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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Chernobyl


O acidente na central nuclear de Chernobyl, há 20 anos, transformou em medo tudo o que diga respeito à energia nuclear.

Claro que continua a haver armamento nuclear, claro que o poder continua a ser proporcional à possibilidade de construção de armas nucleares. Mas na realidade, há um manto diáfano e obscuro de medo e sensação de assunto intocável quando se fala em energia nuclear.

É óbvio que a ciência evoluiu muito em 20 anos e que não há verdades inamovíveis, é óbvio que as condições das centrais mais modernas são outras, é óbvio que o regime ditatorial que existia na antiga União Soviética impediu que a informação fosse mais veloz e que a ajuda exterior fosse mais eficaz (também no caso do acidente no submarino Kursk, bem mais recente, os mesmos “tiques” se notaram). Bem a propósito vem um artigo assinado por Mikhail Gorbatchov, no "Público" de ontem, em que afirma que o que verdadeiramente fez desmoronar a União Soviética foi a catástrofe de Chernobyl.

Para além de todas as consequências imediatas e de médio prazo a que se assiste, nomeadamente ao enorme aumento de incidência de neoplasias malignas da glândula tiroideia e de outras neoplasias, de patologias da gravidez com hemorragias, descolamento placentar e atraso de crescimento intra-uterino, o que mais assusta é que ainda ninguém sabe como resolver o problema do sarcófago que envolve o reactor, nem quais as consequências a longo prazo, para já não falar do enorme esforço económico sem limite temporal visível.

E parece que a substituição do petróleo pela energia nuclear não resolve minimamente a dependência crescente do petróleo a que o mundo está sujeito, porque não há alternativas para combustível para os meios de transporte.

A opção ou não pela energia nuclear deve ser discutida a sério, sem enfiar a cabeça na areia, e sem perder de vista problemas técnicos ainda irresolúveis, como o lixo nuclear e, mais importante e mais preocupante, como impedir e estancar as consequências de um acidente semelhante ao de Chernobyl, que pode voltar a acontecer.

Infelizmente, em Portugal, o assunto está a ser abordado porque um senhor chamado Patrick Monteiro de Barros quer fazer uma central nuclear! Ainda não ouvi ninguém dizer quanto é que se poupa em divisas, qual a percentagem de energia que poderia ser substituída, qual o preço a que pagaríamos a electricidade, aonde se faria, quais os riscos e quais os planos de contingência na hipótese de um acidente nuclear.

Será que o Patrick Monteiro de Barros sabe responder?

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