Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Dream deferred

 

 

What happens to a dream deferred?

 

Does it dry up

Like a raisin in the sun?

Or fester like a sore--

And then run?

Does it stink like rotten meat?

Or crust and sugar over--

like a syrupy sweet?

 

Maybe it just sags

like a heavy load.

 

Or does it explode?

 

Langston Hughes

The Negro Speaks of Rivers

 

 

 

I've known rivers:

I've known rivers ancient as the world and older than the

flow of human blood in human veins.

 

My soul has grown deep like the rivers.

 

I bathed in the Euphrates when dawns were young.

I built my hut near the Congo and it lulled me to sleep.

I looked upon the Nile and raised the pyramids above it.

I heard the singing of the Mississippi when Abe Lincoln

went down to New Orleans, and I've seen its muddy

bosom turn all golden in the sunset.

 

I've known rivers:

Ancient, dusky rivers.

 

My soul has grown deep like the rivers.

 

Langston Hughes

Da hiperactividade presidencial

marcelo e costa.png

 

Quem vai seguindo este blogue sabe que eu comecei por não acreditar que Marcelo Rebelo de Sousa se candidatasse à Presidência, depois não votei nele, depois fui elogiando várias facetas do seu mandato, que muito me têm surpreendido e agradado. E também já tenho comentado a hiperactividade e a filosofia da política dos afectos, que me tem parecido excessiva e que, mais tarde ou mais cedo, se vai virar contra o próprio (bem sei que nunca acerto nas minhas previsões, mas continuo a tentar).

 

Vem este intróito a propósito de vários comentários críticos sobre a minha apreciação ao discurso do Presidente após os incêndios de 15 de Outubro. Mantenho tudo o que disse e ainda o que penso sobre a reacção de algumas figuras do PS (segundo o próprio Jorge Coelho, na Quadratura do Círculo, sem verdadeira expressão no partido). Foi António Costa que não soube interpretar a situação e deixou a iniciativa política para Marcelo.

 

Mas isso não é sinónimo de aplaudir tudo o que o Presidente diz e faz e sim, também me parece que está a raiar o populismo e a demagogia, neste caso porque a oposição não existe e deixa espaço a Marcelo para o ocupar. Não é obviamente possível resolver o problema dos incêndios nos 2 anos que faltam de legislatura. Além disso Marcelo inaugurou um estilo que, mais tarde ou mais cedo, vais banalizar as suas atitudes, se não começar a escolher mais as suas intervenções, sejam elas de afecto político ou de política sem afecto.

 

Mas não se enganem nem o Governo nem os partidos que o suportam. Marcelo Rebelo de Sousa não deixou de ser Marcelo Rebelo de Sousa após a eleição presidencial. E António Costa sabe com certeza que é com os actos e com a governação que convence e ganha a confiança do País.

Do desconforto longínquo

Estes 2 últimos anos foram de descompressão e alívio da profunda crise económica, financeira e social em Portugal, devolvendo rendimentos, criando empregos mas, principalmente, abrindo um pouco a esperança num futuro melhor. Muitos não acreditavam que fosse possível, mas a Geringonça, o novo Presidente e a conjuntura internacional permitiram que pudéssemos, de novo, respirar.

 

Mas convém que não nos embriaguemos com estes maravilhosos resultados, porque nem no País nem no resto do mundo houve a reviravolta que gostaríamos após a crise iniciada há cerca de 10 anos. E há sinais preocupantes dos quais não nos podemos alhear.

 

Nas Contas do Dia de 31 de Outubro, Nicolau Santos chama a atenção para o facto de, na globalidade, haver um saldo positivo na criação de emprego e uma apreciável redução do desemprego. No entanto, alerta para que uma grande percentagem dos empregos criados serem para pessoal não qualificado, para além de se registar de novo um aumento do desemprego entre os jovens.

 

Marco Capitão Ferreira, a 1 de Novembro, no Expresso, escreve um artigo sobre o aumento insustentável do preço do imobiliário, estando-se a formar novamente uma bolha que, por enquanto, é pequena, mas que tem todas as condições para se tornar gigantesca.

 

Por fim Michael Ash (Público, 2 de Novembro) afirma que, após a crise de 2008/2009, nada foi feito em relação aos desequilíbrios económicos e à regulação das actividades financeiras, apesar das lições que, pelos vistos, ninguém aprendeu.

 

Somando tudo isto à vitória de Trump, à subida larvar dos populismos, da xenofobia e do racismo, à desagregação das relações entre os Estados (como com o BREXIT) e dentro dos Estados (como com a Catalunha) e às alterações climáticas e ambientais que parecem imparáveis, vão-se agregando nuvens negras sobre as nossas cabeças que estão prenhes de ameaças em vez da tão almejada e redentora chuva.

Da violência gratuita

 

 

Estamos a construir uma sociedade estranha, em que os actos de violência inusitada e gratuita ocupam o espaço mediático. Agressões entre adolescentes filmadas por colegas que acicatam ou não reagem, agressões pela polícia ou por seguranças privados, em discotecas, nas esquadras ou na praça pública, com ou sem provocação, arrepia a forma generalizada e continuada daquilo que se está a tornar um hábito.

 

Ontem dei comigo a ver um vídeo da Sport TV em que se via uma criatura, identificada como adepto sportinguista, a agredir em directo o pobre coitado a que chamam Emplastro, que mais não fez nem faz do que ser um verdadeiro emplastro. A rapidez deste ataque súbito e violento não foi de imediato condenada, nem vi ninguém deter o inacreditável energúmeno riscado de verde. Assustador e revoltante.

Da irresponsabilidade perigosa

As atitudes e decisões políticas de Carles Puigdemont e outros independentistas catalães tem sido uma fuga em frente, mostrando uma irresponsabilidade e insensatez difíceis de entender.

 

Mas o que o governo central de Madrid está a fazer é totalmente descabido e perigosíssimo. Parece que estão a fazer os possíveis para extremar as posições arriscando-se a que as tensões cheguem a limites violentos. Não percebo mesmo. Estão dispostos a outra guerra civil?

Pág. 2/2