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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Rosa sangue

 

 

Amor Electro

 

Ninguém te vai parar, perguntar...

Fazer saber... Porquê?

 

Vais ter de te oferecer,

E entender, o que fará viver?

 

Vê, não basta ir, voar, seguir,

O cerco ao fim,

Aperta, trai, morde, engana a sorte, cai,

Não lembra de ti...

 

É só o amor desfeito,

Rosa sangue ao peito,

Lágrima que deito,

Sem voltar atrás!

 

Cresce e contamina

Tolhe a luz à vida,

Que afinal ensina, quebra,

Dobra a dor e entrega amor sincero.

 

Honra tanto esmero, cala o desespero,

É simples, tudo o que é da vida herdou sentido,

Tem-te se for tido, sabe ser vivido,

Fala-te ao ouvido e nasces tu...

 

Ninguém te vai parar, perguntar...

Fazer saber... Porquê?

 

Por isso vê, não basta ir, voar, seguir,

O cerco ao fim,

Aperta, trai, morde, engana a sorte, cai,

Não lembra de ti...

 

É só o amor desfeito,

Rosa sangue ao peito,

Lágrima que deito,

Sem voltar atrás!

 

Cresce e contamina

Tolhe a luz à vida,

Que afinal ensina, quebra,

Dobra a dor e entrega amor sincero.

 

Honra tanto esmero, cala o desespero,

É simples, tudo o que é da vida herdou sentido,

Tem-te se for tido, sabe ser vivido,

Fala-te ao ouvido e nasces tu...

Dos vários tipos de oração

 

Bansky

 

 

Repetir sempre que os ombros se curvam

 

Tem que haver um outro país, uma outra gente. Tem que haver uma outra Europa, um outro mundo.

Não é verdade a tristeza e a desesperança. Não é verdade a pobreza e a insegurança.

Tem que haver um outro sonho, uma outra certeza.

Sabemos que é possível, sabemos que o ruído dos fatos surdos, os gestos e os sorrisos mudos de quem coordena marionetas, podem mudar. 

Sabemos que tudo muda. Basta juntar os sinos e repicar. Basta juntar as mãos e resistir. Basta abrir a estrada e caminhar. 

Tem que haver um outro viver – vamos lutar.

 

Da indispensabilidade do voto

 

 

 

A nomeação de Maria Luís Albuquerque para Ministra de Estado e das Finanças foi mais um dos colossais erros de Passos Coelho. É difícil perceber tanta falta de sentido político, ou de incompetência. A oposição não existe mas o governo está sempre em perigo de implodir, pelas incríveis opções que vai tomando, isto independentemente das políticas que defende e implementa.

 

Maria Luís Albuquerque tem cada vez menos condições para continuar no cargo. É um massacre diário e ninguém aceita as suas justificações, que são imediatamente desmentidas por outras declarações e por documentos escritos.

 

A apatia e o descrédito que se avolumam entre os cidadãos, fazem perigar a noção do que é viver em democracia. As próximas eleições autárquicas serão um teste à nossa resistência, à nossa vontade de ser livres, à nossa revolta silenciosa.

 

O voto é a nossa melhor e mais potente arma. Não são as redes sociais, os jornais, as televisões, as viagens de táxi, as conversas ao café, na praça ou nos supermercados, não são as homilias de Marcelo Rebelo de Sousa, José Sócrates ou Marques Mendes, as piedosas prédicas de António José Seguro, a permanente má disposição dos líderes do BE, passado e actuais, ou a litania de Jerónimo de Sousa, por muito importantes que sejam.

 

Somos nós, com o nosso voto, que temos o poder. Apenas temos que o assumir. É verdade que não sabemos em quem votar, não ouvimos ideias que nos animem, não vislumbramos alternativas. Mas elas existem sempre, nem que seja na afirmação da vontade de contribuir, de participar, de mostrar que não desistimos de viver democraticamente, por muito difícil e imperfeito que seja o sistema.

 

É preciso votar.

 

Novilíngua

 

Na novilíngua de que fala Pacheco Pereira estão também expressões como liberdade de escolha.

 

Nesse admirável mundo novo que este governo está a construir, todos os cidadãos, nomeadamente os mais pobres, através do cheque ensino e do esvaziar do SNS para os prestadores privados, terão acesso aos melhores colégios e às mais avançadas terapêuticas. Tal como com os seguros de vida e os fundos de capitalização especulativos, que serão, obviamente, a mina de ouro para os pobres trabalhadores. Não haverá despesismo público nem funcionários preguiçosos e cheios de privilégios.

 

Dos fenómenos oposicionistas

 

António José Seguro está a conseguir um feito a todos os níveis extraordinário: com um governo e uma maioria que conseguem empobrecer o país e recuar décadas em termos políticos e sociais, em vez de ser uma luz ao fundo do túnel, desce na intenção de votos ao contrário do PSD e do CDS. Ninguém pode dizer que ele não é um artista, de alto gabarito.

 

Estas eleições autárquicas prometem ser uma derrota para toda a oposição. António Costa perfila-se como Dom Sebastião, e deverá esperar uma manhã de nevoeiro para avançar.

 

Da menoridade literária

 

 

Comprei há poucos dias um livro sobre o qual já tinha lido ser de um jovem autor suíço, que tinha recebido o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa e que era um fenómeno de vendas. Estou a falar de Joël Dicker e de A verdade sobre o caso Harry Quebert.

 

De facto o livro lê-se bem e desperta a curiosidade do leitor, com um enredo cheio de curvas e contracurvas. Provavelmente dará um bom guião de um filme policial, cheio de dinamismo, com um desfecho inesperado. Mas é uma enorme desilusão para quem esperava alguma coisa a mais que entretenimento fútil e superficial.

 

O autor não consegue dar corpo às personagens, que são muito pouco credíveis. O tema é uma miscelânea dos grandes clichés da nossa sociedade contemporânea - laivos de pedofilia com obsessões sexuais, corrupção policial, esquizofrenia e fanatismo religiosos, mães dominadoras e castradoras e paixões assolapadas e doentias, escritores geniais escondidos em gente disforme, enfim, dá a sensação de que o autor foi obrigado a tocar em múltiplas histórias para que as vendas fossem rápidas e garantidas.

 

Quanto à escrita, é simplória, pouco imaginativa, sem qualquer rasgo. Os diálogos são escorreitos, é verdade, e o livro lê-se rapidamente, mas não deixa qualquer marca. Não consigo perceber como ganhou prémios literários, a não ser que a exigência das Academias esteja a um nível baixíssimo ou que a minha exigência esteja insuperável.

 

Outra medida do sucesso dos novos livros é a espessura dos mesmos. Quanto mais páginas melhor. Mastiga-se, mastiga-se, acrescentam-se pormenores e pistas, tiram-se do nada novas personagens e estica-se tudo. Parece uma competição com Stieg Larsson. Só que Stieg Larsson e a sua Triologia Millennium valem trezentas vezes mais, em todos os aspectos.

 

Os livros policiais são entendidos por muitos como literatura menor. Não concordo e já li grandes obras que, à volta de crimes e de mistérios, são verdadeiros tratados de literatura: Almas cinzentas, por exemplo, ou O Nome da Rosa. Talvez Joël Dicker escreva um novo romance, policial ou não, que se redima deste começo tão ruidoso, mas, suspeito, tão fátuo.

Da pluralidade dos projectos educativos

 

 

Tenho estado mais ou menos afastada da polémica sobre o encerramento do Instituto de Odivelas e a junção deste com o Colégio Militar. Nunca fui adepta de colégios internos, quaisquer que eles fossem, com excepção da altura em que li As Gémeas no Colégio de Santa Clara e que me imaginava protagonista de aventuras semelhantes, nem equacionei a hipótese de lá colocar qualquer dos meus filhos.

 

Posso questionar se a oferta deste tipo de colégios por parte do estado faz sentido, nos dias que correm. Sou totalmente adepta da racionalização de recursos e da necessidade, por esse motivo, de tentar juntar os 3 colégios de ensino militar – Colégio Militar, Instituto dos Pupilos do Exército e Instituto de Odivelas. Não tenho nada contra a hipótese do Colégio Militar ser misto, como nada tenho contra a entrada de rapazes no Instituto de Odivelas.

 

O que não consigo compreender é a forma como todo este assunto está a ser debatido. Não percebo porque se foi buscar o problema do género para esta discussão. Num país e numa sociedade que aceita e preza a liberdade, em que tanto se enaltece a possibilidade de escolha entre as várias ofertas educativas, não entendo porque se demonizam os colégios internos, por um lado, a separação entre os géneros, por outro, e ainda o ensino militar.

 

Não concordo? Não, não concordo. Gosto de Escolas mistas, em que convivam rapazes e raparigas, que sejam externos, sem ordens unidas, manejo de armas, puericultura ou dança de salão. Mas isso não implica a obrigação ao pensamento único, com a ridicularização de quem pensa de forma diferente.

 

O único motivo pelo qual se decidiu juntar o Colégio Militar e o Instituto de Odivelas é o económico. Ficam caros, dão prejuízo, são grandes demais para a procura. E que tal propor que esses colégios se auto-sustentem? Talvez quem os procure esteja disponível para pagar mais.

 

É preciso não esquecer que esses Colégios foram muito importantes como apoio aos filhos de militares, nomeadamente na altura da guerra colonial. Funcionavam como ajuda para aqueles que ficavam órfãos, garantindo-lhes uma educação que, de outra forma, seria impossível para muitos. Da mesma maneira que a a Manutenção Militar, a ADME, as Messes, eram uma espécie de complemento e de ajuda para quem ganhava pouco – os militares sempre tiveram (e têm) uma remuneração muito abaixo de outro tipo de carreiras, como Magistrados, Professores Universitários, etc. Não há, neste momento, justificação para manter esse tipo de apoios? Na verdade já foram todos retirados, as remunerações é que não aumentaram, mas isso é um assunto totalmente diferente.

 

Quanto à conversa dos valores e da pátria e do nacionalismo e da excelência. É bafienta e disparatada, como tantas outras sobre a igualdade de géneros, defesa dos homossexuais, salvamento de espécies em vias de extinção e um sem número de causas que pululam pela nossa sociedade. Mas a existência de instituições centenárias com cultura própria deve ser respeitada, e por isso tenho ouvido defender associações culturais, empresas e casas comerciais que se transformaram em marcos ou em símbolos de comunidades, grupos profissionais, económicos, comerciais, etc.

 

Em relação ao oportunismo de que se acusa Gabriela Canavilhas, parece-me que a oportunista foi Berta Cabral, pois desviou a discussão para a desigualdade entre géneros quando o que está e sempre esteve em causa é, apenas e só, os custos associados à manutenção dos 3 estabelecimentos de ensino, separadamente.

 

E não será de estranhar que o Prof. Marçal Grilo, que coordenou um relatório em que se baseia o despacho do ministério da defesa, tenha assinado um documento contra esse mesmo despacho? E João Soares, também foi politicamente oportunista?

 

Declaração de interesses - sou filha e nora de militares, casada com um ex-aluno do Colégio Militar.

Serviço público

 

Tem-me faltado força anímica para ir escrevendo o que me vai na alma. Até porque sinto que me repito, o que resulta de uma caduquice a avançar e de uma triste realidade que não muda.

 

Por isso, agradeço duplamente a quem se mantém irredutível na vontade de intervenção pública e informativa. Os artigos que Fernanda Câncio vem publicando, como Esperteza Saloia, com excertos do que esta maioria e este governo foram e vão dizendo e escrevendo, são absolutamente obrigatórios.

 

(...) Os impostos têm um efeito recessivo sobre a economia. A ideia que se foi gerando em Portugal de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento. (março 2011, Passos Coelho, pres PSD) (...)

Não estão em causa despedimentos na função pública. Aliás, nós temos muito respeito pelos funcionários públicos. O PSD é contra toda e qualquer tentação no sentido de eliminar ou atacar a ADSE ou os subsistemas de saúde na função pública. (maio 2011, Eduardo Catroga, nomeado pelo PSD para negociar com a troika e co-autor programa eleitoral PSD) (...)


Leiam tudo. A informação é a melhor arma do eleitor.


11 de Setembro

 

Banalizam-se as palavras e os sentimentos.

Os gritos são palpáveis e o silêncio tão esmagador

como a memória. Não precisamos de flores

para lembrarmos o que resulta do fogo

da rigidez da desesperança.

Cabe-nos o fundo das vidas decepadas

e o fumo das decisões de nunca mais

que se repetem em tantos dias.