Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Eu voto SIM

Começou a campanha pró e contra a despenalização da IVG e já começaram a surgir os argumentos pouco edificantes.

Se a campanha se radicaliza, com os defensores dos movimentos contraditórios a usarem a culpabilização, a chantagem e a humilhação psicológicas, com provas de vida e de morte, com a contabilidade da ignorância, esgrimindo falácias, como enquadramentos sociais que já não existem, paternalismos bacocos ou protestos de ajuda e compreensão sociais totalmente oportunistas e hipócritas, o único resultado vai ser uma enorme abstenção.

Até porque é muito mais fácil ter dúvidas que opinar, deixando a decisão nas mãos de fundamentalistas de um ou de outro lado.

A pergunta que vai ser referendada, com vista à alteração da legislação, não pretende convencer ninguém de que a IVG é um método anticonceptivo. Apenas pretende despenalizar quem o faz, dentro dos limites que hoje se consideram aceitáveis (segundo o conhecimento científico actual do desenvolvimento fetal).

A concepção filosófica do que é a vida, de quando se inicia e de quando termina, não é universal. As convicções pessoais, ditadas pela personalidade, educação, enquadramento religioso e cultural de cada indivíduo permanecem inalteráveis, seja qual for a legislação que cada país adopte. Mas não devem ser as convicções de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos que devem resultar em leis que se aplicarão a múltiplos grupos e indivíduos com formações, personalidades e crenças diversas.

Para além disso o problema da IVG ilegal e clandestina é um problema de saúde pública, como está demonstrado por inúmeros estudos e por diversas organizações.

As dúvidas quanto à implementação da IVG em segurança, utilizando os serviços de saúde, públicos ou outros, também não são originais e já foram objecto de documentos e de orientações da Organização Mundial de Saúde.

Cada um deve proceder como acredita que está certo, respeitando os seus valores e os dos outros. Para isso é indispensável pensar e repensar, falar e discutir, respeitar e tolerar a diferença de opiniões e votar no dia 11 de Fevereiro.

Eu votarei SIM.

2 comentários

Comentar artigo