Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam
Quase a iniciar as hostilidades natalícias, pois de uma guerra se trata entre nós e o bacalhau, as couves e o grão, a massa de aletria e respectivos ovos, as ditas rabanadas com o seu caldo, enfim, e tudo o resto que entretanto irá acompanhar - gente, conversa, confusão, barulho, bem-estar e harmonia - carrego as baterias calmamente aconchegada numa manta.
Já os laços estão atados e o silêncio conforta. Foi um ano difícil, em carrossel permanente, com o país político cheio de casos e golpes baixos, de que o último é a perseguição a Vieira da Silva, de má gestão mediática e erros por parte da Geringonça, total ausência de oposição a sério, omnipresença do Presidente da República que há-de tropeçar na própria hiperactividade e hiperverborreia. Os cidadãos encolhem os ombros e suspiram de medo, de tristeza, de impotência, e gritam de alegria, de alívio, de orgulho e de esperança.
O próximo ano desenha-se trabalhoso mas promissor. Acredite-se ou não na Divina Providência, o carinho e o mimo que damos e recebemos faz de nós gente mais completa, inteira e solidária. Que todos possamos assim crescer.
Mesmo quase em cima dos acontecimentos afadigo-me nos preparativos da época natalícia. Este ano, ainda por cima, tenho o compromisso de preparar iguarias saudáveis e hipocalóricas que, como bem sabemos, são a negação da volúpia e do prazer da degustação gastronómica, e o contrário do espírito peganhento e decadente do Natal.
Mas nada me faz desistir. Sendo assim, aproveitando uma cabazada de abacates que amavelmente me ofereceram, com o recado de que era isso que poderia comer por estes dias, com o compromisso de abater as calorias em fartos e penosos treinos pós pantagruélicas refeições (sem açúcar, sem farinha, sem frituras, etc., coisas a que será deveras difícil obedecer), rumei a destinos desconhecidos no que diz respeito à confecção de compotas.
Inventei uma. Pela cara de um dos habitantes cá de casa não terá sido um êxito retumbante, mas come-se.
Cortam-se as passas aos bocadinhos para dentro de um tacho; a seguir junta-se a raspa de 2 limas; depois cortam-se os abacates ao meio (cerca de 8), retiram-se os caroços e, com uma colher, a polpa que se desfaz à garfada, regando com o sumo das 2 limas, aos poucos; faz-se o mesmo com 3 bananas e põe-se tudo ao lume. Misturam-se umas colheradas de mel (no meu caso 3), a gosto, e deixa-se cozinhar, pelo menos uns 45 minutos, mexendo sempre. No fim reduz-se a puré com a varinha mágica.
Ideal para comer com iogurte (daqueles sem açúcar, sem gordura, sem sabor, enfim), flocos de aveia integrais e sementes de sésamo.
O licor de folha de figueira é a parte herdada da vida de deboche gastronómico, feito com a verdadeira aguardente, as folhas de figueira e açúcar. Maravilhoso.
Amanhã será a vez do ritual do bacalhau, da aletria, das rabanadas, do Natal com gente, conversa e tradição. Tudo é já tradicional, desde o pequeno almoço saboreado na cama, a bonança antes da tempestade, à azáfama de uma tarde passada na cozinha e à noite entre a família e os amigos.
Muitas emoções e muito trabalho. Assim me justifico pelo tempo arredada do blogue.
As apresentações do livro no Porto e em Setúbal foram momentos que guardarei com orgulho e carinho. Orgulho por aqueles que me acompanharam, nomeadamente o Prof. Sobrinho Simões, o Manuel de Oliveira, a Maria Celeste Pereira, o Fernando Pinto do Amaral e o José Teófilo Duarte. Carinho pela simpatia com que nos acolheram, na Casa Allen e no Café da Casa (da Avenida), e por todos os que quiseram estar presentes. Muito obrigada a todos.
É difícil imaginar que alguém possa ser eleito para um cargo com o poder e a importância da Presidência dos Estados Unidos da América sem um mínimo de bom-senso, de conhecimento histórico e de razoabilidade, sem se rodear de gente competente e cautelosa, gente que pense e se importe com um pouco mais do mundo do que aquele que corresponde ao espaço vital que ocupa.
(...) Mas foi o candeia nacional Marques Mendes que nos iluminou. Centeno no Eurogrupo? "Mentira de 1.º de Abril... Campanha de autopromoção... É o seu ego... A sua vaidade... Está deslumbrado... Inchado... Muito inchado... Não há uma única alma lá fora que fale de Centeno... É um bocadinho ridículo uma pessoa assim a oferecer-se..." Ontem, Centeno foi eleito presidente do Eurogrupo. O que vai fazer amanhã? Não sei. Mas ontem soube o significado do sorriso parvo: esteve sempre a rir-se dos pedaços de asno.
(…) Uma lição que transforma o amor nessa misteriosa espécie de “cola” ou de “barro” capaz de ligar os pedaços sempre dispersos das nossas vidas tão fragmentadas, procurando unir na mesma substância indivisível o corpo e a alma ou, se preferirem, o humano e o divino: “Da cola do amor remendamos os cacos das vidas / Do barro do amor colamos as peças removidas / De nuvens de amor sopramos as faces ressequidas / Do canto do amor lambemos as crostas das feridas // Presos e atados por amor a tantos fios invisíveis / Amparados pelo amor que sem saber semearemos / Em cada canto do amor assim nos confiaremos / No tumulto do amor morreremos indivisíveis”
O HUMANO E O DIVINO – Fernando Pinto do Amaral - prefácio de Prosas Bíblicas