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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

A nós

 

Picasso

 

Alguém de quem eu gosto muito, e que nunca se esquece de algumas datas especiais, disse-me ontem que já tenho mais anos de casada do que de solteira.

 

Já são muitos os anos, de facto. E mesmo sem a pompa e a circunstância dos votos matrimoniais ritualizados perante um qualquer ser divino, vamos renovando o carinho e o amor mesmo sem querermos, diariamente, com as mãos que se encostam, com as cumplicidades dos dias claros e a sabedoria dos dias escuros, com a privacidade e a intimidade de quem se gosta e se vai conhecendo, num mundo de partilha e de fragmentos de felicidade.

 

Ontem lá fomos degustar o menu de 5 sabores da Tasca da Esquina, reboludos burgueses de meia idade, que ainda se não cansaram da mútua companhia. Bom vinho, farófias e mousse de chocolate, uma mesa pequena e elegante, numa sala pequena e recheada de turistas. Noite amena e de primavera, como são aquelas em que brindamos a nós.

 

Chuva

 

 

Tiago Taron

 

 

Olho para os anos que passei em constante aprendizagem, mudança e determinação, em todos os que comigo partilharam tanto bons como maus momentos, todos intensamente vividos, em gargalhadas, irritações, desesperos e emoções, abraços e gelo, cumplicidade e carinhos de quem está sempre disponível para servir.

 

Ciclos que se abrem e fecham fazem da minha vida um carrossel permanente. Às vezes nem sei o que me leva para os caminhos que percorro, mas tenho tido a sorte, a felicidade e o privilégio de amar e ser amada, que é mesmo o melhor de tudo. Obrigada pela confiança, entrega, exigência e persistente desafio, que preencheram cada momento e o tornaram especial e único, como só os tesouros o são.

 

Chuva

Mariza

Jorge Fernando

 

Do descaramento

 

 

Há que se espantar sempre com o descaramento de certas personagens. Eduardo Catroga é uma delas. Vale a pena ouvir esta entrevista, em que se gaba de ter sido convidado por Passos Coelho para a pasta das Finanças, que recusou, e depois da maravilhosa negociação do memorando, que ele transformou em fantástico, critica a política do governo.

 

Como ele diz, o cavalo do poder é uma pileca que se apresta a ser cavalgado apenas por alguns, ciclicamente os mesmos.

 

Outros desavergonhados desdizem-se semanas, meses ou anos após os mais solenes compromissos - não aumentar impostos, pedirem desculpa aos portugueses, condenarem certas políticas e agora virem a abraçá-las sem se penalizarem. Enfim, tantos são os exemplos que arrepia.

 

E são estas as pessoas e as formações que as elegem e que se apresentam, sempre, como se nada de bizarro se passasse, como se de nada fossem responsáveis.

 

As sondagens mantém o resultado do PSD e CDS quase idêntico ao do PS. António José Seguro merece uma derrota tão estrondosa como Passos Coelho ou Paulo Portas. Entretanto outros partidos não existem para os media.

 

 

Dia da Mãe

 

 

 

Dia após dia entre as curvas da vida

embalo a mão no teu ombro

adoço a voz e a alma.

Quando me canso do mundo

repouso no espaço que me dás.

 

Partilhamos simples banalidades

gestos em que não nos dizemos

importantes solenes dispensáveis obrigatórios

nesta amálgama quotidiana que se passa

entre o branco dos cabelos nas rugas

deste tempo de nada em que tudo se encontra

e se desfaz.

Das percepções políticas

Quarenta anos depois dos dias 25 de Abril e 1º de Maio de todos os encantos e saudades, temos que mudar. Não com um golpe de estado - vivemos numa democracia - mas a partir de dentro.

 

Tenho votado sempre no PS porque, apesar de todos os problemas e discordâncias, é o partido que mais se aproxima da minha forma de estar. Mas o PS, tal como os outros partidos que se iniciaram e/ou cresceram durante estes 40 anos - PSD, CDS e BE, para não falar de um partido com história anterior, de antanho e conservador, PCP - não dão mostras de perceberem o quanto é preciso renovação, desde a escolha dos líderes à auscultação dos anseios da população, das medidas inovadoras e credíveis ao ganho de confiança dos eleitores e, mais importante ainda, à existencia de uma visão para o País, dentro de um quadro europeu que se discuta por todos os estados-membros, sem menorizações nem condescendências.

 

Tenho assistido com algum cepticismo ao emergir de algumas associações/ partidos políticos. Mas a verdade é que estou cada vez mais convencida de que a constituição de novos agrupamentos políticos, dentro do quadro constitucional de pluripartidarismo, pode ser o começo de uma reforma do sistema político, pode ser o início da reconciliação dos cidadãos com a política e com os políticos. Pessoas que arriscam a defesa das suas ideias procurando construir, para além da crítica sistemática ao sistema, merecem-me o maior respeito.

 

É possível que a votação em agrupamentos e partidos que, pelo menos para já, terão pouca representação parlamentar, abra ainda mais a dificuldade de formar governos estáveis em coligações. Por outro lado pode ser que, com novos protagonistas, seja possível alargar plataformas de entendimento numa determinada área política para assumir o poder. E pode ser a única forma de conseguir que os eleitores votem, alargando o leque de escolhas.

 

As próximas eleições para o Parlamento Europeu estão a ser instrumentalizadas pelos chamados partidos do arco da governação, levando os eleitores a escolherem consoante estão ou não de acordo com a política deste governo. É claro que essa é uma vertente importante da eleição, mas os problemas de Portugal não são apenas nacionais, são também europeus. Ou seja, estas eleições europeias deveriam ter um enfoque particular na nossa posição face à Europa, tendo um plano para a Europa que queremos que exista, ou para o divórcio europeu, mais ou menos litigioso.

 

Já aqui disse várias vezes que a nossa integração nesta Europa deve ser equacionada, passando pelo manutenção ou saída do euro, significando isso o que significar. As escolhas que fizemos não podem ser eternas e nem devem ser irreversíveis. Penso o mesmo em relação a novas Constituições. Devem discutir-se todas as ideias, sem que nenhuma delas se transforme em tabu.

 

Eu faço um balanço muito positivo da adesão à Comunidade Europeia, mas muito tem que mudar e ser diferente, saibam e possam os nossos representantes pugnar por essa diferença.

 

Outra dimensão importante a reter no resultado das próximas eleições é a opinião em relação à oposição. Será que estes partidos de oposição, com grande preponderância para o PS, merecem o nosso vosso? Terá o PS capacidade, liderança e ideias para defender os valores que apregoa? Os outros partidos - PCP/CDU e BE - foram e são cúmplices da direita, sempre que é o apoio ao PS foi e é necessário. São tão ou mais conservadores que o PSD/CDS, mesmo a coberto de grandes, alternativas e revolucionárias declarações de esquerdismo.

 

Na maior parte dos casos votamos em líderes partidários, muito mais que em programas políticos. Os líderes dos partidos habituais perderam toda a credibilidade, mas também não vejo grande carisma em Rui Tavares, por muito que me seja simpático.

 

Enfim, embora a minha razão me indique o voto no PS, cada vez me sinto mais afastada desse partido e, depois de fazer o EUvox 2014, fiquei espantada com a dimensão desse afastamento. Será que mudo o meu voto?

 

 

 

 

 

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