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Bom senso precisa-se (1)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 26.03.08

Não há fome que não dê em fartura.

 

A preocupação do Procurador Geral da República em relação à violência nas escolas parece-me legítima mas um tanto ou quanto exagerada. A decisão de tratar a aluna como uma criminosa e levá-la a Tribunal de Menores é muitíssimo exagerada e, até, um pouco absurda.

 

Este tipo de situações deveria ser resolvido dentro da escola, pelos Professores, Conselho Directivo, Encarregados de Educação, etc. Até porque os outros alunos também devem ser castigados , e a atitude de filmar e editar no YouTube também é altamente reprovável. Levam-se todos a tribunal?

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publicado às 22:03


4 comentários

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De mariadosol a 26.03.2008 às 23:26

Também me espanta tudo isto. Parece que, de repente acordou tudo estremunhado com o que se passa nas escolas. Mas, só acorda estremunhado quem dorme profundamente... O meu receio é que desatem a fazer coisas precipitadas, desajustadas e que não resolvem os problemas de fundo. Colocar este episódio grave na PGR parece-me exagerado em termos relativos e absolutos...
o episódio do Carolina, quanto a mim, é muito importante porque, além da gravidade do que se passou, é revelador das circunstâncias difíceis que todos os protagonistas estão a passar... a não ser assim o caso poderia, sem qualquer banalização, ser tido como um caso de histeria de uma aluna e de falta de presença pedagógica, digamos assim, da professora, o que gerou um espectáculo "curtido" levianamente por adolescentes em grupo. O problema é que todos sentimos que este episódio revela algo grave muito profundo assente em camadas de equívocos sobre equívocos...
Estamos num "entrementes" difícil ...entre o pós-moderno e futuro. E é neste contexto de crise que as soluções têm de ser procuradas... não me venham com o antes, seja o antes um antes de antigamente seja um antes mais recente. DE FACTO OS PROBLEMAS SÃO NOVOS, NÃO PODEM SER PENSADOS COM CABEÇAS VELHAS.
E poupem-me aos v chavões do eduquês recauchutado... Mas alguma vez aquele episódio se inscreve no famigerado bullying? Sabe, estou cansada de Pedagogentos e Pedagogentas...É necessário voltar à Pedagogia que tem como conceito centrar o conceito de formação e necessita, dado o alargamento do sistema, de uma profissionalização cada vez maior do professor...
(chega a ser confrangedor ouvir alguns a falar...)
O pai das ESES devia andar com insónias e os teóricos do eduquês andam tão calados que o silêncio até faz doer a cabeça...
(desculpe o relatório alargado....)
:)


:)
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De Zé da Burra o Alentejano a 27.03.2008 às 10:16

A violência existe nas escolas porque falta a autoridade e o castigo que seria devido por mau comportamento, indisciplina e até mesmo delinquência.

Os castigos físicos são hoje todos condenáveis, mas, por vezes, são os únicos que têm algum efeito e são muito úteis até certa idade. Os castigos físicos que defendo são: umas palmadas no rabo ou na mão ou umas reguadas e só até aos 10, 12 anos de idade.

Mas a partir das idades que referi os jovens já não deverão nem poderão ser utilizados aqueles castigos nas escolas, pelo que esses jovens deverão ser encaminhados para "Casas de Correcção" ou lá como lhes queiram chamar (era assim no passado e poderá voltar a ser no futuro). Estes estabelecimentos devem incutir aos jovens aí internados as regras morais de conduta e hábitos de trabalho; estar autorizados a castigar os desvios que mesmo aí venham a ocorrer, fazendo sentir aos jovens aí internados que estão a cumprir um castigo: Poderá ser normal o levantarem-se e deitarem-se a uma hora certa e tratarem eles próprios das suas necessidades pessoais, como fazerem a cama e tratarem das suas roupas. É claro que as actividades escolares e de preparação para uma vida profissional seriam também incluídas. As actividades de lazer devem ser permitidas só em dias definidos, mas podendo ser canceladas em caso de castigo.

Como não se pode aplicar quaisquer castigos físicos, porque no mínimo provocam traumas psicológicos, na falta de outros castigos eficazes, resta a impunidade que serve de incentivo para que cresçam estes comportamentos anormais, nas escolas e fora delas. Eu, no meu tempo de escola fui castigado algumas vezes, mas nunca por mau comportamento, com algumas reguadas e não fiquei traumatizado por isso, nem conheço quem tenha ficado. Pelo contrário, acho que aqueles castigos eram úteis, pois levaram-me a fazer os “trabalhos de casa”, que, de outra forma, ficariam sempre esquecidos pela brincadeira com os outros rapazes.

Que castigos deverão ser aplicados aos alunos? Ficam de castigo numa sala escura? Há o risco de ser considerado violência psicológica. Além disso, quando os visados se aperceberem de que nada lhes acontece se recusarem o castigo é isso mesmo que vão fazer: recusam o castigo. E depois? São multados? Quem paga as multas? Pagam-nas os alunos ou os pais? E se não pagarem? E se não tiverem meios para isso? Qual é o castigo alternativo? Ficam impunes? Expulsam-se da sala de aula ou da escola? Não serve de nada, apenas se transfere o problema para o exterior da sala de aula ou da escola. Esses jovens irão dar azo à sua liberdade doentia noutro lugar.

Mas os castigos físicos são condenados pelas nações ocidentais, pela EU e pelo nosso país. Assim, as mudanças terão que ocorrer primeiro nas principais nações (EUA, UK, França..), que a seu tempo se aperceberão da necessidade da sua reposição. Portugal, nisto, como noutras matérias seguirá atrás. Os pais irão então aceitar e compreender a necessidade até para a protecção dos seus próprios filhos, que são as primeiras vítimas dos poucos jovens com procedimentos anormais.

A maioria das crianças e jovens não é delinquente e pode ser corrigida de qualquer desvio através de uma simples conversa, mas basta um "rebelde" para boicotar uma aula e para arrastar consigo outros mais pacatos que não levantariam qualquer problema. Os colegas mais humildes são as primeiras vítimas e a escola não tem hoje maneira de as proteger.

Se nada mudar, continuaremos, sem o saber, a criar pequenos “selvagens” que nunca se habituarão a cumprir regras sociais, que serão uns inúteis e que viverão sempre à custa do trabalho alheio, porque é mais fácil.

Há quem diga que tudo se resolve se os pais derem educação aos filhos. Pergunto: e quando os próprios pais não a têm, como podem ministrá-la aos filhos?

Zé da Burra o Alentejano

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De jrd a 28.03.2008 às 13:50

Todos, incluindo os fabricantes e os operadores de de telemóveis.
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De Sofia Loureiro dos Santos a 28.03.2008 às 21:49

Obrigada a todos pelos comentários .
Não concordo com castigos físicos, sejam eles quais forem, nem concordo com casas de correcção. Concordo com a responsabilização dos alunos e com serviços de apoio à comunidade, escolar e outra, para alunos que prejudiquem a própria comunidade escolar. Concordo com a responsabilização dos pais, pois devem ser eles a educar os filhos e a sentir como sua responsabilidade a falta de educação dos filhos. Concordo com a responsabilização dos professores e com o reforço da autoridade das escolas e dos professores. A exigência tem que ser a vários níveis, começando pela da competência e dedicação dos professores.

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