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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da réstia de esperança

 

Gostei do discurso, da postura, do ênfase com que António Costa apresentou a sua candidatura. Precisamos de alguém mobilizador, com carisma e que levante a esperança.

 

Mas António Costa terá que fazer mais que isso. Por enquanto ficaram de fora ideias para a concretização dos seus objectivos, formas que reproduzam os seus valores.

 

António Costa não precisa de se debulhar em medidas para todos os dias, nem publicitar as promessas de milagres a acontecer se conseguir ser Primeiro-ministro. Mas se não disser claramente ao que vem e como fará quando chegar, será mais um balão a esvaziar, mais um profunda desilusão.

 

E nós já não temos folga para mais desalento.

Um dia como os outros (141)

Desde as europeias, o PS

Desde a noite das eleições europeias, o PS entrou finalmente em ebulição. Infelizmente, por enquanto, para dar aos portugueses todos os sinais de que a desconfiança com que olham para a sua actual direcção é justificada.
Na noite de domingo, Assis e Seguro tentaram a chico-espertice táctica de se auto-proclamarem grandes vencedores de uma contenda em que não o foram. Mas esta questão já está suficientemente analisada. Adiante.
António Costa, de seguida, teve o sobressalto cívico e a energia anímica que lhe faltaram na noite do abraço de há um ano, simplesmente proclamando como a criança da fábula que o rei vai nu. Evidentemente, ao fazê-lo, tal como a dita criança criou um problema ao rei, à corte e mesmo aos súbditos que aplaudiam e foram subitamente confrontados com essa denúncia de nudez.
A reacção de Seguro foi a pior possível. Revelou a público os traços autoritários que tinha meticulosamente protegido nestes anos, exteriorizou a raiva acumulada contra o seu adversário de décadas, expôs como nunca antes tinha feito a sua relação com as questões de regime. Numa semana, a grande vitória do PS passou a ser a expressão da grande crise do sistema político e, qual Manuel Monteiro dos velhos tempos, promete sangue contra "os políticos" ao povo. De uma só medida, nada menos que a maior redução de deputados desde 1975, uma reforma do sistema eleitoral, uma nova lei de incompatibilidades e, para o PS, um sistema de eleições primárias abertas. Todos sabemos o que Seguro pensava ainda há pouco tempo d as primárias abertas e todas as outras medidas foram já discutidas vezes sem conta dentro e fora do PS sem que houvesse a vocalização de tão profundo descontentamento e necessidade de tão radical mudança. Porquê agora?
Porque há lideranças políticas para quem princípios são a expressão conjuntural das prioridades tácticas. Seguro tem hoje três objectivos tácticos - dificultar ao limite a possibilidade de ser formalmente deposto do seu lugar de Secretário-geral, prolongar ao máximo o tempo que medeia entre o choque eleitoral da auto-proclamada vitória que demonstrou a nudez da sua liderança e a disputa da liderança do PS e colocar entre hoje e o seu confronto com António Costa momentos para recuperar o controlo ameaçado das estruturas intermédias do partido em que assenta o seu poder. É ao serviço desses objectivos que se entende a sua actuação na aberta crise do PS.
As suas propostas sobre o sistema político são uma mera manobra de diversão para tentar dar uma aparência séria à sua conversão súbita - para ganhar tempo - a umas eleições primárias que exigem um recenseamento, que carecem de um estudo de "direito comparado" que na solidez das suas convicções nunca tinha pensado em pedir e que fez questão de impor que se disputassem a quatro meses de distância, a ver se a irritação com a sua falta de capacidade de liderança democrática arrefece. Vamos a ver se nos próximos dias não surgirá a cereja em cima do bolo desta táctica com a convocação de congressos distritais para antes - repito, antes - das eleições primárias, na expectativa de colar alguns cacos partidos em certas distritais a tempo.
António Costa tem resistido estoicamente a todas as armadilhas de abertura de pretensos debates sobre a natureza do sistema político, sobre a legitimidade das manobras estatutárias, sobre o formalismo intermitente com as conveniências sobre as regras desta disputa. Mas arrefeceu o ímpeto com que apresenta novas ideias ao país, embora esteja mais que a tempo para ir concretizando as linhas estratégicas que o diferenciam de Seguro para além de todas as diferenças de estilo, de personalidade e de concepção da vida política que todos sabemos que o distinguem.
Com o PS afundado pelas manobras da sua direcção num crise que será prolongada em vez de rápida, como deveria ser; com as fragilidades políticas do seu líder, exposta pelas suas performances televisivas em período de maior exposição; coma mediocridade dos principais dirigentes actuais visibilizada  pela sua súbita aparição e em algum casos pelas suas patéticas declarações e ameaças, o PS desce nas sondagens.
Os portugueses descobrem que o rei vai nu e este, em vez de olhar as suas vestes, indigna-se com quem diz em voz alta que o vai e o risco que é para o PS, o país e a democracia não o apear. Uma volta esta manhã pelas páginas de Facebook dos dirigentes do PS não deixará margem para dúvidas. António José Seguro e a sua corte não percebem o que estão a fazer à credibilidade do PS e acreditam na teoria do inimigo interno. Felizmente não têm os instrumentos que outros cultivadore dessa teoria tinha. E também felizmente mesmo com quatro meses arrastando este circo pelos média, o povo socialista vai acabar com esta tragédia antes que se torne farsa. 
A alternativa da esquerda democrática para Portugal segue dentro de momentos. pedimos desculpa por esta interrupção.

Das indignações de Seguro

 

 

Leio, indignado, as sondagens do Expresso e do jornal i que dão uma queda brutal ao PS.
Este é o resultado da irresponsabilidade do António Costa.
Os danos provocados ao PS devido à sua ambição pessoal!
Um PS em queda, depois de termos ganho as eleições europeias e do Governo ter chumbado pela terceira vez no Tribunal Constitucional.
Lamentável.
O PS não merece isto!

 

António José Seguro

 

 

António José Seguro só se indignou com umas sondagens. As outras achou melhor ignorar. António José Seguro está, objectivamente, a destruir o partido e a condenar o País a nova vitória da direita, nas próximas legislativas. Tanta cegueira e tanta falta de nível é difícil de imaginar.

 

O PSD/CDS já delinearam a sua estratégia - contar com o Presidente da República para usarem o TC como causa próxima da precipitação da queda do governo, para que haja eleições antes da disputa entre António Costa e o actual Secretário-geral do PS.

 

António José Seguro arrasta-se e arrasta tudo com ele. Isto é mesmo demasiado mau. Isto é mesmo inaceitável.

 

Das desinformações jornalísticas

 

Qualquer semelhança ente a notícia da TSF e o comunicado do SIM é pura coincidência.

 

(...) A Federação Nacional dos Médicos e o Sindicato Independente dos Médicos convocaram uma greve para 8 e 9 de julho, uma decisão tomada após uma longa reunião realizada na sexta-feira. (...)

 

(...) Na base desta protesto está a proposta sobre a existência de um Código de Ética, que a Ordem dos Médicos rejeita tendo mesmo pedido ao ministro da Saúde para que recuasse nesta matéria. (...)

 

TSF (07/06/2014 - 01:19)

 

 

(...) Reunidos hoje durante 4 horas com o Sr. Ministro da Saúde, conjuntamente com a Ordem dos Médicos e a Federação Nacional dos Médicos (e após uma reunião prévias das três organizações médicas), foram apresentados conjuntamente pelas duas associações sindicais médicas os pontos abaixo discriminados, os quais mereceram do Sr. Ministro uma aparente receptividade e uma resposta genericamente pela positiva, (...)

 

(...) Relativamente á resolução anunciada na reunião pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM) de decretar uma Greve Nacional dos Médicos, o SIM manifesta desde já e publicamente a sua compreensão pela opção, caso esta se confirme.


As várias organizações médicas possuem os seus órgãos dirigentes eleitos e dotados de natural autonomia de decisão conferida pelos respectivos estatutos. Nesse sentido, é natural que existam diferenças de avaliação das situações político-sindicais e de posicionamento perante os problemas concretos que afectam os médicos.


Cada organização médica é livre de tomar as posições que entender e de assumir, por essa via, as suas responsabilidades perante os médicos em geral e os seus associados em particular.

 

O Secretariado Nacional do SIM (reunião com o Ministério da Saúde - 06/06/2014)

Dos sobressaltos (in)constitucionais

 

O governo de Passos Coelho e Portas, assim como a maioria que o sustenta, vai continuando a pressionar o Tribunal Constitucional, para que a opinião pública fique com a ideia de que o chumbo das normas orçamentais fazem parte de uma posição política dos Juízes e não de uma decisão baseada nos preceitos da Constituição. Toda a manobra do pedido de aclaração assim o demonstra.

 

É claro que temos um presidente que continua a fingir que não entende este clima de guerrilha institucional que o governo e a Troika mantém. 

 

Porque o problema está posto exactamente ao contrário - que está a causar um permanente sobressalto constitucional é o governo pois insiste em fazer orçamentos inconstitucionais.

 

Continua o folclore. E António José Seguro vai queimando em forno lento a hipótese de fazer oposição com a triste figura que se arrasta dia após dia.

 

Um dia como os outros (140)

 

(...) No Sábado, a surpresa: Seguro recusa discutir a convocação de congresso; tira da cartola a bicefalia, com eleições primárias para um cargo de futuro incerto, garantidamente gerador de instabilidade, o de candidato a primeiro-ministro. Sem regulamento que o suporte, nem calendário que o materialize. Lá fora as pessoas perguntarão: para quê dois, em vez de um só, designado por sufrágio universal de militantes? Dois galos no mesmo poleiro cantarão afinados? Por que razão Seguro propõe agora o que recusou há dois anos? Quem define, aceita, inscreve os simpatizantes eleitores? Como se previne a chapelada das inscrições a granel? Faltando 14 meses para legislativas, queimar meio ano num processo inovador mas desconhecido, deixando o governo a apascentar cabras em terreno de cultivo, não será o passaporte para uma derrota? Responder a uma sociedade civil, que só deseja Passos e companhia pela borda fora, com procedimentos inexperimentados, complexos, duvidosos e demorados, não será aumentar o desânimo?

 

António Correia de Campos

 

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