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Manual de despedida para mulheres sensíveis

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.01.17

vem a quinta feira.jpg

Filipa Leal

 

 

Ser digna na partida, na despedida, dizer adeus com jeito,

não chorar para não enfraquecer o emigrante, 

mesmo que o emigrante seja o nosso irmão mais novo,

dobrar-lhe as camisas, limpar-lhe as sapatilhas

com um pano húmido, ajudá-lo a pesar a mala

que não pode levar mais de vinte quilos

(quanto pesará o coração dele? e o meu?),

três pares de sapatos, um jogo de lençóis, o corta-vento,

oferecer-lhe a medalha que a Mãe usava sempre que partia

e que talvez não tenha usado quando partiu para sempre,

ter passado o dia à procura da medalha pela casa toda

(ninguém sai mais daqui sem a medalha, ninguém sai mais daqui),

pensar que a data escolhida para partir é a da morte da Mãe,

pensar que a Mãe não está comigo para lhe dobrar as camisas

e mesmo assim não chorar, nunca chorar, 

mesmo que o Pai esteja a chorar, mesmo que estejam todos a chorar,

tomar umas merdas, se for preciso: uns calmantes, uns relaxantes,

uns antioxidantes para não chorar; andar a pé para não chorar,

apanhar sol para não chorar, jantar fora para não chorar, conhecer gente,

mas gente animada, pintar o cabelo e esconder as brancas, 

que os grisalhos são mais chorões, dizer graças para não pôr também

os amigos a chorar, os amigos gostam é de nós a rir, ver séries cómicas 

até cair, acordar mais cedo para lhe fazer torradas antes da viagem,

com manteiga, com doce de mirtilo, com tudo o que houver no frigorífico,

e não pensar que nunca mais seremos pequenos outra vez,

cheios de Mãe e de Pai no quarto ao lado,

cheios de emprego no quarto ao lado quando ainda existia Portugal.

 

É tanto o que se pede a um ser humano do século vinte e um.

Que morra de medo e de saudade no aeroporto Francisco Sá Carneiro.

Mas que não chore. 

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publicado às 17:36

Sessenta horas de trabalho por semana

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.01.17

padaria portuguesa.JPG

 

 

 

Se dividirmos 60 horas por 7 dias (1 semana, incluindo sábado e domingo), verificamos que dá 8,5 horas por dia. Ou seja, o que Nuno Carvalho explica é que as leis laborais deveriam permitir que um colaborador pudesse trabalhar 8,5 horas por dia, sem sábados nem domingos, para a Padaria Portuguesa.

 

Se quisesse folgar ao sábado, poderia trabalhar 10 horas por dia, caso quisesse folgar sábado e domingo, poderia colaborar 12 horas em cada dia útil da semana. Claro que tudo isto sem pensar em horas extraordinárias.

 

Tudo isto é mesmo muito extraordinário.

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publicado às 21:12

A escalada do inimaginável, de novo

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.01.17

trump.jpg

 

Trump assina decreto para impedir entrada no país de "terroristas islâmicos radicais"

Proibição de Trump afeta até muçulmanos com autorização de residência

Irão reage a decisão "insultuosa" de Trump e proíbe entrada de norte-americanos

 

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publicado às 20:57

Os mestres do fado

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.01.17

os mestres.JPG

 

Confesso que fui um pouco apreensiva assistir a este espectáculo. O meu gosto pelo fado passa mais pela rotura que Alain Oulman, com Amália Rodrigues, dando significado e expressão às palavras e aos poemas para além da beleza da música e dos trinados da guitarra e da voz que a acompanha, que se apodera de quem ouve num sentimento de doce e melancólica tristeza, dispensando a compreensão racional. Por outro lado tinha muita curiosidade em relação ao fado tradicional de Lisboa e às casas onde ele se canta, a solo ou à desgarrada.

 

O grande auditório estava repleto. A minha primeira surpresa surgiu ao ouvir as vozes poderosas e potentes de fadistas com mais de 70 anos. De repente, aqueles anciãos e anciãs, de fatos completos e xailes com lantejoulas, em penteados mais ou menos armados, em cima de uns saltos mais ou menos absurdos, com mais ou menos facilidade de locomoção, adquiriram uma presença e uma dignidade difíceis de descrever.

 

O dedilhar da guitarra soberbamente tocada, com o respectivo acompanhamento da viola e do baixo, aos quais se juntou um quarteto de violinos, elevando-se com o arranque das vozes moduladas, penetraram no corpo e na alma num enlevo que muito se assemelha ao que acontece com as mornas ou com o flamenco. Percebo bem o fascínio que o fado exerce, sendo um êxito em países cuja compreensão da língua é nula mas que comungam na apreciação da música e da voz, da guitarra e da quase magia que se instala, como uma névoa de um ópio invisível.

 

Obrigada a estes Mestres - António Rocha, Artur Batalha, Filipe Duarte, Nuno Aguiar, Maria Amélia Proença, Maria Armanda, Maria da Nazaré e Cidália Moreira. Foi uma noite verdadeiramente surpreendente.

 

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publicado às 15:26

Desarrezoado amor, dentro em meu peito

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.01.17

Sa_de_Miranda.png

 

 

Desarrezoado amor, dentro em meu peito

Tem guerra com a razão, amor que jaz

E já de muitos dias, manda e faz

Tudo o que quer, a torto e a direito.

 

Não espera razões, tudo é despeito,

Tudo soberba e força, faz, desfaz,

Sem respeito nenhum, e quando em paz

Cuidais que sois, então tudo é desfeito.

 

Doutra parte a razão tempos espia,

Espia ocasiões de tarde em tarde,

Que ajunta o tempo: enfim vem o seu dia.

 

Então não tem lugar certo onde aguarde

Amor; trata traições, que não confia

Nem dos seus. Que farei quando tudo arde?

 

Sá de Miranda

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publicado às 15:15

Tarantelle (Op. 6)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 26.01.17

 Camille Saint-Saëns

Dolce Suono Ensemble

 

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publicado às 22:06

À beira do abismo

por Sofia Loureiro dos Santos, em 26.01.17

trump.jpg

Temo que estejamos à beira de um abismo e que nos recusamos a acreditar - estado de negação.

Donald Trump é perigoso, como se demonstra.

 

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publicado às 21:54

Da reconcertação social

por Sofia Loureiro dos Santos, em 26.01.17

Confesso que não entendo muito bem a razão pela qual, se o PS podia ter acertado previamente com o PCP e o BE a redução do pagamento especial por conta, insistiu na baixa da TSU. Ter-se-ia evitado toda esta embrulhada, em que ninguém sai muito bem.

 

Penso que é muito importante a renovação de um compromisso, plataforma, acordo, chame-se o que se lhe chamar, para cimentar o apoio parlamentar ao governo. A repetição de episódios destes vai minando a Geringonça e adivinham-se novos confrontos entre governo e parlamento.

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publicado às 21:45

Angola na era da pós-verdade

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.01.17

jornal de angola.png

José Ribeiro

 

 

(...) Portugal prepara-se para exercer uma interferência em massa nas eleições gerais deste ano em Angola. Com a ajuda de antigos colonos, servidores do apartheid, finança internacional, falsos jornalistas, canais televisivos e revolucionários de pacotilha, está em curso um plano diabólico. Talvez não fosse mau seguir as lições do passado e o exemplo de Trump. Deixem ser os próprios angolanos a decidir sobre os seus destinos!

 

Fantástico! Vale a pena ler este editorial de José Ribeiro no Jornal de Angola, um esteio do jornalismo livre e obviamente não alinhado com o totalitarismo reinante naquela democracia musculada.

 

Que tal uma série sobre os agentes secretos portugueses em Angola - Angola e o plano diabólico português.

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publicado às 21:14

...e em França...

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.01.17

primarias esquerda franca.jpg

 

Disputam-se hoje as primárias da esquerda (e não as primárias das presidenciais, como se ouve na RTP), com escassíssima afluência às urnas. Marine Le Pen a caminho do Eliseu.

 

marine le pen.jpe

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publicado às 10:19

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