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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Sopro

Um dia já não estarei
neste corpo enxovalhado,
capa seca e estaladiça
desta alma quebradiça.

Nesse dia guardarei
cada nervo desmaiado,
nesta caixa esvaziada
pela morte desabitada.

Um dia já não serei.
O molde em massa desfeito
num pó fino e rarefeito,
acaso no espaço soprado.

(desenho de Mário Cesariny: a primeira lição)