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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Há dias...


Há dias em que é difícil olhar para nós, portugueses, e para o nosso país, Portugal, sem sentir um nó de tristeza, de cansaço e de revolta, depois da esperança que tentamos renovar diariamente, depois da mudança ensaiada em 25 de Abril, tantas vezes adiada por aqueles que prometem ciclicamente cumpri-la.

Quase no aniversário do 25 de Novembro, militares na rua, a “manifestarem-se”, polícias a darem “conferências de imprensa” mascarados de terroristas, inaceitável numa sociedade que se diz democrática; políticos e bons pensadores, bons condutores de pensamentos da alma lusa, a discorrerem sobre a falta de necessidade de financiamento das Forças Armadas, sobre a inutilidade da tropa em tempo de democracia. Democracia essa que, não se cansam de nos lembrar, não é devida aos militares, porque a tão interessante e corajosa sociedade civil esteve amordaçada e trancada durante os longos 40 anos do fascismo.

Hoje ouço na TSF que um dos presumíveis autores do alegado crime de Camarate confessou, numa entrevista que sairá amanhã, na Focus, ter de facto feito deflagrar uma bomba a bordo do avião onde seguiam, entre outros, Sá Carneiro e Amaro da Costa, à data primeiro-ministro e ministro da defesa de Portugal, respectivamente. Vinte e seis anos, milhares de páginas, declarações, opiniões, comissões parlamentares e de peritos, após ter sido confirmada em Maio deste ano, pelo Supremo Tribunal de Justiça, a prescrição do “caso Camarate”, alguém tem a audácia de proclamar ter cometido um crime.

Seja verdade ou mentira o que mais dói é o facto de ninguém acreditar em tudo o que entretanto foi feito para “apurar” a verdade, ou mesmo no dito José Esteves. Ou, o que é mais grave, cada um acredita no que quer porque não há forma de saber o que, de facto, aconteceu. Qual é a garantia, enquanto cidadãos, de sermos protegidos pelo sistema judicial? Qual é a garantia de separação entre o poder político e o poder judicial?

Não sei como se sentem os deputados, nacionais e regionais, que se insultam mutuamente nas discussões parlamentares, que representam esta tragicomédia de apoio e de oposição ao governo, que nomeiam e desnomeiam comissões de inquérito e comissões científicas, gastando o dinheiro dos contribuintes em relatórios, para se queixarem mais tarde do dinheiro que gastaram, e para novamente pedirem estudos, como o que se está a pedir agora, mais um estudo de impacto ambiental, para arrancar com a coincineração em Souselas.

Que fizemos nós, em 30 anos de democracia?

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