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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Toque a reunir (II)

Não deixa de ser interessante a forma como o Diário de Notícias trata as mesmas notícias. O que, para o Público é realçado, no DN é dito prazenteira e maciamente, com uma ternura e uma ligeireza, que nos deixa a pensar que o relatório tem uns pequeníssimos reparos a fazer ao ministério. Segundo o Público, quase que se adivinha um pedido de demissão do ministro!

Relativamente ao combate às listas de espera para cirurgias, começa por ser hilariante a designação dos programas: PECLEC e SIGIC. Confesso que já soube o que significavam as siglas mas já me esqueci. Antes de mais, as listas de espera cirúrgicas são irrelevantes. O que é obrigatório contabilizar é o tempo de espera para cada tipo de cirurgia. Além disso, para que as listas de espera sejam reais, tem que haver um registo centralizado de doentes à espera de cirurgia, sendo descarregados os que, entretanto, vão sendo operados, no serviço nacional de saúde ou nos serviços privados, e os que não querem (ou não podem) ser operados.

Nunca percebi bem a filosofia que justificava o pagamento, pelo estado, aos funcionários, do estado, para fazerem, no estado, aquilo que não havia condições de conseguir, no estado. Ou seja, hospitais com um número de cirurgiões específico que não conseguem operar todos os seus doentes, em tempo útil, vão receber dinheiro por operar esses mesmos doentes, nesses mesmos hospitais, nos mesmos blocos operatórios, apenas em horas extra.

Se há horas de bloco não utilizadas, talvez a solução seja rentabilizar os blocos com os cirurgiões, anestesistas, enfermeiros, rentabilizando os recursos humanos (trabalho por turnos, por exemplo). Talvez não fosse má ideia comparar a produtividade nas horas em que se operam SIGIC com a produtividade nas horas normais, para o mesmo tipo de cirurgia, bem entendido.

É como o extraordinário caso do pagamento de horas extraordinárias: um médico A vai fazer horas extraordinárias ao serviço B do hospital B, por vezes pagas a preço de ouro, porque esse hospital B não paga horas a mais aos seus próprios funcionários. Por outro lado, o médico B do serviço B do Hospital B vai fazer horas extraordinárias ao serviço A do Hospital A onde o médico A trabalha, pelo mesmíssimo motivo!

Tudo isto é muito extraordinário, e um exemplo de como NÃO se devem gerir os parcos recursos existentes.

Sou total e completamente a favor da exclusividade para os funcionários de um hospital, que devem trabalhar lá todo o dia, rentabilizando os serviços e os blocos, aumentando a produtividade, o número de cirurgias, etc.

Falarmos todos com um ar sério e preocupado do serviço nacional de saúde, da “diabolização” das profissões liberais, dos doentes, coitados, do preço dos medicamentos, que horror, produzirmos relatórios e cartas abertas, soa a hipocrisia e a cinismo. Há problemas para resolver que não são irresolúveis, mesmo que muitos o queiram fazer parecer!