Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam
Mourejar, sim, trabalhos forçados, também, mas não se procedeu à operação filhoses mas sim à operação rabanadas.
Todos os anos fazemos rabanadas, é mesmo o tiro de partida para a Consoada. Mas este ano, eu que tanto me apetecia fazer filhoses, acordei muito esmorecida, e só a ante-visão da farinha para amassar, retirou-me qualquer ambição doméstica de índole natalícia.
Mas as rabanadas estão com um aspecto fantástico. Já temos uma prática quase ancestral, uma linha de montagem perfeita, entre molhar as fatias de pão no leite, passá-las no ovo batido, fritá-las e polvilhá-las de açúcar e canela, que nem uma verdadeira pastelaria em hora de ponta.
Hoje, se tudo correr conforme planeio, ainda farei a calda para sonhos e rabanadas.
Amanhã será a a vez da aletria e do bacalhau, cozido com couves, mais tradicional é mesmo impossível. E eu, que tenho uma PT que parece uma assombração, e que me promete mundos de horríficos treinos para recuperar as graminhas que ganhar durante esta quadra, vou bebericando chá para resistir à tentação e ouvindo cantos celestiais, enquanto congemino as melhores formas de prevaricar sem dar muito nas vistas...
.... para os trabalhos forçados dos próximos dias.
Na cozinha perfilam-se a farinha, os ovos, as laranjas, o chá e o leite, à espera do desencadear das hostilidades. O dia será de filhoses.
Hoje, em amena cavaqueira, enchi diversos frascos com diversos licores parecidos uns com os outros, o que levou a várias provas para rigorosa e científica identificação e colagem de rótulos.
Seguiu-se a confecção de uma prodigiosa novidade, indecentemente roubada a uma pessoa altamente preocupada com o meu peso e a sua redução, que consiste no derreter de chocolate com uma pitada de óleo de coco, mistura de sementes diversas, espalhanço do preparado num tabuleiro forrado com papel vegetal e esperança de que tudo se transforme em pequeníssimas bolachinhas para juntar aos parcos e esquálidos cabazes.
VOTO N.º 660/XIII/4.ª DE PESAR PELO FALECIMENTO DE
GENERAL LOUREIRO DOS SANTOS
É com profundo pesar que a Assembleia da República assinala o falecimento do General José Alberto Loureiro dos Santos.
O General Loureiro dos Santos era considerado um dos mais notáveis militares da sua geração, cuja distinta carreira o levou aos cargos de Vice-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e Chefe do Estado-Maior do Exército. Também na política, teve papel de relevo ao desempenhar o cargo de Ministro da Defesa Nacional nos IV e V Governos constitucionais.
Nascido a 2 de setembro de 1936, em Vilela do Douro, no concelho de Sabrosa, Vila Real, concluiu com distinção os estudos secundários em 1953, tendo ganho o prémio nacional de melhor aluno dos liceus, e ingressou na Escola do Exército, onde se formou em Artilharia.
Combatente na Guerra Colonial, o General Loureiro dos Santos participou na Revolução de Abril, tendo assumido o cargo de secretário do Conselho da Revolução, e foi um elemento ativo no processo de transição para a democracia em Portugal.
Doutrinador com vasta obra publicada, o General Loureiro dos Santos foi um dos grandes mestres da moderna escola de Estratégia em Portugal, com um papel fundamental no moldar do pensamento militar do pós-25 de Abril e na definição teórica da política externa portuguesa.
O General Loureiro dos Santos lecionou no Instituto de Estudos Superiores Militares, do qual fez parte do conselho científico, e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) — no qual foi membro do Conselho de Honra. Era também membro da Academia das Ciências de Lisboa e do Conselho Geral da Universidade Nova de Lisboa, como personalidade externa.
Foi membro fundador do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, membro do Centro de Estudos Estratégicos do Instituto de Altos Estudos Militares, membro do Grupo de Reflexão Estratégica do Ministério da Defesa Nacional e participou na Comissão de Revisão do Conceito Estratégico de Defesa Nacional em 2012.
Como comentador de assuntos de estratégia, segurança e defesa, o General Loureiro dos Santos era presença frequência nos meios de comunicação social, tendo granjeado a admiração do grande público.
Reunida em sessão plenária, a Assembleia da República lamenta profundamente a morte do cidadão ilustre, do militar exemplar e do pensador ímpar e endereça à família, aos amigos e ao Exército português as mais sentidas condolências. Palácio de São Bento, 21 de novembro de 2018.
O que mais me impressiona quando ouço e leio os argumentos dos chamados coletes amarelos a exigir a demissão de Macron e a realização de novas eleições, é a repetição de eu não votei nele e de ele não nos representa.
A democracia representativa, ou seja, o governo pela maioria eleita livremente, por um intervalo temporal que se rege pela lei, deixou de ter significado. Como não se vota em uma determinada pessoa ou opção política, não tem que se acatar a decisão e a escolha da maioria.
Portugal não é excepção, ao contrário do que se tem dito e repetido em vários meios de comunicação. As novas formas e ritmos das greves que estão a aparecer, tal como as notícias que se põem a circular sobre os actores políticos, muitas delas inventadas mas muitas outras, infelizmente, bem reais, são o perfeito caldo para o aparecimento daqueles que acabarão com todos os tipos de greves e todos os tipos de reivindicações - os ditadores e as ditaduras.
Têm que ser doces, os licores deste Natal. Muito doces, pegajosos e fortes, de forma a elevar os comensais às alturas das melopeias e das almas gentis, docemente embaladas em asas de anjos e sorrisos exemplares.
Lá fora ficam as greves e os populismos, tristezas e voluntarismos, desemprego e escravatura, consumismos e rezas fictícias. Natal começa a significar enrolarmos uns novelos fronteiriços entre nós, redutos do bem, e o mundo, tomado pelo mal. Portanto, este Natal os licores são de chocolate, de ovo e o terceiro é uma mistura dos dois anteriores, o melhor (na minha opinião).
Todas as experiências são levadas muito a sério e com todo o rigor: primeiro procura-se uma receita, depois pensa-se nos ajustamentos, depois procuram-se os ingredientes, no fim confeccionam-se as iguarias. A receita que acabei por compor (ou não assistisse eu a milhares de MasterChef) foi:
meio litro de água
meio litro de leite
um quilo de açúcar
duzentas e cinquenta gramas de cacau em pó
duzentas e cinquenta gramas de chocolate em barra com 70% de cacau
duas vagens de baunilha
um litro de aguardente
Numa panela grande, aquecer a água e o leite com o cacau, o chocolate partido aos pedaços, o açúcar e baunilha (as vagens abertas e o raspado do seu interior), mexendo bem e deixando ferver, como se estivesse a fazer um fantástico cacau quente.
Depois de arrefecer e coar (com um paninho de algodão) deve-se usar a varinha mágica para desfazer os grumos que tenham ficado. Quando estiver totalmente frio, juntar a aguardente com cuidado e mexendo, para incorporar. Engarrafar e deixar descansar uns quinze dias, pelo menos, agitando as garrafas de vez e quando.
Em relação à mistura, ela resultou de uma tentativa em reduzir a espessura e o grau alcoólico do licor de chocolate, tal como aumentar o grau e a espessura do licor de ovo. É só pegar num litro de licor de cada tipo e misturá-los. Fica muito, muito bom!
Acredito na boa fé de muitos dos que se juntaram às primeiras manifestações dos coletes amarelos, em Paris.
Agora ninguém tem qualquer dúvida sobre o objectivo que move a continuação da destruição e do vandalismo das novas manifestações. É vandalismo e terrorismo, com o objectivo imediato de roubar e lucrar e outro mais subterrâneo, aproveitado e incentivado pela extrema direita e pela extrema esquerda de destruir a confiança no regime democrático.
Por cá tenta-se copiar. A extensa e permanente cobertura pelos media dão motivos para aumentar a violência, pela divulgação do medo a nível nacional e internacional. É muito difícil tentar perceber qual o equilíbrio entre a informação e a propaganda gratuita.
Macron foi eleito há pouco mais de um ano. A extrema-direita está exultante perante as últimas vitórias, nomeadamente em Espanha. E nós todos, por acção ou omissão, vamos deixando que o abismo se aproxime.