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No mar

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.05.24

underwater sculptures.JPG

Jason deCaires Taylor

 

Alargo no peito os abraços do mar

Dissolvo no sal as angústias de ser

Nas ondas da vida o cansaço de dar

Nas dobras do medo o soluço de ver

 

Não tenho do tempo uma agenda guardada

Nem marcas carícias ternuras ou cardos

Aceito do vento essa voz torturada

De ramos e pombos que crio e resguardo

 

Os dias são poucos mas tantos sinais

Na terra nos corpos nas almas distantes

Que faltam que sobram que prendem demais

Gritos solitários de velhos amantes

 

Alargo no peito o cansaço da vida

Dissolvo no tempo o soluço de amar

Nas ondas do mundo já estou de partida

Nas dobras do vento afundo no mar

 

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publicado às 18:17

Bodas de pedra

por Sofia Loureiro dos Santos, em 17.05.24

aneis aventurina.JPG

 

Disseram-me que era de pedra, o nosso amor de aventurina verde.

Disseram-me que tanto se tinha colado que se tinha fundido e petrificado, com alguns escolhos no interior, um verde pintalgado de outras cores, textura pétrea, daquelas que não se quebram.

Assim foi, até agora, e assim acredito que continue. Uma aventurina que se vai continuando, nós a petrificar e a encolher, dando frutos a quem cresce e a quem se forma, papoila, rosa ou jacarandá, ou texturas ainda mais suaves que ainda estão no início da Primavera.

Disseram-me que era de pedra e na macieza das tuas mãos, na quentura da tua presença, eu afinal vou derretendo e espalhando, buscando insistentemente esta aventura de vida, uma aventurina bem esperançosa.

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publicado às 18:18

O novo governo

por Sofia Loureiro dos Santos, em 11.05.24

luis montenegro.jpg

Luís Montenegro

 

Desde a tomada de posse do novo governo, vamos percebendo o estilo.

A demissão da Provedora da Santa Casa da Misericórdia com base em acusações gravíssimas de incompetência e favorecimento próprio, como aconteceu à Dra. Ana Jorge, deve fazer-nos prever o que se vai passar.

A forma como o Ministro das Finanças actual resolve mentir sobre as finanças públicas, para justificar a impossibilidade de cumprir todos os desmandos de promessas feitas em campanha, é vergonhosa e tem consequências.

Isto são só dois exemplos. Não se vislumbra que haja capacidade para evitar eleições rapidamente. E não se vislumbra que o resultado seja melhor, muito pelo contrário.

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publicado às 11:57

Consequências

a judicialização da política

por Sofia Loureiro dos Santos, em 11.05.24

lucilia gago.jpeg

Procuradora-Geral da República

 

A dissolução da Assembleia da República, motivada pela aceitação da demissão de um governo democraticamente eleito, alicerçado numa maioria absoluta, como resultado de uma investigação sobre corrupção ao mais alto nível (Operação Influencer), envolvendo o Primeiro-ministro António Costa, foi arrasada pela decisão do Tribunal da Relação de Lisboa.

Também na Madeira foi decidia a dissolução do Parlamento Regional, também em consequência de um processo judicial de corrupção envolvendo autarcas e empresários, alguns dos quais detidos 21 dias em prisão preventiva.

Não tendo havido, até à data, qualquer desenvolvimento que se entenda justificar as acusações do Ministério Público, a consequência mais imediata foi um verdadeiro golpe de estado judicial.

Até hoje não houve qualquer explicação da Procuradora-Geral da República, apesar de cada vez mais personalidades falarem em erro grosseiro da parte do Ministério Público. Tanto quanto sabemos, todos estes meses passados, António Costa ainda nem sequer foi ouvido no âmbito do processo que vai continuar.

Assistimos a um desmoronar da credibilidade das Instituições, à substituição da vontade popular livremente expressa por decisões judiciais, o que tem consequências óbvias, nomeadamente a instabilidade política instalada e a cada vez mais duvidosa separação de poderes.

É claro que são os populistas que lucram com esta situação. E por isso ouvimos atónitos à acusação de traição à Pátria feita por André Ventura no discurso da cerimónia solene comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril de 1974. E também a uma queixa contra o mesmo Presidente da República, pela mesma acusação, que teve que ser debatida no Parlamento.

Não há pingo de vergonha nestas pessoas. Nada as impede de emporcalhar as Instituições. Cabe-nos a nós percebê-lo e condená-lo.

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publicado às 11:24

Dias de mães

por Sofia Loureiro dos Santos, em 05.05.24

Kaar-Upson_mother's legs.jpg

Kaari Upson

Mother's legs

 

Muitos, todos, nos sonhos e nas velas, no trabalho e no descanso, nas brincadeiras e nos ralhetes, momentos de enorme e profunda felicidade, momentos de abismal e eterna tristeza e solidão.

Mães uns dos outros, a quem sabemos um colo ou uma farpa quando precisamos, em grupos misturados de tecnologia e abraços, de palavras, de sentimentos.

Para todas as mães e pais, que dividem esta condição ampliando-a, que se multiplicam em múltiplos deles próprios para o serem, para o aprenderem, para a incontornável e incomensurável tarefa de ajudar a criar alguém, que saboreiem este como os outros dias que foram e que serão seus.

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publicado às 12:00


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