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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Manipulações

Todos falam de crispação social e de instabilidade, de aumento da crise e do fosso entre ricos e pobres, assistindo-se, nos últimos dias, a declarações do Presidente da República, de Mário Soares, de Paulo Portas, de Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite e de Manuel Alegre (que decidiu que era no PCP e no BE que haveria força para responder a esses desafios) que, pelo que se propagandeia na comunicação social, estão a piorar.

 

Mas ao contrário do que se está a fazer passar aos cidadãos a situação não está a piorar mas sim a melhorar, pouco, pouco, mas a melhorar. E isto não significa que o problema não seja enorme e que se não devam procurar outras e melhores formas de distribuir a riqueza, de apoiar os sectores em maior risco, de investir, como está agora no programa de todos os partidos políticos, mas pelos vistos só agora, em políticas sociais.

 

Trata-se apenas de desmontar o alarmismo e a crispação que se estão a criar. Apesar de haver relatórios e estatísticas que os desmintam, nada faz desistir quem apostou em defender o catastrofismo instalado.

 

A luta política está já noutros campos. Neste momento os grandes actores das agendas políticas são os jornalistas. Não é de agora, nem é nenhuma surpresa, mas é cada vez mais avassalador e assustador.

 

Gostaria de saber exactamente quais as soluções que Manuel Alegre preconiza para melhorar as políticas sociais e para reduzir as desigualdades. O quê, de que forma, que políticas, mas isso no concreto e explicando como e quais as consequências. Talvez se o partido apoiasse os ministros verdadeiramente reformadores, como os da Educação e da Saúde (que saiu), por exemplo, talvez houvesse lugar a reformar aquilo que de essencial há nas funções assistenciais do Estado. Ou será que se está a preparar a hipótese de ausência de maioria absoluta (do PS) nas próximas eleições alisando o terreno para uma coligação à esquerda?

 

Ideias e idealismo não existem. Existe a lógica da repartição de lugares por quem tem estado afastado do poder. E essa lógica está a condicionar os partidos à direita mas principalmente dentro do próprio PS, mesmo daqueles que, ao longo do tempo, têm lutado pela abertura da intervenção política à sociedade civil.

2 comentários

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    Transdisciplinar 31.05.2008 18:07

    Concordo com a distinção que estabelece entre a sua maneira de entender a sociedade civil e a maneira como Manuel Alegre e a maior parte das pessoas a entende. De resto, os autores que se debruçaram sobre a questão não são todos da mesma opinião. Assim sem pensar muito (e pondo de parte o quase um século que os separa), Gramsci e Boaventura de Sousa Santos não falam exactamente do mesmo ao usarem a mesma expressão. Para si, se bem a entendo, tudo o que não é Estado é sociedade civil. Para outros (e nunca discuti isto com o Manuel Alegre, de modo que não sei se é esta a posição dele), a linha divisória passa entre o Estado mais os partidos com assento parlamentar, que são parcialmente financiados pelo próprio Estado e são dotados de estruturas (aparelhos) fortemente institucionalizados e o resto da sociedade (incluindo sindicatos e outros movimentos sociais).
    Para mim, que sou adepto (sem pretender abolir os partidos, como é óbvio) de uma democracia fortemente participativa, directa tanto quanto possível, de novos movimentos sociais, eventualmente efémeros, em suma de tudo o que envolva o empenhamento dos cidadãos, já está a ver por onde passa a minha linha divisória.
    Desculpe a extensão, mas citando já não sei bem quem, não tive tempo para fazer mais curto (o cansaço também não ajudou).
    Disponha sempre.
    :))
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