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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Das referências

A diferença entre o despojamento, a generosidade e a integridade de Ramalho Eanes e os de outros candidatos, é que o primeiro não precisou de se adjectivar nem de proclamar os seus créditos de honestidade e seriedade, as suas qualidades de servidor público e amante da Pátria - isso foi a imagem com que o País ficou dele pela sua atitude a pela sua forma de fazer política.

 

A ambição em ser Presidente da República é legítima e pode ser a de qualquer um de nós que se sinta capaz e com vontade de exercer o cargo. A menção de Ramalho Eanes, porque é uma referência em Portugal, tem o perigo de ser interpretado como uma manobra de marketing algo desastrada e, parece-me, sem qualquer efeito nos cidadãos. Além disso, Eanes foi Presidente numa altura específica e especial, como esta agora também especial e específica é, não valendo a pena forçarem-se paralelos para empolgar os incréus.

 

A moralidade e a idoneidade fazem (ou não) parte de cada um e é com as suas características que cada candidato deve apresentar-se ao eleitorado, não com aquelas que pensa que serão mais aceitáveis. O carisma tem-se, não se pede emprestado.

 

Independentemente de não me rever nas candidaturas de Henrique Neto e de Sampaio da Nóvoa, ambos merecem o nosso respeito por terem clarificado as suas intenções e por se disponibilizarem para a corrida à Presidência. A democracia faz-se exactamente com alternativas e com coragem política. Aguardemos que outras personalidades sintam também esse apelo de cidadania, seja qual for o seu espaço político. É mais que tempo de se delinerarem as propostas para o novo ciclo político. Quanto mais cedo, melhor.

Raízes


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 Mary Ellen

1.

O nosso amor é terreno

sobrevive aos desarrumos aos enxovalhos

ao desaprumo às curvas da desilusão.

 

O nosso amor é sereno

carente de afagos de encostos

adormecidos nas almofadas da paixão.

 

O nosso amor é divino

confortável e demente destino

de raízes permanentes em contradição.

 

 

2.

A cor breve da manhã uma melodia

sem sentido um toque sem aviso

um olhar cheio de rosas o abismo

de uma página em espera a melancolia

da terra sedenta tudo me sabe a sal.

 

Como as indizíveis horas

em que calo

o amor que te tenho

e me embala.

Manoel de Oliveira

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 Manoel de Oliveira

 

Correndo o risco de ser proscrita pelos amantes do cinema, nunca fui apreciadora da obra de Manoel de Oliveira. Com excepção do iniciático Aniki Bóbó, os poucos que tentei ver, posteriormente, foram desilusões tremendas e afastaram-me dos seus filmes. Lembro-me de, num documentário sobre Agustina Bessa Luís ter percebido que ela discutia sempre com Manoel de Oliveira a propósito das adaptações que fazia dos seus livros, o que me fez solidarizar-me de imediato com ela.

 

Mas Manoel de Oliveira é reconhecido mundialmente pelos seus pares, tem uma obra centenária, que atravessa os séculos XX e XXI e a própria hstória do cinema, viveu muito e produziu muito, foi admirado por realizadores e actores com quem trabalhou, levou o nome de Portugal pelos vários festivais de cinema por esse mundo fora. São-lhe por isso devidas as homenagens que se devem às grandes figuras da cultura (portuguesa).

Do próximo Presidente da República (4)

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 António Sampaio da Nóvoa

 

Citando Eduardo Pitta, a Esquerda prepara-se com afinco para perder as Presidenciais de 2016.

 

Não estão em causa as qualidades de Sampaio da Nóvoa mas sim a capacidade de envolver e motivar à participação cívica nas eleições, para empolgar e fazer renascer a esperança dos cidadãos, para conseguir retirar a cada um de nós o melhor que temos para dar, enquanto membros de uma sociedade que está exausta e deslaçada.

 

Se for esta a candidatura do PS, considero-a um erro que terá proporções de arrastamento para uma escassa vitória nas legislativas, como já defendi, e reduzirá, em vez de aumentar, o espaço político necessário a uma maioria absoluta.

 

Não é aos partidos que compete a escolha de um candidato presidencial mas nenhum candidato com ambições de vitória avançará sem a certeza de um apoio partidário. Sampaio da Nóvoa, se aparecer rodeado por Mário Soares, como vem noticiado, reduz muitíssimo a margem para o aparecimento de outro candidato que possa englobar o PS e uma multidão de pessoas que votaram nas primárias e esperam que António Costa apresente a estratégia ganhadora para as legislativas e para as Presidenciais. Infelizmente, quanto mais tempo passa mais longínqua me parece essa possibilidade.

 

O PS precisa de realismo e coragem, não se socorrendo das bandeiras da intelectualidade para se afirmar de esquerda. Nada disso arrebata nos dias de hoje, pois tudo é feito de forma massificada e histriónica, com pouca substância e muita forma repetitiva e massacrante, o que cansa de imediato porque não significa nada.

 

Reafirmar valores e enfrentar o politicamente correcto é essencial para desmontar o totalitarismo emergente dos big brothers fiscais, da mediocridade reinante, das listas de pedófilos e de contribuintes VIPs, das causas fracturantes e dos comentadores econométricos, da notável falta de rigor e honestidade intelectual, da devassa da privacidade e atropelo aos direitos, liberdades e garantias em nome do moralismo abjecto e incapacitante.

 

É urgente que apareçam candidatos que tenham credibilidade, que tenham carisma, à esquerda, à direita, ao centro, em qualquer localização espacial. Estamos todos sedentos de gente séria, de gente da política, de gente que tenha vergonha e que não nos envergonhe.

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