Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Cada um cumpre o destino que lhe cumpre. / E deseja o destino que deseja; / Nem cumpre o que deseja, / Nem deseja o que cumpre. [Ricardo Reis]
Para mim uma boa canção e a melhor do Festival.
Cláudia Pascoal & Isaura
Eu nunca te quis
Menos do que tudo
Sempre, meu amor
Se no céu também és feliz
Leva-me eu cuido
Sempre, ao teu redor
São as flores o meu lugar
Agora que não estás
Rego eu o teu jardim
São as flores o meu lugar
Agora que não estás
Rego eu o teu jardim
Eu já prometi
Que um dia mudo
Ou tento, ser maior
Se do céu também és feliz
Leva-me eu juro
Sempre, pelo teu valor
São as flores o meu lugar
Agora que não estás
Rego eu o teu jardim
São as flores o meu lugar
Agora que não estás
Rego eu o teu jardim
Agora que não estás, rego eu o teu jardim
Agora que não estás, rego eu o teu jardim
Agora que não estás
Agora que não estás, rego eu o teu jardim
Questioning Mind
O que dizer de tanto que já se disse e ninguém lê, ninguém colhe, ninguém quer? Anulação voluntária e pedagógica, assistindo aos rios de tinta digital que outros pintam por mim. Será que se interessam? Será que me interesso?
Habituamo-nos ao anonimato das ideias, das atitudes, das emoções. Será que ainda existem, de tanto que se estilhaçam continuamente pelo espaço de três ou quatro palavras, duras de preferência?
Todos nos apressamos à assertiva opinião instantânea, sem cuidar dos interstícios, das pregas, das variações cromáticas, da rugosidade dos dias. É mais fácil cortar com gumes afiados e em ângulos rectos, mesmo que as calcificações das superfícies nos impeçam a perfeição.
Nada interessa a não ser a minha boca, os meus dedos, o meu grito, o meu espaço. Nada interessa a não ser a minha voz.
E assim o mundo vai rodando sobre os mesmos intermináveis eixos, o tempo corrói as certezas e abraça a relatividade das coisas. Tudo o que penso ou pensei se esvai e esbate, tudo se esgota sem retorno.
Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?
Qu'est-c' qu'on attend pour fair' la fête?
Y a des violettes
Tant qu'on en veut
Y a des raisins, des roug's, des blancs, des bleus,
Les papillons s'en vont par deux
Et le mill'-pattes met ses chaussettes,
Les alouettes
S'font des aveux,
Qu'est-c' qu'on attend
Qu'est-c' qu'on attend
Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?
Quand le bonheur passe près de vous,
Il faut savoir en profiter
Quand pour soi, on a tous les atouts,
On n'a pas le droit d'hésiter
Cueillons tout's les roses du chemin,
Pourquoi tout remettr' à demain
Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?
Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?
Qu'est-c' qu'on attend pour fair' la fête?
Les maisonnettes
Ouvrent les yeux,
Et la radio chant' un p'tit air radieux,
Le ciel a mis son complet bleu
Et le rosier met sa rosette
C'est notre fête
Puisqu'on est deux.
Qu'est-c' qu'on attend?
Oh dis!
Qu'est-c' qu'on attend?
Oh voui!
Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?
Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?
Qu'est-c' qu'on attend pour perdr' la tête?
La route est prête
Le ciel est bleu
Y a des chansons dans le piano à queue...
Il y a d'l'espoir dans tous les yeux
Y a des sourir's dans chaqu' fossette
L'amour nous guette
C'est merveilleux
Qu'est-c' qu'on attend
Qu'est-c' qu'on attend
Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?
Precipitando-me em tropel acelerado para uma vida tão saudável que nem sei como, algum dia, a morte me escolherá, ontem dei mais um passo muito decisivo nesta correria. O objectivo era arranjar uma garrafa de água para levar para o treino (palavra que já entrou no meu léxico) que não fosse de plástico.
Tal como Cristo, o jejum ressuscitou e é prescrito por todos os PTs do país (ou do mundo?). Comer de 3 em 3 horas, para que a glicemia se mantenha estável e não haja picos de insulina? Isso já está totalmente ultrapassado. A nova trendy dietética é o jejum. Não sei por quanto tempo (e achei melhor nem indagar pois, seguramente, não iria gostar da resposta). Ora a juntar-se-lhe, e ao ultra processamento dos alimentos, agachamentos, remadas e empranchamentos, para além das bicicletas, passadeiras e sei lá que mais, está o bebericar de água que terá, pelo menos na ciência certa dos PTs, propriedades adelgaçantes e um estranho e inexplicado efeito de redução da frequência cardíaca, levada aos píncaros pelos esplendorosos exercícios.
Mas, oh horror dos horrores, a garrafinha de água do Luso que eu, displicentemente, usava, estava a potenciar todos os efeitos cancerígenos e obesogénicos do plástico do dito continente. Não pensem que é fácil resolver este magno problema. Uma garrafinha de água para o treino (devia emagrecer só de repetir esta palavra) tem que ser leve e não se partir, para além de ser rápida e fácil de usar no bebericanço. As que encontrei na Sport Zone e na Decathlon tinham que se desenroscar umas, outras tinham um bico para esguichar nada simpático, outras ainda nem percebi como se usam. E além disso eram todas de plástico.
Ontem, ao passar por uma bancada do Smartlunch, empresa que proliferou e inchou nos últimos anos, dei com as garrafas exemplares! De vidro, envoltas numa matéria plástica (mas sem contacto com a água) para que não se partam, com uma rolha fácil de desenroscar - heaven, como diria a Tootsie.
Enfim, saúde saudável, aí vou eu.
Músico sem cabeça
1.
Queremos-te plana sem rugosidades centrais
ou periféricas. Silenciosa no trabalho
da sobrevivência. Transparência total e etérea
na competência da inexistência. Queremos-te invisível
na omnipresença do amaciar da nossa vida.
Aprende.
2.
No limite do dia escolho a chuva
os passos na calçada que se esvai.
Ao procurar as luzes que se apagam
acendo os olhos solto os cacos
da renovada ilha onde me escondo.
Nada quero e nada sou
neste espaço limitado que escolhi.
Aqui está um livro interessantíssimo, muito bem escrito, que nos coloca em confronto com os preconceitos que todos temos em relação a culturas diferentes, que nos mostra o que são as comunidades dentro de outras, no caso uma comunidade Punjabi no centro de Londres.
A partir da história de uma jovem mulher filha de imigrantes indianos, cuja vontade é libertar-se e libertar outras mulheres indianas das amarras de costumes ancestrais que considera retrógrados, vai-se desenrolando uma trama em que se descobre que a vida das viúvas não é exactamente o que parece, que o fervilhar da intriga, da imaginação, do erotismo, do crime e da camaradagem fazem o quotidiano das gentes que passa a considerar suas.
Para quando a publicação em português?
Adalberto Campos Fernandes tem sido extremamente habilidoso em desbaratar a esperança que muitos nele depositaram, bem acompanhado pelo Primeiro-ministro que, no que diz respeito à Saúde, não tem conhecimento, não quer ter e tem raiva de que o tem.
O empurrar os problemas, dando sempre uma ideia de grande seriedade e abrangência de soluções desbloqueadas, que depois correspondem a falta de honestidade política para não dizer ao despudorado engano dos interlocutores, tem sido, lamentavelmente, a prática deste Ministro.
O concurso para médicos está há quase 1 ano a poucos dias de se iniciar, ou mesmo a poucos segundos, as verbas para os Hospitais estão à espera que o Ministro das Finanças se digne autorizar a sua utilização, e o palavreado asséptico já não engana. Que tristeza.
Num país em que a precariedade no emprego é enorme, em que os níveis de remuneração são baixíssimos, para trabalho qualificado e não qualificado, em que há imensas empresas a usar os seus trabalhadores em trabalho voluntário, explorando o medo de se ser despedido, em que não se respeitam horários, domingos ou feriados, Ferraz da Costa tem a desvergonha de dizer que as pessoas não querem trabalhar.
Há, de facto,um conjunto de gente que se acha com o direito de impor aos outros as suas ideias de supremacia. Porque na base de todas estas baboseiras há sempre a certeza de que algumas regras não se lhes aplicam.
É revoltante.
Depois do braseiro nacional do ano passado e dos braseiros dos anos anteriores, caminhamos para outros braseiros que se anunciam. Depois da comoção nacional pela catástrofe de 2017, com Portugal a arder, pessoas a morrer, destruição de empresas, de casas, de vidas, depois de toda a solidariedade, dádivas, ajudas e apoios, acusações e demissões, algumas notícias vão mostrando que, de novo, nos esquecemos de tudo. Porque a culpa ou a responsabilidade nunca é nossa, mas sempre de terceiros - do governo, dos Bombeiros, da Altice, dos loucos, de todos, menos nossa.
E no entanto, vamos assistindo às notícias que nos dão conta da corrida aos viveiros para plantar eucaliptos, para tentar contornar e minimizar a proibição legislativa, às declarações dos Municípios que dizem não conseguir promover a limpeza das florestas até à data fixada por lei - 31 de Março - tentando adiar e compartimentar procedimentos absolutamente essenciais, apesar dos meios que têm sido postos à sua disposição.
Serão necessários muitos anos para tentar melhorar o que foi abandonado durante décadas e muitos investimentos na renovação e no reordenamento do território, na ajuda a quem mais sofreu. Mas a urgência da situação vai-se esgotando porque as pessoas esquecem depressa que são elas próprias as principais responsáveis.
Estamos quase no fim de Fevereiro e a chuva continua muitíssimo escassa. Reunem-se as condições para um Verão quente. E a próxima tragédia está mesmo ao virar da esquina.
No dia em que se noticia que há uma aceitação e uma prática de violência alarmantes entre os jovens, mais precisamente nas relações de namoro, e que a economia portuguesa, em 2017, teve o maior crescimento desde 2000, tendo crescido mais que a média europeia (2,5%), é muito interessante olhar para os destaques dos vários jornais online.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.
À venda na livraria Ler Devagar