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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Bolor

Temos uma democracia com eleições e votos, com jornais e televisões, com blogues e manifestações. Temos uma democracia em que nos refastelamos nas queixas, no lacrimejo, no lamento de ser deste país. Temos uma democracia que nos deleita e nos consome, que os chega e nos falta, por não sabermos bem o que temos e o que queremos. Temos uma democracia diminuta como pequena e pouco ambiciosa é a alma lusitana. Não para grandes feitos, não para grandes palavras, não para grandes gestos, mas para o que faz do dia a dia uma sociedade militante e vigilante da liberdade, um país onde se goste de viver. Temos uma democracia com chefes que são amigos e compadres, de compadrios e vizinhanças, piscares de olhos e palmadas nas costas. Temos uma democracia que diz que disse mas não diz, que volta a cabeça e murmura sem nunca falar alto, de olhos no chão e sorriso matreiro.

Temos uma democracia suspeita, sufocada, um mal-estar feito de névoa e de fumo, de silêncios cúmplices e de ruído de fundo, sem medo mas com receio e cuidado, pé atrás e insegurança, falta de honra e honestidade.

Falta encher os cantos com claridade, deitar fora restos bafientos e bolorentos, falta vontade de agir, todos, sempre, todos os dias.

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