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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Algo está muito errado

Quando um Estado que se diz democrático se propõe prender por 25 anos elementos que defenderam e defendem a independência de uma região, por meios não violentos.

 

Em Espanha, por muito que eu pense que os separatistas catalães conduziram muito mal todo este processo, não consigo entender e revolta-me o meu sentimento de justiça e liberdade, quando se aceita que haja pessoas presas há mais de um ano, preventivamente, por defenderem os interesses do povo que as elegeu legitimamente, e que se coloque sequer a hipótese de as condenar como se fossem assassinas.

 

Algo está mesmo muito mal no reino aqui ao lado.

Of mice and men*

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A extrema-direita alastra, perde vergonha e ganha força - em Espanha, mesmo aqui ao lado, Franco revive - ¡Una, Grande y Libre! - ¡Arriba España!

 

A democracia espanhola tem presos os políticos catalães que querem referendar a sua independência. Presos por delito de opinião são presos políticos. Apelidar de traidor a Sanchez porque tenta resolver politicamente o imbróglio catalão, aumentado e extremado pelo PP, é espantoso.

 

A extrema-direita alastra na Europa e em Portugal, basta ver as declarações do Presidente do Sindicato da PSP, reagindo à visita do Presidente da República ao bairro Jamaica, após os distúrbios que por lá aconteceram.

 

O racismo, a xenofobia, o anti-semitismo, o machismo, a violência e o desprezo pelas minorias étnicas, o regresso aos (pseudo)valores ultramontanos e ultraconservadores da família e da pátria, do papel do homem e da mulher na sociedade, é tudo triste e assustador.

 

Em Espanha, mesmo aqui ao lado, Franco revive e rejubila.

 

*título de um livro de John Steinbeck

Out of the blue

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Vamos descobrindo talentos novos e novas habilidades. Os anos que se somam também servem para remodelar ou redescobrir o mundo que somos.

 

Joaninha Costa Rosa vai expor os seus trabalhos na galeria do Auto Clube Médico Português, em Lisboa, a partir de 28 de Fevereiro. Tem uma pintura cheia de bonecos e animalejos, povoada de referências da sua vivência profissional, mas que se enrolam e misturam com os mundos da infância, com o rigor e a crueldade da inocência. Não sou entendida em pintura, mas posso dizer que gosto do que faz.

 

Resta dizer, em jeito de declaração de interesses, que a Joaninha é uma amiga, querida amiga e colega, de tantos anos e tantos mundos.

E mais não digo

Sou totalmente defensora do SNS, sempre trabalhei e trabalho para o SNS, primeiro no Hospital de Curry Cabral (ainda nos Hospitais Civis de Lisboa), depois no Hospital Garcia de Orta, depois no Hospital Fernando Fonseca, enquanto PPP e EPE, e agora no Hospital Vila Franca de Xira (em PPP), pelo que declaro já que posso não ser isenta na minha apreciação.

 

Li esta entrevista e sinto-me incomodada e revoltada com as palavras de Eduardo Barroso, que diz que pode haver perversões graves na gestão privada de hospitais públicos. É claro que pode, mas não haverá perversões graves na gestão pública de muitos hospitais públicos?

 

Eduardo Barroso não se explica - e mais não diz - deixando a insinuação de que as PPP só se preocupam com o fazer mais barato e só assumem procedimentos e tratamentos pouco onerosos. Convém esclarecer que todos os anos os hospitais celebram contratos com as respectivas ARS e estão obrigadas a cumpri-los, assegurando o atendimento e tratamento da população da sua área de influência e de quem, segundo a lei, a eles forem referenciados, sofrendo penalizações pesadas caso não consigam cumprir o contratualizado. Em relação à preocupação com certificação e acreditação de qualidade, são as PPP as mais dinâmicas e as que mais investem nessa área. Em termos comparativos com outros hospitais dos mesmos grupos, estão bem colocadas em todos os rankings, tanto nos custos como na qualidade dos serviços.

 

Já trabalhei em vários sistemas e regimes e não percebo muito bem aonde Eduardo Barroso quer chegar. Portanto gostaria que dissesse mais e mais claramente. A defesa do SNS não é bem servida por este tipo de entrevistas nem por preconceitos. Lembro-me bem das frequentes manifestações do BE na altura da PPP do Hospital Fernando Fonseca, onde "os Mellos" eram notícia diária pelas várias insuficiências do hospital, que miraculosamente deixou de aparecer nas TVs e nos jornais após a reversão da PPP, embora as insuficiências se tivessem mantido ou mesmo aumentado.

 

É essencial que estas parcerias sejam avaliadas e controladas, mas podem ser uma preciosa arma para melhor tratar os cidadãos, dentro do SNS. Se Eduardo Barroso tem alguma coisa a dizer, pois que o faça claramente.

 

E mais não digo.

Ética e decência

Independentemente das razões que os enfermeiros possam ter, por muito que reconheça o direito às reivindicações do que acham justo, não posso concordar nem aceitar esta forma de luta. Não sei se é legal ou ilegal, sei apenas que não é ética nem decente.

 

Claro que todas as greves têm consequências e prejudicam, por isso é que são extremas formas de luta. Mas greves em que os únicos prejudicados são os doentes e, dentre estes, os que menos possibilidades económicas têm, é revoltante.

 

O SNS não pode ficar refém de uma corporação. Há enormes injustiças no Estado, nomeadamente no sector da saúde, em que há vários profissionais com habilitações idênticas às dos enfermeiros que, em termos de remuneração e de carreiras têm escalas bem inferiores. O governo não pode atender apenas a uma corporação, por muito poderosa que ela seja. É assim na saúde, como na educação, como em qualquer outras área profissional.

 

Quem está a financiar este tipo de luta que já ameaça estender-se até Outubro? António Costa e a Rui Rio dizem o óbvio. Rui Rio surpreende, mas ainda bem, pois habitualmente quem está na oposição critica sempre o governo, mesmo quando este tem razão.