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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Passear


Desde a senhora gordíssima que conduzia o táxi que me trouxe do aeroporto ao hotel, passando pela empregada do café junto ao convento, onde me inclino perante os cientistas e a ciência, as pessoas com quem me cruzo na rua e a quem pergunto direcções e opiniões, até ao generoso empregado do restaurante que, desta vez, me recomendou uma especialidade da casa e da região, trazendo-me, inchado e orgulhoso, metade de um frango panado mal frito, sem qualquer acompanhamento, só encontrei uma senhora antipática, magra, tipo espinafre, azeda que nem vinagre, repetindo exactamente as mesmas palavras incompreensíveis depois de eu lhe ter dito, o mais delicadamente possível, que não falava a sua língua. Parecia um computador com voz grasnante.

Ainda por cima eu estava totalmente descomposta, cheia de sacos, o casaco pendurado na pasta pesadíssima (com papéis, resumos de comunicações e mapas), totalmente alagada depois de duas horas a pé, à torreira do sol.

Sim: ontem chovia e hoje, na televisão do quarto, consegui descortinar que estavam nove graus (às 8:00h). Portanto, apesar de transpirar por todos os poros devido à temperatura climatizada, armei-me de casaco, chapéu e guarda-chuva dentro da pasta, para além de um lenço à volta do pescoço. Depois do pequeno-almoço, e perante um céu imaculadamente azul, decidi que era melhor desistir do peso do guarda-chuva e do lenço do pescoço.

É claro que a meio do caminho (meia hora até ao dito convento) já eu resmungava pelo casaco, pela carteira, pela pasta, enfim, pelo calor que já estava àquela hora da manhã.

No convento estava uma temperatura agradável e, apesar das cadeiras desconfortáveis (deve ser para os ouvintes não adormecerem) e do esforço para entender o inglês dos palestrantes, foi uma manhã e uma tarde interessantes e proveitosas.

No fim do programa cumprido, cheia de novidades e projectos futuros, decidi conhecer mais um pouco da cidade andando pelas ruas, hoje bastante animadas (ontem era feriado), entrando nas lojas, olhando, ouvindo, cheirando as flores nas ruas. Perdi-me por diversas vezes o que só aumentou a canseira e o calor com que me arrastava. Mas valeu a pena. É uma cidade muito simpática. Fico com vontade de voltar.

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