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Somos democracia

por Sofia Loureiro dos Santos, em 15.02.26

Apesar de André Ventura ter apelado desesperadamente para o adiamento das eleições presidenciais, com o argumento de “que se lixem as eleições”, Portugal demonstrou que a democracia não é alguma coisa que se possa menorizar. Ns difíceis condições que tanta gente está a sofrer, as eleições decorreram com uma afluência assinalável, em que o esforço e a cidadania de quem votou e de quem ajudou a votar ensinou a este populista que a democracia não se adia.

António José Seguro venceu e venceu bem. Tem uma legitimidade reforçada pelo expressivo número de votos conseguidos. O seu discurso de vitória foi muito bom. Foi apaziguador, assertivo e esperançoso.

Finalmente, este Presidente disse, tal como a sua mulher, aquilo que é óbvio e lógico, mas que uma bafienta mole de gente não aceita: na República Portuguesa é eleito um ou uma Presidente e não um casal presidencial; a Constituição não contempla Primeiras damas, esse epíteto ridículo e reacionário.

Grande satisfação pela declaração de Margarida Maldonado Freitas - "Sou farmacêutica e não primeira-dama" e do Presidente recém-eleito - "Respeitarei sempre aquilo que forem as suas decisões. (...) A minha mulher é uma empresária independente, é uma mulher com vida própria e respeito isso".

O regime democrático foi reafirmado e celebrado da melhor forma possível – elegendo o nosso Presidente.

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publicado às 16:56

Fala do homem nascido

(...) e as forças da Natureza/ nunca ninguém as venceu. (...)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 14.02.26

antonio gedeao fala do homem nascido.jpg

António Gedeão

 

(Chega à boca da cena, e diz:)

Venho da terra assombrada,
do ventre da minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém.
Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui,
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci.

Trago boca para comer
e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.
Com licença! Com licença!
Que a vida é agua a correr.
Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder.

Minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham,
nem forças que me molestem,
correntes que me detenham.
Quero eu e a Natureza,
que a Natureza sou eu,
e as forças da Natureza
nunca ninguém as venceu.

Com licença! Com licença!
Que a barca se faz ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.

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publicado às 10:46

Votar amanhã chama-se Democracia

por Sofia Loureiro dos Santos, em 08.02.26

predidenciais 2026 2volta.png

"Portugueses,

Hoje, como sempre, falo para todos vós.

Mas falo, em especial, para os que perderam familiares e próximos, os que ficaram sem casa ou sem casa com condições para nela viverem, os que perderam culturas agrícolas, lojas, oficinas, fábricas, os que ficaram dias e noites sem água, luz, telefone, os que viram florestas vergarem, os que sofreram e sofrem cheias imprevisíveis, os que desanimaram, tiveram medo, se sentiram isolados, angustiados ou desesperados.

Para essas centenas de milhares, em cidades, vilas, aldeias, lugares, casas perdidas nas serras.

A todos vós e a todos que vos têm dado o que podem e não podem, agradeço a resistência, a coragem, a determinação de não ceder, de não desistir, de não largar um centímetro do que é vosso.

A todos vós agradeço a resposta dada no dia 1, quatro dias apenas depois da calamidade de 28 de janeiro.

A vossa resposta foi votarem. Votarem em massa. E, também, nas áreas devastadas. Também no voto antecipado.

Tal como há cinco anos foi votarem em pandemia, em todo o País, sem vacinas, com hospitais a transbordarem, com mortes a subirem, com contágios a galoparem.

Somos assim há novecentos anos. E por isso somos das Pátrias, das Nações, mais antigas da Europa e do Mundo.

Nascemos para resistirmos e resistirmos até vencermos. Somos um país de lutadores.

Votar amanhã é como votar na pandemia, em estado de emergência, ou, agora, quatro dias depois da tragédia.

Votar amanhã chama-se vencer a calamidade e refazer o nosso futuro.

Votar amanhã chama-se liberdade.

Votar amanhã chama-se Democracia.

Votar amanhã chama-se, acima de tudo, Portugal!"

Mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República

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publicado às 14:12


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