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Cada um cumpre o destino que lhe cumpre. / E deseja o destino que deseja; / Nem cumpre o que deseja, / Nem deseja o que cumpre. [Ricardo Reis]

Esta ideia de silêncio quando ouço pessoas como Lídia Jorge. Uma ideia de serenidade e respeito, de comunhão entre quem não se conhece.
A palavra, as histórias, os contadores de histórias são os nossos oráculos.
Perdemos a capacidade de ouvir, pela cacofonia que criamos. Ouvir alguém que inspira, que fala baixinho, com uma voz doce e segura, mesmo com as inquietações e as dúvidas, porque também tem certezas.
Esta ideia de que vale a pena manter os nossos sentimentos, os nossos pensamentos, e como são indispensáveis estes momentos em que ouvimos e aprendemos.
Alfazema para Lídia Jorge. Sim, totalmente adequado.
"Precisamos da Gronelândia do ponto de vista da segurança nacional, e a Dinamarca não vai conseguir fazê-lo", disse em resposta à pergunta de um repórter, a bordo do Air Force One, a caminho de Washington, depois de mais um fim de semana em Mar-a-lago, estância de luxo na Florida onde acompanhou a invasão do Palácio Presidencial de Miraflores, em Caracas. "Vamos preocupar-nos com a Gronelândia daqui a dois meses... vamos falar da Gronelândia daqui a 20 dias", reforçou, colocando pela primeira vez prazos concretos, ainda que confusos, para avançar contra um território de um país aliado da NATO.
Desde a eleição de Donald Trump que todos os dias são dias de caminhada tresloucada em direção ao abismo.
Não vale a pena convencermo-nos de que, se não o provocarmos, se formos suficientemente subservientes e bajuladores, se continuarmos a tentar encontrar racionalidade onde apenas existe o posso, quero e mando e o mundo é de quem grita mais e violenta mais, estamos a evitar um conflito aberto e armado.
Ele soará quando Trump quiser, ou quando as forças que ele libertou e que saíram por debaixo das pedras o entenderem.
Não desistamos dos valores que distinguem a Humanidade e o Humanismo. A loucura dos ditadores não se apazigua, como bem se viu antes da II Guerra Mundial.
Haja dignidade e solidariedade. No mínimo.

Ouvimos o Presidente Trump, que se ufana de uma operação militar que o mundo não via desde a II Guerra Mundial, que assume que pode vir a tomar conta da Venuzuela, ele, e que as companhias americanas irão tomar conta do petróleo venezuelano.
Isto após ter aparecido uma informação em rodapé de que o mesmo Trump iria avaliar a capacidade de Corina Machado liderar a Venezuela.
Pelos vistos já decidiu.
Sim, desde a II Guerra Mundial que não víamos este nível de loucura.
Botas cardadas.
Adieu l'Émile, je t'aimais bien
Adieu l'Émile, je t'aimais bien tu sais
On a chanté les mêmes vins
On a chanté les mêmes filles
On a chanté les mêmes chagrins
Adieu l'Émile, je vais mourir
C'est dur de mourir au printemps tu sais
Mais j'pars aux fleurs la paix dans l'âme
Car vu qu't'es bon comme du pain blanc
Je sais qu'tu prendras soin d'ma femme
Et j'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse
J'veux qu'on s'amuse comme des fous
J'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse
Quand c'est qu'on m'mettra dans l'trou
Adieu Curé, je t'aimais bien
Adieu Curé, je t'aimais bien tu sais
On n'était pas du même bord
On n'était pas du même chemin
Mais on cherchait le même port
Adieu Curé, je vais mourir
C'est dur de mourir au printemps tu sais
Mais j'pars aux fleurs la paix dans l'âme
Car vu qu't'étais son confident
Je sais qu'tu prendras soin d'ma femme
Et j'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse
J'veux qu'on s'amuse comme des fous
J'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse
Quand c'est qu'on m'mettra dans l'trou
Adieu l'Antoine, j't'aimais pas bien
Adieu l'Antoine j't'aimais pas bien tu sais
J'en crève de crever aujourd'hui
Alors que toi, tu es bien vivant
Et même plus solide que l'ennui
Adieu l'Antoine, je vais mourir
C'est dur de mourir au printemps tu sais
Mais j'pars aux fleurs la paix dans l'âme
Car vu qu't'étais son amant
Je sais qu'tu prendras soin d'ma femme
Et j'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse
J'veux qu'on s'amuse comme des fous
J'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse
Quand c'est qu'on m'mettra dans l'trou
Adieu ma femme je t'aimais bien
Adieu ma femme je t'aimais bien tu sais
Mais je prends l'train pour le Bon Dieu
Je prends le train qu'est avant l'tien
Mais on prend tous le train qu'on peut
Adieu ma femme je vais mourir
C'est dur de mourir au printemps tu sais
Mais j'pars aux fleurs les yeux fermés ma femme
Car vu qu'j'les ai fermés souvent
Je sais qu'tu prendras soin d'mon âme
Et j'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse
J'veux qu'on s'amuse comme des fous
J'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse
Quand c'est qu'on m'mettra dans l'trou

2026: Desejar não basta. É tempo de fazer
Maria Manuel Mota
(…)
Como cientista, acredito profundamente que a ciência nos oferece mais do que respostas técnicas. Oferece-nos um método para viver em sociedade. A ciência ensina-nos a duvidar sem destruir, a discordar sem deslegitimar, a mudar de opinião sem perder dignidade. Ensina-nos que o conhecimento é cumulativo, que nenhuma descoberta surge isolada e que o progresso raramente é imediato e quase sempre é coletivo.
A ciência fundamental, silenciosa e persistente, é talvez o melhor exemplo disso. Durante anos, décadas até, parece não produzir impacto visível. E depois, aparentemente do nada, transforma-se em vacinas, terapias, tecnologias, soluções que mudam vidas. Exigir resultados imediatos da ciência é como exigir frutos a uma árvore acabada de plantar. É desconhecer a natureza do conhecimento.
(…)
A ciência mostra-nos que cooperação supera competição quando o objetivo é comum. Que diversidade de perspetivas melhora decisões. Que sociedades mais justas, mais informadas e mais inclusivas são também mais resilientes.
Que 2026 seja, então, menos o ano das promessas e mais o ano do compromisso. Menos o ano das queixas e mais o ano da construção. Um ano em que escolhamos a racionalidade em vez do ruído, a união em vez da fragmentação e a ação em vez da resignação. A esperança, afinal, não é passiva. Constrói-se.

Quando os portugueses eram o “Bangladesh” para os franceses
José Pacheco Pereira
(…)
Quando os portugueses eram o “Bangladesh” para os franceses convém lembrarmo-nos das centenas de milhares de portugueses que de mala à cabeça atravessaram ilegalmente duas fronteiras para, no nosso exemplo escolhido, a França, chegar aos bidonvilles dos arredores de Paris e trabalhar no duro, principalmente no “batimento”, na construção civil. A inspiração para este artigo foi abrir uma mala, uma valise de carton, que pertence ao espólio de José Carlos Ferreira de Almeida que se encontra no Arquivo Ephemera, um pioneiro do estudo da emigração. Essa mala contém uma das fontes do seu trabalho, muitas centenas de recortes de jornais portugueses, do Algarve a Trás-os-Montes, sobre os anos mais duros da emigração para França, a primeira década dos anos 60.
(…)a exploração dos emigrantes começava em Portugal com os engajadores e prolongava-se em França com as redes de habitação e emprego organizadas por franceses. Que passavam as fronteiras “vestidos com dois pares de calças e camisas”, a roupa que se levava. Que se podia ter como habitação “uma carrinha que é quarto de dormir de 17 pessoas”, que havia uma máfia luso-francesa na exploração das barracas, que a emigração clandestina é um terreno ideal para o crime. Que a situação era pior para as mulheres
(…)Que a vida na emigração era de “sofrimentos, injustiças e andanças várias”, assentes na exploração do trabalho dos portugueses que ganhavam mais em França do que em Portugal, mas muito abaixo dos franceses para o mesmo trabalho, sem regras, nem horários. Que para obterem um documento esperavam sete horas (hoje é pior), tendo de se deslocar centenas de quilómetros, com a polícia francesa à perna. E que os franceses olhavam para os portugueses como os habituais feios, porcos e maus, que, para espanto dos franceses, assavam uma sardinha em papel de jornal, escreve o Jornal do Comércio. O livro de Nuno Rocha publicado em 1965 tem um título que diz tudo: França, A Emigração Dolorosa.
(…)
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