Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Manuel Alegre - ser ou não ser deputado

Um movimento de cidadãos que se propõe abordar e discutir temas da nossa sociedade, com vontade e capacidade de intervir publicamente, sem ambições de poder partidário, parece sempre uma boa ideia.

A sociedade portuguesa tem um défice (mais um!) de debate. Quem gosta de dar a sua opinião é imediatamente catalogado dentro do espectro partidário, e nunca pensa o que diz por ter cabeça para pensar, mas porque pertence, ou quer pertencer, a um clube ou família política.

É de mau gosto falar de política. É de bom tom dizer que “eles são todos iguais”, “são todos uns corruptos”, “o que eles querem é poleiro”, “só se querem encher”.

No rescaldo das presidenciais, os apoiantes (e será que os votantes?) de Manuel Alegre querem aproveitar o embalo e ir mais além. Tudo o que for no sentido de abrir a sociedade à participação cívica dos cidadãos tem o meu apoio e, eventualmente, a minha participação.

Outro assunto é o abandono, por Manuel Alegre, do seu lugar de deputado. Manuel Alegre é um dos fundadores do PS. São necessárias personalidades que, do interior do PS, lutem pela alteração de práticas e remodelem a lógica “aparelhística”. Os movimentos de cidadãos são autónomos e estão fora do combate político partidário, não são concorrentes nem competem com os partidos, têm outros objectivos e outros planos.

Os partidos são indispensáveis à democracia. É preciso lutar pelo poder e exercê-lo. Manuel Alegre deve continuar a ser deputado do PS, independentemente dos movimentos de cidadãos que liderar. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.