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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Democracia representativa

brexit.jpg

The Guardian

 

Por muito que gostasse que o BREXIT voltasse atrás e se transformasse em BREMAIN, não concordo com quem defende um novo referendo.

 

Democraticamente o Reino Unido decidiu-se pelo BREXIT. A incompetência e incapacidade de quem entretanto, tem estado à frente da negociação com a UE, a ambição de Theresa May que aceitou negociar aquilo em que não acredita, a cobardia e oportunismo de quem lutou pelo BREXIT e não assumiu as suas responsabilidades, não podem ser os argumentos para se repetir um referendo. Mas podem ser justificação para novas eleições em que os partidos clarifiquem o que farão quanto ao BREXIT, caso as vençam.

 

Se repetirmos referendos sempre que há manifestações e/ou incompetência de governantes, teremos que fazer já eleições em França a propósito dos vandalismos pseudomanifestantes dos coletes amarelos, e termos que referendar a interrupção voluntária da gravidez em Espanha, obedecendo à manifestação que ocorreu.

 

A democracia tem os seus ritos e as suas regras. O recurso ao referendo não pode ser usado para reverter a própria democracia representativa.

Da jovem esperança

Parece que estamos todos adormecidos, atarantados, gaseados pelos horrores que vão acontecendo por esse mundo. O ataque terrorista na Nova Zelândia, anteriormente o de Pittsbrugh, o vandalismo destruidor dos coletes amarelos em França, nomeadamente em Paris, Trump, Bolsonaro e semelhantes, a crise da Venezuela, o Brexit, enfim, todo um corolário quotidiano de precipitação para abismos que nos gelam e que não sabemos como parar.

 

Por isso é uma frescura de alma e uma esperança dar conta de algumas pérolas, inesperadas e surpreendentes, como este movimento:

 

Sondagens

A acreditar na sondagem que saiu ontem, do ICS/ISCTE, esta solução governativa tem hipótese de se repetir. O PS não tem maioria absoluta mas a esquerda soma mais votos que a direita.

 

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É interessante ver que a líder com pior imagem é Assunção Cristas, e que a maioria dos participantes acha que este governo tem feito um bom trabalho. Há, no entanto, 17% de pessoas que dizem não saber em quem votar, o que é muitíssimo expressivo e significativo.

 

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António Costa tem que mobilizar o seu eleitorado, não só para que não se verifique uma vitória da direita, como para que seja o partido mais votado, como ainda para que não fique refém dos partidos à sua esquerda. Por outro lado, terá que negociar um programa de governo antes das eleições, pois os objectivos da próxima legislatura terão que ser mais ambiciosos do que reverter a desgraça anterior. António Costa não tem tarefa fácil e, a avaliar pela última campanha legislativa, convém que lhe corra melhor.

 

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Rui Rio parece estar bastante mal classificado, mesmo dentro de que vota no seu partido. Mas ainda é muito cedo, e teremos europeias e autárquicas* entretanto, pelo que tudo isto ainda pode mudar.

 

*Por lapso escrevi autárquicas mas, na relaidade, como me lembrou um comentador, são eleições para a Região Autónoma da Madeira.

Gente

Womens Suffrage Statue Nashville.jpg

Alan LeQuire

 

 

Não tenho género nem genes

que me distanciem de ti

outro género e outros genes

tão semelhantes a mim.

Tão diferentes entre si

todos pequenos e grandes

todos juntos e separados

nas diversidade e abundância

de génios e gente.

Lado a lado sem segredo

somos género humano

decente

sem medo.

Ensaios

Tenho ensaiado alguns textos sobre diversos assuntos que considero importantes, mas quando chego a meio, desisto. Ou porque já passaram alguns dias sobre o assunto e já não é actual, havendo mais uns milhares para falar, ou porque já se disse tudo e o seu contrário, pelo que nada acrescentaria.

 

E assim vou deixando passar as oportunidades de me exprimir, desistindo da veemência, adiando as opiniões, duvidando das certezas entretanto experimentadas. Tudo acaba por se relativizar e desvanecer.

 

E, no fim do dia, qual era mesmo a notícia?