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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da ignorância das cucurbitáceas

 

 

 

A ideia era fazer um puré de couve-flor com brócolos, mas não tinha couve-flor. Depois pensei em substituir a couve-flor por abóbora, visto que tinha duas abóboras desde há alguns meses à espera da minha paciência para as tratar. Só que as abóboras, para meu enorme espanto, tinham a polpa branca (!) e ficaram reduzidas a 1.600g, pelo que usei a totalidade para o doce.

 

Portanto sobravam as courgettes, pelo que fiz puré de courgettes com brócolos. Tirei a casca às courgettes, cortei-as aos bocadinhos e salguei-as durante cerca de meia hora. Depois enchi uma panela com água, lavei e escorri as courgettes e cozi-as, juntamente com os brócolos. Depois de bem cozidos retirei a água toda e reduzi tudo a puré. Num tacho deitei um bocadinho de azeite e deixei fritar alho em pó, sal, pimenta moída, cebolinho, cominhos e manjericão. Misturei o puré e deixei um pouco ao lume, mexendo bem.

 

Após a surpresa da brancura das abóboras (e da negrura das pevides), reparei que a casca se separava esplendorosamente bem. Cheirei para ver se estavam estragadas, mas não. Retirei as sementes e os fios, cortei-as aos bocados, açúcar (1.200g), sumo de 3 limões, casca ralada como o maravilhoso microplane, 3 paus de canela e lume com tudo.

 

A seguir fui vasculhar na internet que tipo de abóbora tem a polpa branca. Cheguei à conclusão que era a tão famosa abóbora chila ou gila. E ainda, oh ignorância tamanha, em todas as receitas de doce de gila que li, em letras garrafais diziam que NUNCA se deveria usar a faca para descascar ou cortar a abóbora, aproveitando o chão para partir a dita e as mãos para descascar. Só que já era tarde e a faca tinha sido profusamente utilizada.

 

Devo dizer que já provei o doce, que não ficou em fios mas em pedaços, e que me parece bastante aceitável. Se calhar é mais um daqueles mitos urbanos, ou rurais, neste caso.

 

Assim tenho doce de abóbora que já fui distribuindo por gulosos simpáticos. O jantar compôs-se com bifanas de porco, acompanhadas pelo puré descrito mais acima, e com uma bela torta recheada com creme de chocolate. Nada mau.

 

Do condicionamento da vontade popular

 

É bom ter à volta gente com quem se conversa e se discutem ideias. Isto a propósito da lei da limitação dos mandatos autárquicos.

 

aqui me referi a esta trapalhada e ao facto de ser incompreensível haver uma lei que tem que ser clarificada pelo Tribunal Constitucional, pois a interpretação é dúbia tendo os deputados recusado o seu esclarecimento.

 

A minha interpretação do espírito da lei, tal como me parece ter sido ventilado por todos os actores políticos, era que, a bem da democracia, deveria ser impossível a eternização no poder de determinadas pessoas, pois facilitavam a formação de compadrios e tráfico de influências, numa corrupção encapotada e de difícil controlo. Nesse sentido uma lei que limitasse o número de mandatos seria benéfica para a saúde democrática e para a credibilização da política e dos políticos.

 

Só que aquilo que a lei acabou por limitar foi a eternização num determinado local, não de uma determinada função. Ou seja, os partidos, se é que o fizeram com esse objectivo e não por incompetência e iliteracia, ludibriaram os eleitores ao darem a entender uma intenção que não tencionavam cumprir (com excepção do PCP).

 

Mas será que esta limitação é mesmo uma medida democrática? É que, tal como me foi apontado com acerto, esta é uma medida de contornos eminentemente antidemocráticos visto que obriga a uma renovação de representantes à revelia da vontade popular. Ou seja, se o povo quiser eleger alguém, mesmo que por 30 anos seguidos, a vontade popular deveria ser acatada, porque ela é soberana.

 

O facto dos partidos políticos não conseguirem renovar as suas lideranças e os seus protagonistas é motivo de preocupação, claro, mas terão que ser os mesmos partidos, dentro das suas estruturas, a alterar procedimentos. Conduzir o voto do povo, mesmo que a razão pareça nobre e enriquecedora, nunca deixa de ser uma forma de condescendência de cariz totalitário. É aos eleitores que cabe, em última instância, a decisão de apear qualquer representante das suas funções políticas.

 

Penso que esta é uma discussão que vale a pena ter. Na nossa sociedade são imensas as tentações totalitárias de condicionar comportamentos e costumes. O combate à corrupção tem a ver com uma justiça a funcionar e com transparência, o que pressupõe leis perceptíveis e aplicadas com toda a celeridade. Ceder ao politicamente correcto, à demagogia e ao populismo tem sempre custos, mesmo que não nos apercebamos deles no imediato.

Evitar e combater a cegueira

 

 

 

A Fundação Champalimaud premiou, este ano, quatro ONG que actuam no Nepal, informando as populações, formando médicos, operando doentes, numa intervenção sanitária, social e humanitária.

 

As cataratas são uma das afecções que mais contribuem para a enorme prevalência da cegueira no Nepal. É uma doença que se trata com uma cirurgia pouco complicada. O tracoma, uma infecção crónica causada por uma bactéria (Chlamydia trachomatis), que se pode tratar com higiene e antibióticos, é a 2ª causa de cegueira no Nepal.

 

Estas duas doenças são uma tragédia social naquele país e em muitos outros. Este prémio significa mais intervenção da parte de organizações que estão a contribuir para que milhões de pessoas tenham uma vida um pouco melhor.

 

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