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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Educação precisa-se

O manancial de demagogia resultante do caso Carolina-Michaelis é avassalador.

Após décadas de governação social-democrata e socialista, em que o problema da indisciplina, de desautorização dos professores e da escola, de falta de avaliação de todo o tipo de componentes, desde a adequação dos curricula à competência profissional dos docentes, à desresponsabilização dos encarregados de educação e dos alunos, despertaram subitamente as consciências.

Repentinamente ressuscitam os defensores da disciplina férrea, chegando-se ao cúmulo de transformar estes casos de indisciplina e má educação em casos de polícia, retirando mais uma vez protagonismo, responsabilidade e autoridade à escola, com intervenções do Procurador Geral da República e, pasme-se, do Presidente da República, e provavelmente pressões várias que levaram a que a Professora, que nem sequer tinha apresentado queixa ao Conselho Directivo, a apresentar queixa ao Ministério Público.

Outros procuram argumentos que desculpabilizem os alunos, falando da democratização do ensino, do problema social das famílias, das dificuldades em educar nas nossas sociedades modernizadas e globalizadas, descobrindo que a Professora teria autorizado o uso de telemóveis, como se isso, por muito errado que seja, justifique a atitude dos alunos.

Mudar os alunos de escola e ter repórteres à espera que eles recomecem na nova escola, espreitar o momento em que a Professora regresse às aulas, fazendo da propaganda, da mediatização, da humilhação pública, um espectáculo degradante, não me parece que ajude a resolver o problema.

O aproveitamento político do assunto, com a troca de acusações entre o PSD e o PS sobre o Estatuto do Aluno, a alegada campanha de descredibilização dos Professores, a ligação ao Estatuto da Carreira Docente, às manifestações e à avaliação do desempenho dos Professores é absolutamente ridícula.

Todos somos cúmplices desta situação, por acção ou por omissão. Talvez repensar a forma como lidamos com os nossos filhos, como os superprotegemos e compramos, como os desresponsabilizamos e nos desresponsabilizamos da sua formação e educação seja o passo mais urgente e importante. Será que o percebemos?

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