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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Comissões

Já muito se disse e escreveu sobre a comissão do Parlamento Europeu que está a investigar o eventual transporte ilegal de prisioneiros de guerra, em voos que terão cruzado espaço aéreo comunitário.

A luta contra o terrorismo não justifica tudo e não é muito crível que os estados membros da UE, tendo acordos com os EUA, por exemplo no âmbito da NATO, tenham registado ou questionado os ditos voos. E até porque, deixemo-nos de hipocrisias, seriam operações de que os mesmos estados membros, caso suspeitassem de ilegalidades, prefeririam com certeza nem ter delas conhecimento. Esta é a crua realidade e os protestos de inocência por parte dos países, assim como a procura das acusações exemplares, por parte da comissão, são encenações de um drama pouco convincente.

Mas a verdade é que existe uma comissão de investigação, cujo objectivo é… investigar! Os deputados europeus que integram essa comissão representam os cidadãos europeus e não um partido ou um governo de um determinado país. Concorde-se ou não com a histeria e a forma demasiado arrebatada de Ana Gomes discutir o problema, não se conseguem perceber as acusações de dama ofendida do Ministro da Defesa, que não justificou a discrepância entre os números de voos fornecidos oficialmente e os números que constam de uma lista a que Ana Gomes teve acesso. Ainda menos se percebem as posições de cavaleiro defensor da dama ofendida assumidas por José Lello, que só conseguiu cobrir-se de ridículo e levantar suspeitas de que, de facto, os números oficiais não são credíveis.

Portugal não está habituado a que comissões de investigação façam o que lhes compete. Pior para Portugal, para o governo e para o grupo de indefectíveis do PS, que têm uma coluna vertebral bastante flexível.

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