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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Do desespero

Alberto Martins quer uma coligação com o PCP e o BE - a sério?

 

Com os mesmos partidos que consideram que o PS tem prosseguido, desde 1975, uma política de direita, de destruição do Estado Social e dos direitos dos trabalhadores?

 

Com os mesmos partidos que elegem o PS como um dos seus principais inimigos e que, sempre que consideram que isso serve os seus intentos particulares, se coligam com a direita para derrotar o PS, independentemente do que isso signifique para o Estado Social e os direitos dos trabalhadores?

 

Desespero, a quanto obrigas.

Da mediocridade reinante

É patética a figura de António José Seguro. Agarrado que nem uma lapa aos estatutos que impedem a disputa interna do seu lugar, arrasta-se penosamente, lançando veneno contra António Costa, esquecendo que vai estraçalhando o partido e o País. De uma coisa estamos certos - o PS com este líder está cada vez mais longe de uma vitória nas eleições legislativas.

 

António Costa tem resistido a responder no mesmo tom. Ainda bem. Que se demarque desta mediocridade imatura e infantil, desta péssima peça teatral em que ninguém acredita e em quem ninguém se revê.

Papa Francisco

 

Desconfiei sempre muito do que se dizia do Papa Francisco. De repente, logo após a sua eleição, o Papa Francisco era, praticamente, o novo Messias.

 

Assisti à entrevista que deu a Henrique Cymerman, com interesse crescente. É excelente e reveladora de alguém que se despoja do título mas entende a solenidade do mesmo e que dá a ideia de viver o que sente. Extraordinário o que diz sobre a globalização, a ideologia económica e social de hoje, as desigualdades, a nobreza da política, o anti-semitismo, o diálogo inter-religioso, as perseguições a cristãos. Não tem medo de ser politicamente incorrecto mas tem o cuidado de não ofender nem dividir.

 

Muito, muito interessante. Vale a pena ouvir e meditar.

 

 

 

Do esgotamento democrático

 

É muito interessante ouvir e ler algumas pessoas / agrupamentos partidários usarem a expressão - a democracia não se esgota nas eleições. São habitualmente as / os mesmas (os) que nunca aceitaram nem aceitam os resultados eleitorais.

 

De facto as eleições não são tudo - e têm que ser livres, sem censura, com liberdade de expressão de pensamento, imprensa livre e justiça a funcionar. Mas são a base e a fundação da democracia representativa. Qualquer desvalorização de eleições livres são sintoma de cultura totalitária, com ou sem roupagem de grande preocupação pela vontade do povo e das massas trabalhadoras.

 

Cinema Ideal

 

Nunca fui ao Salão Ideal nem sabia que tal sala de cinema tinha existido, quanto mais que fora a primeira sala de exibição cinematográfica de Lisboa.

 

Hoje, ao ler o Público, apercebi-me que ia ser reinaugurado como Cinema Ideal, na Rua do Loreto, a sua localização original. Fiquei muito curiosa e com grande vontade de lá ir. A ideia de uma reconstrução que devolva aos cinemas a sua mística, que os transforme em locais de convívio e bom cinema, sem que obrigatoriamente se passem os êxitos de momento, parece-me excelente.

 

Nunca me habituei às pipocas com Coca-Cola. Esta moda importada dos EUA, tal como o dia dos namorados e o dia das bruxas não me leva mais vezes ao cinema, bem pelo contrário. Neste caso (como em muitos outros) sinto-me retrógrada e fora de época. Tenho imensa pena, por exemplo, de terem acabado os bilhetes de cinema personalizados. Havia-os para todos os gostos e cada sal de cinema e cada filme eram especiais. Cheguei a juntar alguns, tal como de teatro e de museus, numa espécie de colecção da qual desisti rapidamente. Não sou mulher de coleccionismo.

 

A emoção do bilhete na mão, o escuro e o silêncio da sala, a comunhão de gargalhadas e de susto, de tristeza e de carinho, com a mole anónima à volta, era especial e mantém-se inalterada.

 

Um dia como os outros (143)

(...) quando foi que nos habituámos a aceitar que somos impotentes? que as coisas são o que são? que as decisões dos conselhos de admnistração, como 'dos mercados', são tão inelutáveis como as forças da natureza? quando foi que ficámos tão cobardes?

 

que aconteceu às comissões de trabalhadores, às negociações entre trabalhadores e empresas, aos compromissos, aos acordos, à divisão de forças? que aconteceu à nossa voz? que aconteceu connosco?

 

colectivo, nisto, só o despedimento. é bom que pensemos nisso -- porque, na nossa hora, teremos por nós exactamente o que agora oferecemos.

 

Fernanda Câncio