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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da nova oposição

Não basta que as sondagens demonstrem que há um novo caminho a percorrer e que há urgência e ânsia pelo início desse caminho. António Costa tem carisma e é, neste momento, o líder incontestado do maior partido da oposição. Porque temos de novo oposição.

 

Independentemente da construção de plataformas de entendimento com outros partidos que aceitem sem reservas a democracia, é muitíssimo importante que o PS ambicione e construa uma maioria absoluta para uma alternativa sólida de governo. A situação do país e da Europa é demasiado grave para que a base eleitoral do próximo governo não resulte de um largo consenso em relação a áreas chave da nossa vida comum.

 

Não é de pactos de regime, consensos ou reflexões urgentes que precisamos mas sim da afirmação de políticas sérias e que tenham como objectivo repor o primado do bem estar dos cidadãos e do serviço público, do reconhecimento que Portugal não pode aceitar ser minimizado na sua soberania e na sua independência perante a centralização do poder cada vez menos democrático da Europa.

 

Não há que ter medo de enfrentar os assuntos, sejam eles quais forem. Os compromissos internacionais para com os credores devem ser cumpridos de forma a parar com a delapidação da sociedade livre, solidária e democrática a que temos assistido nos últimos anos.

 

Os fenómenos populistas tendem a ocupar o vazio em tempos de descrédito, insegurança e pobreza. É preciso inverter a queda para o abismo. Temos condições para lutar - renovação dos princípios e valores, realinhamento do que de essencial é preciso preservar; mobilização de vontades e de esperanças - é possível mudar.

Demasiado

daniel.png

 Daniel Arsham

 

 

1.

Antes que o mar me inunde

enrolando em ondas e pedras fragmentos de pele e alma

antes que o vento me afogue

em estilhaços de sopro e esquecimento

espalho brasas e olhos

e aprendo a massa do infinito

com que resitimos às tempestades de medo.

 

2.

Nem grande nem perfeito o nosso sonho de felicidade

nem fugaz nem perene a nossa funda imperfeição.

 

 3.

Como gato em fuga aguardo uma porta

entreaberta um silêncio desprevenido uma candura

de espírito ausente para activar um desaparecimento

instantâneo.

 

4.

Realidade demasiada e solitária rasura

linhas longas e sinuosas de apagamento.

Hoje, como então

 

Hoje, como então, é da varanda da Câmara Municipal de Lisboa que se corporiza a esperança. Da solenidade dos discursos retiraremos apenas a linguagem secreta e universal dos olhares, comodidades e incomodidades de postura e sorrisos.

 

Hoje, como então, esperamos recomeços e continuidade - na liberdade, na democracia e na solidariedade de uma vida em comunidade.

Dias despidos

Eyes as big as plates

Agnes 1

Eyes as big as plates

Agnes 2

Riitta Ikonen & Karoline HJorth

 

Ainda está bom tempo e os fins-de-semana são aproveitados para passear. De certa maneira fazemos voltas semelhantes, pois vamo-nos prendendo a hábitos, mesmo os hábitos do lazer: o café de manhã, o jornal que se folheia, a tv aberta em programas tontos, as ruas cheias de gente, o vagar das livrarias, os restaurantes ainda vazios à uma da tarde.

 

Passamos por muita gente velha, que atravessa a rua lentamente, sem olhar nem se assustar, curvados para o chão ou buscando o horizonte enevoado atrás dos óculos, com bengalas que não usam e eternos saquinhos de plástico com misteriosos conteúdos, outros com sandálias e calções, ipads assestados à paisagem urbana, não sei bem se gostam ou se apenas cumprem um ritual.

 

Vejo-me daqui a uns anos, igual em vagar e alheamento. No entretanto vou gozando os dias abertos e despidos de afazeres, tão poucos que se escoam rapidamente entre os dedos.

Da conglomeração da esquerda

 

António Costa precisa de aglomerar a esquerda. A sua presença no I Congresso do Livre é um bom sinal. E os seus opositores estão muito preocupados. O BE esfrangalha-se e o PCP teme o voto útil. Quanto a Marinho e Pinto talvez tenha subestimado a tolerância dos ses compatriotas. Havendo quem mobilize os votos com esperança na mudança, deixam de fazer sentido os vendedores de ilusões e semeadores de virtudes.

 

Agora António Costa e o PS têm que se voltar para o seu verdadeiro opositor - este governo e a sua base política. É urgente que se construa uma alternativa com uma sólida e alargada base de apoio. É urgente discutir a crise, a Europa, a dívida, os serviços públicos, a solidariedade, o desemprego, o investimento, a sociedade digna e decente em que queremos viver.

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