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Da censura

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.04.19

antonio israel trump.jpg

Censura nos Estados Unidos da América.

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publicado às 22:25

Venham mais cinco

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.04.19

Manuel de Oliveira

 

Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá

 

Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dàquém e Dàlém Mar

 

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

 

A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei

 

A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr'ós filhos da mãe

 

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

 

Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei

 

José Afonso

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publicado às 22:02

Liberdade

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.04.19

25 abril sempre.jpg

 

Nada de palavras objectos ou flores
apenas olhares e sorrisos
o toque do carinho que nos liberta
neste dia igual e único
a que nos aconchegamos devagar
sem nunca nos despedirmos.

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publicado às 14:18

Na Saúde

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.04.19

servico-nacional-de-saude-sns.jpg

Jogam-se as cartas na Saúde - o BE, numa corrida de antecipação, tentando ganhar os louros da decisão, ou seja, votos, apressa-se a rejubilar por ter fechado um acordo com o Governo (ou o PS?) em relação ao fim da continuidade das PPP* para além dos contratos em curso. O PCP não só desmente o BE como deixa entender que ainda está tudo em discussão e que também é protagonista. O governo (ou o PS?) terá sido apanhado de surpresa pela pressa do BE e não gostou, deixando no ar a ideia de que o documento é apenas de trabalho - mas está lá essa hipótese ou não?

 

Entra em jogo o Presidente, ou alguém por ele, ou o centro político por ele, ou as empresas privadas de saúde por ele (ou por nós?), escapando para a opinião pública um prometido veto, caso esse acordo seja para avançar.

 

Por outro lado Marta Temido está sob fogo por causa das listas de espera para cirurgia enquanto Presidente da ACSS - foram as listas expurgadas de quem já deveria não estar lá? Ou foram mesmo cirurgicamente geridas para melhorar estatísticas? Convinha esclarecer este assunto, porque é muito importante. Infelizmente, não tenho capacidade para ajuizar da verdade de cada um, pois aprendi a desconfiar de tudo e de todos. Na realidade há imensos doentes que estão inscritos em listas de espera e que, entretanto, ou já foram operados noutros locais, ou faleceram, ou desistiram de ser operados. A falta de softwares apropriados, sendo os que existem diferentes em cada Instituição, dificulta ou impossibilita o cruzamento de dados e a sua actualização automática. Há muitas disfunções no sistema (como noutros) e, ciclicamente, as listas devem ser revistas e actualizadas. Mas a investigação dos doentes que morreram enquanto em lista de espera é essencial, como pede o Bastonário da OM que, entretanto, poderia ter mais cuidado com as declarações que faz sobre a degradação do SNS, porque sabe, ou deveria saber, que este governo, nesta área como noutras, não pode recuperar em 4 anos o que se degradou em muito mais.

 

E que é feito da dívida dos grupos privados de saúde à ADSE? Já todos se esqueceram disso, agora que, de novo, já há acordos com a ADSE, depois da estrondosa rotura a que assistimos, lançando o pânico entre os beneficiários deste subsistema de saúde?

 

*Declaração de interesses: trabalho numa PPP, defendo afincada e furiosamente o SNS, e sou contra o fim das PPP na Saúde.

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publicado às 21:31

Paris em Maio, 1994

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.04.19

Paris_ile_Cite_ile_Saint_Louis_pont_Tournelle.jpg

Paris

 

Paris em Maio, 1994.

 

Aterrámos no meio do bulício do costume e fomos de táxi para o hotel, que um francês amigo tinha reservado, na Rive Gauche, ao pé do Grand Magazin Le Bom Marché, na Rue Saint Placide.

 

Com todos os clichés reunidos e explodindo numa jovem pouco viajada, tudo era deslumbrante: os carros que, ao serem arrumados batiam à frente e atrás, sem qualquer preocupação pelo amachucar dos para-choques, as baguette nas mãos dos parisienses, as montras lindíssimas e coloridas das pastelarias, o Sena, as pontes sobre o Sena, as margens do Sena com prédios altos e maciços, o Quai des Orfèvres de Maigret, o Hôtel-Dieu, os Bouquinistes, as estações de metro, as flores e as floristas, os queijos, a loja gourmand em que entrei um dia, esbaforida e exausta, e disse (num francês majestático e macarrónico) on veut deux cafés, a escadaria até ao Sacré Coeur, a vista deslumbrante do Sacré Coeur, as caminhadas pela longa avenida dos Campos Elísios, o Arco do Triunfo e o caos organizado do trânsito, a Torre Eiffel, o Louvre, o maravilhoso Musée d’Orsay dos impressionistas, a Place du Tertre com os seus caricaturistas, Montparnasse, o Quartier-Latin, onde comemos a pior mousse de chocolate de que me lembro, Saint-Germain des Près, os livros expostos nas ruas, as livrarias com múltiplos andares e toneladas de banda desenhada, o Astérix, o jardim das Tulherias, o túmulo de Napoleão, os quilómetros andados, as cores, os ruídos, os Bateaux-Mouche.

 

Foi uma tarde inesquecível, ladeando a Île de La Cité, onde se ergue a Catedral de Notre-Dame de Paris. É nestas alturas que sinto o apelo do sagrado, do transcendente, do etéreo. Dentro daquelas abóbadas, naquele ambiente a um tempo esmagador e libertador, com a luz filtrada pelos vitrais, tudo nos eleva para o sentido do divino. Naturalmente baixamos  voz, com uma reverência e um temor irracionais para quem, como eu, não é crente. Templos que nos induzem recolhimento, como se a presença dos milhares de pessoas que por ali passaram, rezaram, desesperaram, resguardaram, os milhares de trabalhadores que penaram para a sua construção e reconstrução, as esperanças, os medos e os ódios, nos fizesse mais humanos e nos induzissem à humildade e à perfeição.

 

Lembro-me que íamos jantar a uma Brasserie mesmo ao lado do Hotel, exaustos e inundados de Paris, numa das viagens que mais gratas memórias me deixou. Ao ver arder Notre-Dame, foi quase como se me despedisse definitivamente do início da minha vida adulta, do meu conhecimento do mundo, do meu verdadeiro sentir europeu, como se alguma coisa se partisse, encolhesse e regredisse, como se o incêndio não fosse mais que o esfumar de uma Europa intercultural e universalista que faz parte da nossa História mas que dificilmente fará já parte do nosso futuro.

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publicado às 15:47

Notre-Dame de Paris

por Sofia Loureiro dos Santos, em 15.04.19

Cathédrale_Notre-Dame_de_Paris-1 (1).JPG

Notre-Dame de Paris

 

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publicado às 20:51

Das laranjas azuis

por Sofia Loureiro dos Santos, em 07.04.19

Anatomical Studies of the Shoulder Leonardo da Vin

Leonardo da Vinci

 

Estive durante 3 dias num evento científico que, apesar do que escrevi anteriormente, foi muito bom, muito útil e muito agradável, embora intensivo, como todos os encontros, workshops, simpósios, conferências e cursos de anatomia patológica. Expuseram-se dúvidas, descobertas, truques para evitar erros e trocaram-se experiências, partilharam-se desconhecimentos e novas linhas de investigação.

 

Além disso, fizeram-me pensar nos paradoxos dos métodos e procedimentos que desenhamos para nunca falharmos nada, para que consigamos comunicar claramente na mesma linguagem, entre médicos de especialidades diferentes, para que a informação seja entendida e partilhada de forma completa e rigorosa. Mas tudo tem uma outra face.

 

Com esta tentativa de uniformização, detalhe e rigor, formatando os relatórios diagnósticos com as guidelines desenvolvidas para o efeito por agrupamentos de cientistas e superespecialistas nas várias áreas do conhecimento médico, mais especificamente anatomopatológico, deixamos de usar o sentido crítico, deixamos de pensar.

 

Os argumentos de autoridade nas várias matérias, construídos ao longo de séculos de uso do método científico, que levam à aceitação daquilo que é a verdade demostrada pelos peritos, como em todos os aspectos da vida, deve ser escrutinado por cada um de nós, sem medo de questionar e criticar, pois só assim as dúvidas suscitadas podem levantar outras e abrir espaço para investigação e saber.

 

A ciência alimenta-se de ciência e o que é hoje o estado da arte amanhã pode ser o contrário. Tudo isto é mais do que sabido. Mas isso é exactamente o resultado do método científico: observar, questionar, controlar, comparar, concluir.

 

Ainda bem que há gente que não se limita a seguir o que os outros dizem. É mais fácil e é mais seguro, mas conduz a grandes desgraças e distorções, não só na ciência. E quanto às chamadas terapêuticas alternativas, estas "são, por definição, coisas que não têm provas científicas sólidas. Qualquer coisa que tenha provas científicas sólidas deixa de ser uma terapia alternativa e passa a chamar-se medicina." E é indispensável discutir publicamente o charlatanismo, a indústria e os interesses económicos por detrás destas alternativas que, na verdade, não o são. A esperança média de vida e a qualidade de vida de hoje devem-se precisamente ao uso da ciência e do método científico. E os problemas que temos, nomeadamente ambientais, serão resolvidos com a ciência e não com crenças.

 

Mas para isso, vamos assumir a responsabilidade de exercitarmos a dúvida, a crítica, a verificação do que lemos, do que vemos, do que é fácil. Em tudo.

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publicado às 12:00

Dia de formação

por Sofia Loureiro dos Santos, em 06.04.19

praca-do-principe-real.jpg

Jardim do Príncipe Real

 

  1.  

Pudera nascer de manhã

como as aves que atravessam a paisagem

e seguir viagem

sem barco sem rumo

apenas com a vida na bagagem.

disclosure_Donna Swain.jpg

Disclosure

 

  1.  

Interesse sem conflito

tenho dito

e repito

que no desinteresse do delito

só interessa o retido

se sentido.

Concert_of_Birds_Frans_Snyders.jpg

Concert of birds

 

3.

Boca a altifalar

braços a esbracejar

monocordismo em torrente

bocejo inerente.

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publicado às 16:19


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