade e democracia, eleições portuguesas e norte americanas, União Europeia, Tratado de Lisboa, etc, é obrigação de qualquer ser que use o cérebro para pensar.

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