Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Anacronismos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 30.10.06
Há dias em que o optimismo é um exercício totalmente impossível.

Continuamos a ouvir manifestações contra as aulas de substituição (medida que alguns professores boicotam ao “entreter” alunos com jogos e outras inutilidades, em vez de desenvolverem o tão falado trabalho educativo), promessas de luta a medidas que pretendem colocar os professores nas escolas, o seu local de trabalho, em tempo de férias lectivas (Natal, Carnaval, Páscoa e Verão), para desenvolverem trabalho que não seja apenas o de leccionar.

Ouvimos clamar contra o novo estatuto da carreira docente, pela impossibilidade de todos os professores, maus, bons ou assim-assim, chegarem ao topo da carreira e pela necessidade (oh, horror!) de avaliações para progressão.

A Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública convocou uma greve de 2 dias porque (...) O Governo não pode continuar a atacar impunemente as condições de vida e de trabalho e a dignidade dos trabalhadores, para favorecer os grandes grupos económico-financeiros! (…) Para que isto assim seja, o Governo PS/Sócrates tem que tirar poder de compra aos trabalhadores e aos reformados, tem de acabar com direitos sociais, degradar a Segurança Social e os Serviços Públicos e entregar as partes rentáveis ao grande capital, tal como exigiu a irmandade do Compromisso do Beato, em propostas que a CGTP não hesitou em classificar de terroristas. (…) Os objectivos nefastos do Governo manifestam-se em todas as áreas da Administração Pública (…) Na Justiça, com um ataque aos Tribunais e às independência das Magistraturas e dificultando, quando não impossibilitando, a acesso à justiça aos mais desfavorecidos; (…) Nas Autarquias Locais, com a limitação ou a retirada de autonomia do poder local democrático.(...) (destaques meus).

Os sindicatos, ao contrário do que é a sua obrigação, transformam num ridículo absoluto as verdadeiras e justificadas apreensões de quem trabalha.

Não é deste sindicalismo que necessitamos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:55


2 comentários

Sem imagem de perfil

De Sofia Loureiro dos Santos a 02.11.2006 às 17:20

Ricardo Morgado (99): obrigada pelos seus comentários.
O primeiro problema relativamente ao que os professores pensam das aulas de substituição (ou de qualquer outro assunto) é que só sabemos o que os sindicatos (14!!) dizem que os professores pensam e que, sinceramente, não posso acreditar que seja o que a enorme maioria dos professores pensam. É esse o problema que foco relativamente ao sindicalismo, na área da educação e em todas as outras, o problema da representatividade efectiva das estruturas sindicais e o mal que estas podem estar a fazer aos seus (poucos) associados.
Relativamente às aulas de substituição, cada escola deveria saber encontrar formas de ocupar os alunos em actividades de estudo, de trabalho, em bibliotecas, em clubes, etc, nas vezes em que (e deveriam ser muito raras), o professor faltasse e não tivesse tido oportunidade, como diz que acontece na Suécia, de arranjar substituto.
Quanto às férias escolares e pausas lectivas, o facto de não haver aulas não implica que os professores não tenham trabalho, na escola, para fazer. Não entendo a "luta" anunciada quando o ministério diz que pretende que os professores compareçam na escola durante as férias escolares. Se é isso que se passa, os professores deveriam, serenamente, fazer notar que o ministério estava a ser populista. Mas estará?
Sem imagem de perfil

De ricardomorgado99 a 01.11.2006 às 11:44

Parece-me que há uma grd confusão na opinião pública no que à posição dos professores em relação às aulas de substituição diz respeito. Os professores consideram que, das duas umas, ou as aulas de substituição são consideradas aulas sérias, dotadas de um suporte teórico (plano de aula)e, consequentemente, pagas devidamente, ou serão, como até agora têm sido, aulas em que o principal objectivo é evitar que os alunos andem pelo recreio da escola a conversar. Neste último caso é mt mais lógico contratar animadores socio-culturais para tomar conta dos meninos.
Encontro-me neste momento na Suécia, onde desempenho as funções de assistente de língua portugesa e alemã. Uma das mts diferenças q cá encontrei (e nem todas são positivas) foi a obrigação moral, muito mais d q profissional, do professor, necessitanto de faltar, procurar antecipadamente um colega disponível para o substituir. Este procedimento é habitual por estas bandas. O professor que vai substituir o colega não ganha mais por isso, mas tem naquele colega um "substituto" para quando precisar.
No entanto, convém realçar que, caso nao haja nenhum professor disponível, os alunos ficam sem aula, sem que isso leve a qualquer drama.
um abraço

PS: um dos argumentos mais populistas usados contra os professores é o das férias e das pausas... Por considerar que tal argumentação alberga dentro de si uma ignorância atroz, permito-me apenas dizer que nesta semana (semana 44) não há aulas em toda a Suécia...

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2006
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2005
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D

Maria Sofia Magalhães

prosas biblicas 1.jpg

À venda na livraria Ler Devagar



caminho dos ossos.jpg

 

ciclo da pedra.jpg

 À venda na Edita-me e na Wook

 

da sombra que somos.jpg

À venda na Derva Editores e na Wook

 

a luz que se esconde.jpg