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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Das armas contra o terror

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Hoje não é possível deixar a indignação silenciosa, dentro de cada um de nós. Um dos valores da nossa sociedade tolerante e democrática - a liberdade - foi usada precisamente para acabar com ela.

 

Ninguém pode deixar de mostrar a sua revolta, sob pena de perdermos um dos bens mais preciosos ao ser humano - a liberdade de expressão de pensamento.

 

Mais perigosa que as espingardas e as metralhadoras, que os tanques e as bombas, são a literatura, a pintura, o humor, a ironia, o sarcasmo. O atentado de hoje, em que foram assassinadas 12 pessoas que usavam o humor para explicar e viver a sociedade é uma infâmia, um crime sem qualquer tipo de justificação.

Da volta à realidade

A crise e o caos nas urgências hospitalares enchem diariamente as páginas dos jornais, como se fossem uma novidade. Pois não são. Todos os anos essa mesma crise repete-se.

 

Qual é então a novidade e/ ou objectivo destas notícias? Em primeiro lugar não se percebe a insistência no Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), obviamente e já há muitos anos subdimensionado para a população que serve. Em segundo lugar, se em cada ano as dificuldades são maiores, isso resulta apenas da cada vez maior redução de recursos que existe no SNS, humanos e técnicos, o que era espectável perante a política e desinvestimento acelerado nos serviços públicos, neste caso de saúde, e pela desagregação e desmantelamento dos equipamentos hospitalares que tem sido o apanágio deste governo.

 

Ainda há pouco Judite Sousa e Marcelo Rebelo de Sousa teceram considerações sobre o elevadíssimo montante que a ACSS ou a ARSLVT ou o governo estariam dispostos a pagar para que os agiotas dos médicos se dispusessem a acudir às populações. Repentinamente já se podem contratar 10 médicos, quando durante anos não houve autorização para substituir os que foram saindo dos quadros dos serviços.

 

A verdade é que a hemorragia de quadros de Portugal para o resto do mundo está a ter as repercussões que se previram. E mais terão. Além dos baixos salários que o estado pratica, cada vez há menos condições para que se mantenham os serviços com um mínimo de qualidade. Como há uns dias uma reportagem do Público demonstrava, há médicos de 54 anos a desistirem de lutar em Portugal.

 

Este é o retrato do país que nos deixa esta especial governação – envelhecido, triste e desesperançado, com o número de beneficiários do subsídio de desemprego a diminuir, não porque haja mais emprego, mas porque o desemprego de longa duração retira até o direito aos apoios cada vez mais escassos.

 

Acabaram-se as festas – a realidade voltou. E ela é a mesma de 2014.

Do prazer de viajar

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Viajar é das coisas que mais gosto de fazer. O absoluto prazer de ver outras paragens, outras pessoas, outras realidades, misturar-me com as culturas locais, ver as ruas, os rios, os barcos, os automóveis, os trajes, as casas, as comidas e bebidas, os hábitos, a língua, enfim, experimentar bocadinhos do resto do mundo.

 

Confesso, no entanto que, à medida que os anos passam, me vou transformando numa viajante mais exigente e mais burguesa, pois a aventura de dormir ao deus dará, sem certezas nem conforto, são-me cada vez menos apelativas.

 

Sabendo desse meu gosto inesgotável, fui presenteada com duas séries de viagem efectuadas e narradas por Michael Palin, interessantíssimas, leves e bem dispostas, com o picante do inesperado, de coisas que foram correndo menos bem e outras dentro ou acima do esperado. A volta ao mundo em 80 dias, em que se procurou reproduzir a viagem de Phileas Fogg, herói de Júlio Verne, inaugurou um determinado tipo de documentários sobre viagens e viajantes, penso eu. Em relação a Himalaias, estou a rever a série porque esta já passou num dos canais da televisão, não me lembro qual, e é deslumbrante.

 

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Não podendo eu mesma fazer este tipo de viagens, sabe-me imensamente bem partilhar as aventuras de quem as arriscou e aproveitou. Só tenho pena que a minha fluência em Inglês não me permita comprar mesmo as séries não legendadas que, mesmo em inglês, ajudam bastante.

Um dia como os outros (148)

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(...) Como já escrevi, a prisão preventiva foi aqui utilizada para investigar mas também para aterrorizar, para despersonalizar - e para calar. Hoje, quero dizer mais: neste caso, prendeu-se também para, em certo sentido, "provar". Porque quem quis esta prisão infundada sabe bem que a prisão funciona como prova aos olhos da opinião pública – "se está preso alguma coisa deve ter feito", é o que as pessoas tenderão a pensar. E muitas, na sua boa-fé, estarão convencidas de que para haver prisão preventiva é porque hão-de existir, na parte ainda secreta do processo - por azar, logo aquela única parte a que os jornais não conseguiram ter acesso... - "provas muito sólidas" ou pelo menos "indícios muito fortes" da prática dos tais crimes graves. Mas a verdade é que não há. E todos sabemos que se isso existisse já teria sido publicado nos jornais do costume! Só que, entretanto, aos olhos da opinião pública, a prisão substitui-se ao processo, à investigação, à instrução, aos indícios, às provas, ao contraditório, ao julgamento - e até à sentença. Afinal, se ele está preso, que mais é que ainda é preciso provar? A resposta, porém, por estranho que pareça, é esta: tudo. Falta provar rigorosamente tudo. (...)

 

José Sócrates

Das pesquisas para agendamentos científicos

Nada como começar o novo ano com grandes projectos de formação e investimento profissionais.

 

Temo, no entanto, que estas resoluções de ano novo se demonstrem frustrantes - os preços são de molde a fazer desistir o mais resistente poupador compulsivo - só as inscrições, viagens e estadia somam mais que o ordenado de 1 a 2 meses. Vale a pena também pensar nisso, quando se lêem estas notícias.

 

Mas enfim, é preciso optimismo - com tanta preocupação governamental pela qualidade de atendimento e pela saúde dos doentes em Portugal, de certeza que os Hospitais vão alargar os cordões às bolsas e começar a comparticipar nestas acções de formação...

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